Se António Costa cumprir a sua promessa – e tudo indicia que o fará- a partir de amanhã passará a haver tolerância zero em relação ao estacionamento em segunda fila e em cima dos passeios. Será, muito provavelmente, uma medida que apenas abrangerá as artérias centrais de Lisboa, permanecendo a incúria, o desleixo e a falta de civismo na maioria das zonas da cidade. Trata-se, porém, de uma medida que se saúda. Ainda que aplicada de forma parcial, será um primeiro passo para disciplinar o trânsito e tentar desenvolver nos lisboetas alguns princípios de educação cívica. Esperemos que a Polícia seja inflexível e devolva a Lisboa e aos lisboetas alguma tranquilidade e disciplina no trânsito caótico.
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Que a memória não se apague
Faz hoje seis anos que um ataque terrorista destruiu as Torres Gémeas em Nova Iorque e lançou o pânico no mundo.
Não se pode dizer que o mundo esteja mais seguro desde aquela data, ou que a vida em Nova Iorque regressou à normalidade. O atraso da reconstrução do “Ground Zero” continua a ser uma espinha cravada na garganta dos nova iorquinos.
Bin Laden reaparece em video evocando a data e anunciando novos ataques. Com regularidade são presos presumíveis autores de atentados que não chegam a concretizar-se, graças à actuação das autoridades policiais. Nova Iorque continua a viver em estado de sítio. A invasão do Iraque – que pretensamente se destinava a restabelecer a paz no Médio Oriente- pegou rastilho a outros conflitos internacionais. A popularidade de Bush nos EUA e fora deles está a rondar o “Ground Zero” . Em breve, Bush abandonará o cargo e ficará para a História apenas a sua imagem de “Salvador do Mundo”ensandecido. O ataque de 11 de Setembro irá perdendo força e referências. Mas Bin Laden está vivo, a Al Qaeda mais organizada e o mundo mais perigoso. Talvez tudo tivesse sido evitado, se Bush não tivesse chegado à presidência dos EUA, por métodos fraudulentos.
Não se pode dizer que o mundo esteja mais seguro desde aquela data, ou que a vida em Nova Iorque regressou à normalidade. O atraso da reconstrução do “Ground Zero” continua a ser uma espinha cravada na garganta dos nova iorquinos.
Bin Laden reaparece em video evocando a data e anunciando novos ataques. Com regularidade são presos presumíveis autores de atentados que não chegam a concretizar-se, graças à actuação das autoridades policiais. Nova Iorque continua a viver em estado de sítio. A invasão do Iraque – que pretensamente se destinava a restabelecer a paz no Médio Oriente- pegou rastilho a outros conflitos internacionais. A popularidade de Bush nos EUA e fora deles está a rondar o “Ground Zero” . Em breve, Bush abandonará o cargo e ficará para a História apenas a sua imagem de “Salvador do Mundo”ensandecido. O ataque de 11 de Setembro irá perdendo força e referências. Mas Bin Laden está vivo, a Al Qaeda mais organizada e o mundo mais perigoso. Talvez tudo tivesse sido evitado, se Bush não tivesse chegado à presidência dos EUA, por métodos fraudulentos.
A canibalização dos jornais gratuitos
Começou ontem a ser distribuído mais um jornal gratuito.
O “Global Notícias” é o mais recente título a ser distribuído gratuitamente aos lisboetas, mas não terá por muito tempo essa primazia. Em breve um novo título irá surgir, numa parceria entre “o Público” e “A Bola” que – afiançam os promotores- irá revolucionar o conceito de jornal gratuito em Lisboa.
Em termos pessoais, sou obrigado a reconhecer que os gratuitos modificaram a minha relação com a imprensa. Logo de manhã, quando entro para o Metro, recolho o meu exemplar do gratuito com o mesmo nome. Um quarto de hora depois, à saída do Metro, estendem-me um exemplar do “Destak” e à porta do café recebo o “Global Notícias”. No trajecto entre o café e o emprego sou brindado com um exemplar do “Meia Hora” e à entrada o porteiro estende-me, diligentemente, um exemplar do “Oje”. Resultado: em menos de uma hora recebo, a custo zero, quatro diários generalistas e um especializado em economia e finanças. Ao todo, são cinco os jornais que, logo pela manhã, me convidam a “estar a par com o mundo”, a que em alguns dias da semana se somam algumas revistas de distribuição gratuita. Mesmo para um consumidor compulsivo de informação como eu, que acorda a ouvir notícias, assina várias revistas, não dispensa uma espreitadela na Internet a vários jornais estrangeiros, vê vários serviços informativos ao longo do dia e quando viaja de automóvel não dispensa o noticiário hora a hora, a “overdose” informativa de gratuitos causa-me algum desgaste e leva-me a prescindir, com cada vez mais frequência, da compra de um jornal diário.
Imagino que um consumidor de informação se sinta, assim, perfeitamente saciado com a informação que recebe gratuitamente pela manhã e que completa com um noticiário à hora do jantar, prescindindo por isso da cmpra de um jornal diário.
Não é este o local próprio para analisar os efeitos colaterais que a massificação de títulos gratuitos exerce no consumo de jornais diários. Já o fiz, de forma mais desenvolvida, em local mais apropriado para o efeito.
No entanto, não quero deixar de realçar que se começa a assistir a uma canibalização entre os gratuitos. O primeiro sinal foi dado pelo “Meia Hora”. Inicialmente distribuído à hora do almoço, antecipou a sua edição para as primeiras horas da manhã, concorrendo directamente com os restantes títulos.
As razões desta canibalização prendem-se, iniludivelmente, com a partilha do mercado publicitário, mas é bom lembrar que a existência de tantos títulos só é possível, porque na imprensa escrita há uma desmesurada exploração do trabalho dos jornalistas. A imprensa diária tradicional, por sua vez, para garantir a sobrevivência e ser apelativa, recorre com inusitada frequência aos brindes e promoções e a comentadores e colunistas com algum peso mediático. Paulatinamente, constata-se que a imprensa gratuita dá informação e os jornais pagos aumentam o espaço de opinião. Há aqui uma inversão de valores que em nada beneficia a imprensa nem os leitores, e põe em causa o papel do jornalista. Mas isso são contas de outro rosário... O que interessa salientar é que um tão elevado número de títulos não garante por si só que os portugueses andem mais informados, ou que se alargue o mercado de trabalho para os jornalistas. Apenas garante ( até quando?) um aumento das receitas publicitárias.
O “Global Notícias” é o mais recente título a ser distribuído gratuitamente aos lisboetas, mas não terá por muito tempo essa primazia. Em breve um novo título irá surgir, numa parceria entre “o Público” e “A Bola” que – afiançam os promotores- irá revolucionar o conceito de jornal gratuito em Lisboa.
Em termos pessoais, sou obrigado a reconhecer que os gratuitos modificaram a minha relação com a imprensa. Logo de manhã, quando entro para o Metro, recolho o meu exemplar do gratuito com o mesmo nome. Um quarto de hora depois, à saída do Metro, estendem-me um exemplar do “Destak” e à porta do café recebo o “Global Notícias”. No trajecto entre o café e o emprego sou brindado com um exemplar do “Meia Hora” e à entrada o porteiro estende-me, diligentemente, um exemplar do “Oje”. Resultado: em menos de uma hora recebo, a custo zero, quatro diários generalistas e um especializado em economia e finanças. Ao todo, são cinco os jornais que, logo pela manhã, me convidam a “estar a par com o mundo”, a que em alguns dias da semana se somam algumas revistas de distribuição gratuita. Mesmo para um consumidor compulsivo de informação como eu, que acorda a ouvir notícias, assina várias revistas, não dispensa uma espreitadela na Internet a vários jornais estrangeiros, vê vários serviços informativos ao longo do dia e quando viaja de automóvel não dispensa o noticiário hora a hora, a “overdose” informativa de gratuitos causa-me algum desgaste e leva-me a prescindir, com cada vez mais frequência, da compra de um jornal diário.
Imagino que um consumidor de informação se sinta, assim, perfeitamente saciado com a informação que recebe gratuitamente pela manhã e que completa com um noticiário à hora do jantar, prescindindo por isso da cmpra de um jornal diário.
Não é este o local próprio para analisar os efeitos colaterais que a massificação de títulos gratuitos exerce no consumo de jornais diários. Já o fiz, de forma mais desenvolvida, em local mais apropriado para o efeito.
No entanto, não quero deixar de realçar que se começa a assistir a uma canibalização entre os gratuitos. O primeiro sinal foi dado pelo “Meia Hora”. Inicialmente distribuído à hora do almoço, antecipou a sua edição para as primeiras horas da manhã, concorrendo directamente com os restantes títulos.
As razões desta canibalização prendem-se, iniludivelmente, com a partilha do mercado publicitário, mas é bom lembrar que a existência de tantos títulos só é possível, porque na imprensa escrita há uma desmesurada exploração do trabalho dos jornalistas. A imprensa diária tradicional, por sua vez, para garantir a sobrevivência e ser apelativa, recorre com inusitada frequência aos brindes e promoções e a comentadores e colunistas com algum peso mediático. Paulatinamente, constata-se que a imprensa gratuita dá informação e os jornais pagos aumentam o espaço de opinião. Há aqui uma inversão de valores que em nada beneficia a imprensa nem os leitores, e põe em causa o papel do jornalista. Mas isso são contas de outro rosário... O que interessa salientar é que um tão elevado número de títulos não garante por si só que os portugueses andem mais informados, ou que se alargue o mercado de trabalho para os jornalistas. Apenas garante ( até quando?) um aumento das receitas publicitárias.
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