Palma de Maiorca, Verão de 1967. Estava a passar férias com os meus pais, digerindo ainda mal não ter ido para o Kruger Park com uma namorada de ocasião, cujos pais engraçaram comigo e me ofereceram “boleia”.
O meu pai- sempre mais sensível a compreender os meus devaneios amorosos e as consequentes crises sentimentais- procurava entusiasmar-me com as maravilhas da ilha e com inusitada frequência chamava-me a atenção para umas belezas nórdicas que se passeavam pela piscina do hotel. Mas eu estava inconsolável. O meu coração estava no Kruger Park e o meu pensamento voava para lá à boleia de uma longa cabeleira negra por quem me embeiçara meses antes de acabarem as aulas. Não era época para loiras deslavadas. Para mim, aquele era o Verão das morenas e ponto final.
Uma noite, à beira da piscina, tudo mudou. O meu pai convidou-me a partilhar com ele um Lumumba. Tratava-se de um cocktail anunciado como típico das Baleares com uma composição explosiva: leite com chocolate, café e rum. “On the rocks”, pois claro!
Ao segundo Lumumba, estava outro. Subitamente tornara-me comunicativo e cheio de boa disposição
Daí para a frente não parei de convidar miúdas para dançar e, talvez à décima tentativa, encalhei com uma sueca sorridente que falava mal inglês mas tinha uma linguagem gestual extremamente sugestiva. Nessa, e nas noites seguintes, não voltei ao Kruger Park. A sueca não me dava sequer tempo para desviar os pensamentos. Ao fim de uma semana viemo-nos embora. Quando voltei a encontrar a Lurdes, no regresso às aulas, disse-lhe que tinha passado de moda. Só queria uma miúda loira que substituísse a sueca.
Também não voltei a beber Lumumbas. Tempos depois, apareceu o Bailey’s.
Porque será que me lembro agora disto, diante de um computador, tão anódino e desinteressante como uma folha de papel em branco? Será porque estou sentado no meu rochedo habitual, com o portátil sobre os joelhos, a olhar o imenso azul turquesa do mar do Guincho e me dá vontade de cumprir uma vez mais o destino de partir à descoberta do que se esconde para lá do horizonte?
( A foto, pedi-a emprestada algures na Internet.Espero que o autor comprenda que foi por uma boa causa...)
O meu pai- sempre mais sensível a compreender os meus devaneios amorosos e as consequentes crises sentimentais- procurava entusiasmar-me com as maravilhas da ilha e com inusitada frequência chamava-me a atenção para umas belezas nórdicas que se passeavam pela piscina do hotel. Mas eu estava inconsolável. O meu coração estava no Kruger Park e o meu pensamento voava para lá à boleia de uma longa cabeleira negra por quem me embeiçara meses antes de acabarem as aulas. Não era época para loiras deslavadas. Para mim, aquele era o Verão das morenas e ponto final.
Uma noite, à beira da piscina, tudo mudou. O meu pai convidou-me a partilhar com ele um Lumumba. Tratava-se de um cocktail anunciado como típico das Baleares com uma composição explosiva: leite com chocolate, café e rum. “On the rocks”, pois claro!
Ao segundo Lumumba, estava outro. Subitamente tornara-me comunicativo e cheio de boa disposição
Daí para a frente não parei de convidar miúdas para dançar e, talvez à décima tentativa, encalhei com uma sueca sorridente que falava mal inglês mas tinha uma linguagem gestual extremamente sugestiva. Nessa, e nas noites seguintes, não voltei ao Kruger Park. A sueca não me dava sequer tempo para desviar os pensamentos. Ao fim de uma semana viemo-nos embora. Quando voltei a encontrar a Lurdes, no regresso às aulas, disse-lhe que tinha passado de moda. Só queria uma miúda loira que substituísse a sueca.
Também não voltei a beber Lumumbas. Tempos depois, apareceu o Bailey’s.
Porque será que me lembro agora disto, diante de um computador, tão anódino e desinteressante como uma folha de papel em branco? Será porque estou sentado no meu rochedo habitual, com o portátil sobre os joelhos, a olhar o imenso azul turquesa do mar do Guincho e me dá vontade de cumprir uma vez mais o destino de partir à descoberta do que se esconde para lá do horizonte?
( A foto, pedi-a emprestada algures na Internet.Espero que o autor comprenda que foi por uma boa causa...)