sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Antevisões 2008(1)



A partir de 2 de Janeiro de 2008, antevejo brigadas de solteironas frustradas a invadirem empresas e serviços públicos em busca de fumadores que estejam a violar a lei anti-tabágica no seu local de trabalho.Brigadas de delatoras de ar másculo abandonarão o seu posto de trabalho meia dúzia de vezes ao dia, soltando aquelas frases assassinas que aprenderam em sessões de milícias antitabágicas e procurando os colegas infractores para os denunciarem junto do chefe. Ao fim de semana estas brigadas femininas reunir-se-ão em células partidárias, ou percorrerão as ruas em manifestações exigindo mais liberdade em Portugal. Acham isto ficção? Julgam que não as conheço?

Dezembro em Lisboa...

O sol brilha esplendorosamente num céu azul límpido. A temperatura está amena dispensando agasalhos suplementares durante o dia. Os turistas invadiram Lisboa. Não estamos em Agosto, mas parece...
Quem falou em alterações climáticas? Estes ambientalistas são uns exagerados!....

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Em jeito de balanço...

Iniciei-me este ano na blogosfera. Achei aliciante o desafio feito pelo Arnaldo Gonçalves para criar um blog colectivo intercontinental e, em Fevereiro, lancei-me na aventura do ALEMDOBOJADOR. Foram seis meses muito profícuos e animados, mas o projecto intercontinental acabou por ficar reduzido a um diálogo Lisboa/Macau , que limitava os nossos objectivos. Porém, como o “bichinho” se entranhara, cada um prosseguiu o seu caminho.
Em Setembro criei as “crónicas do rochedo”. O objectivo era apenas escrever umas crónicas de vida, transpondo para aqui algumas cenas vividas diariamente. Percebi, ao fim de pouco tempo, que me desviara da intenção inicial. Fui incapaz de deixar de tecer opiniões e fazer comentários ao que se passa à minha volta. Entretanto, “viciei-me” na leitura de blogs. Não cometerei a veleidade de pretender eleger os melhores do ano, pois estou ainda muito verde nisto. No entanto, há alguns que leio diariamente, porque sempre ali encontro coisas que me interessam e por isso lhes faço referência: 5 dias, Corta-fitas, Origem das Espécies Arrastão, sem muros, ou o tempo das cerejas.
Outros há que visito com frequência, como o Bichos Carpinteiros, Bitaites, Blasfémias, Cibertúlia, Combustões, Estado Civil, Eu Existo, Exíliodeandarilho, Glória Fácil, Margem Esquerda, O País do Burro, O Profano, Pedro Rolo Duarte, Portugal dos Pequeninos, Zero de Conduta, Womenage a trois, 31 da Armada. E há muitos outros com que contacto esporadicamente, mas que fazem parte do meu “arquivo” de consultas.
Ao longo deste ano aprendi com todos um pouco e foi com algum orgulho que me fui vendo citado aqui e além. Quero no entanto destacar e agradecer a um conjunto de pessoas cujos posts contribuíram para que no fim deste ano eu esteja mais rico. Nem sempre concordei com o que alguns escreveram, mas é na diversidade de opiniões que se aprende e se evolui. Por isso lhes estou grato - mesmo àqueles cujas opiniões e visão do mundo não partilho.
Sei que corro o risco de ser injusto por omitir alguém, mas mesmo assim aqui vai, com os votos de FELIZ 2008:

- Ana Rita Ferreira
- Ana Sá Lopes
- António B. Calado
- António Cerveira Pinto
- António Figueira
- Arnaldo Gonçalves
- Bárbara Baldaia
- Carla Quevedo
- Daniel Oliveira
- Eduardo Pitta
- Fátima Pinto Ferreira
- Fernanda Câncio
- Francisco José Viegas
- Helena Matos
- Henrique Fialho
- João Gonçalves
- João Paulo Meneses
- João Villalobos
- Jorge Ferreira
- José Mário Silva
- Júlio Ávila
- Medeiros Ferreira
- Miguel Portas
- Nuno Ramos de Almeida
- Pedro Correia
- Pedro Lomba
- Pedro Mexia
- Pedro Rolo Duarte
- Rita Barata Silvério
- Sérgio de Almeida Correia
- Teresa Ribeiro
- Vítor Dias
Um abraço para todos e até para o ano!

A Frase do Ano

É difícil escolher a “Frase do Ano”, já que 2007 foi profícuo no que concerne a gente “importante” a debitar coisas disparatadas. Por isso, escolho a mais recente:
“Desmantelo o Estado em seis meses” ( Luís Filipe Meneses)
Pena é que esta promessa do líder do PSD esteja inquinada pelo facto de LFM ter demonstrado, enquanto Presidente da CM de VN de Gaia, que é sábio a engordar a Administração Local. Com dívidas e com amigos. É nestas alturas que dá vontade de citar Juan Carlos e perguntar ao líder do PSD “ porque não te calas?”
Reconheço, porém, que a o afirmar que desmantela o Estado em seis meses, LFM não desvendou apenas a sua costela anarquista... deu também razão ao estudo publicado na revista “Nature” que revela que “ um neurónio pode perfeitamente funcionar sozinho”

E os prémios do ano vão para...

Prémio Isso não é notícia
Para o pouco relevo dado à notícia de que os Administradores do Hospital de Matosinhos prescindiram dos automóveis a que tinham direito, para aplicarem o dinheiro na compra de equipamento médico

Prémio é preciso vender jornais e aumentar os shares
Para o tratamento dado ao caso Maddie Mc Cann

Prémio Vampiro
Para as notícias sobre a acção levada a cabo pela “Verde Eufémia” em Silves. Nunca se terá falado tanto em Portugal sobre transgénicos, nem um assunto terá sido tratado de forma tão displicente

Prémio Superman ... mas poucoPara o Ministro da Agricultura, por ter tido a “coragem” de exibir uma espiga de milho transgénico para as câmaras de televisão, mas se ter escusado a dar-lhe uma “trinca”.

Prémio Abrupto
Para as declarações do Ministro Manuel Pinho na China, apelando aos empresários para investirem em Portugal, porque por aqui os salários são baixos

Prémio Maria vai com as outras
Para Catarina Carvalho, sub – directora do DN, pela crónica que escreveu sobre a ASAE

Prémio Amnésia
Para Marques Mendes, que acusou o Governo de partidarite quando demitiu Dalila Rodrigues, esquecendo-se que Bagão Félix despedira num só dia 18 Directores Gerais, alegando “ falta de confiança política” .

Prémio Solidariedade
Para o grupo de manifestantes que se deslocaram ao Museu Nacional de Arte Antiga para apoiar Dalila Rodrigues que foi demitida por, alegadamente, ter declarado em público ser contra a política seguida pelo Governo na área da Cultura.

Prémio Desperdício
Para o julgamento de um furto num supermercado, no valor astronómico de 59 cêntimos!

Prémio Perdoa-me
Para o BCP, campeão no perdão de dívidas avultadas.

Prémio Ecologia
Para Telmo Correia, pela sua proposta de privatização do lixo lisboeta

Prémio Hipocrisia
Para a posição assumida pelos Estados Unidos durante a Conferência de Bali

Prémio Daqui não saio
Ex aequo:Para Hugo Chavez e Vladimir Putin

Prémio Hiena
Para os sorrisos “deles” perante a crise

Prémio Diálogo
Luís Filipe Vieira: Joe, preciso de comprar um ponta de lança, passa para cá a “massa”!
Joe Berardo: Eh pá, Agora não tenho dinheiro trocado! Leva lá um “Warhol” e depois dá-me o troco...
( publicado aqui, nas cronicasdorochedo)

Prémio Melhor slogan
Ex aequo: “Um dia seremos todos precários se não formos solidários” e “ Seja moderna seja atrevida, torne o seu bum bum mais apetitoso”

Prémio já não há pachorra
Atribuido ex aequo a Marcelo Rebelo de Sousa e Pacheco Pereira

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Até 2008!

A todos os leitores e amigos que ao longo destes três meses me incentivaram com as suas visitas e comentários a prosseguir com as crónicasdorochedo, desejo um Feliz Natal e um excelente 2008.
Só para vos fazer pirraça, comunico que este ano vou passar o "reveilon" no local paradisíco que podem ver na foto: "The Europe's West Coast".
Até lá, só voltarei à "antena" no dia 26 para vos anunciar os melhores de 2007. Não percam!

Carta ao Menino Jesus

Querido Menino Jesus:
Há já vários anos que não te escrevo nesta época natalícia, e manifesto agora o meu sincero arrependimento, porque nas cartas que anteriormente te escrevi, de terras bem distantes, fui sempre por ti ouvido e a grande maioria das minhas pretensões foram satisfeitas. Confesso que também já escrevi ao Pai Natal, mas não interpretes isso como concorrência desleal, pois a ele só lhe pedi aquelas “merdices” consumistas e o que espero de ti é a satisfação de alguns desejos que podem ajudar os portugueses a ter uma vida melhor.
Pretendia pedir-te, nesta quadra natalícia, algumas prendas para pôr no sapatinho que comprei em saldos, numa sapataria esconsa, e que só usei uma vez porque ao fim do dia já ameaçavam desfazer-se.
Para começar, agradecia muito que ajudasses todos os portugueses a deixar de fumar. Não é que esteja muito impressionado com aqueles rótulos que agora põem nos maços de cigarros a dizer que “FUMAR MATA” pois hoje em dia o ar que se respira nas grandes cidades também mata, e não visitei ainda nenhuma onde à entrada estivesse escrito “ O ar que se respira nesta cidade mata”. Não seria mentira nenhuma e as pessoas andariam avisadas, caso contrário, ainda vamos assistir ao aparecimento de algumas associações que vão reclamar indemnizações às autarquias por não terem avisado os cidadãos desse perigo . O que realmente me leva a fazer-te este pedido é o desejo que tenho de ver a Fernanda Câncio feliz!.
Em nome de todos os carteiros deste País, peço-te que lhes envies uma cópia do decreto lei da publicidade domiciliária, de modo a que não tenha a caixa de correio a abarrotar, diariamente, de folhetos de hipermercados, promoções de Pizzas, vendas por catálogo e publicidade da Revista PROTESTE
Como nunca ganhei um prémio na lotaria, no totoloto, nem em rifas de associações de beneficência, agradecia que dissesses às empresas que semanalmente me telefonam para casa a dizer que ganhei um prémio, no intuito de me venderem os seus produtos, que não me alimentem, nem por um segundo, a ilusão de ter ganho alguma coisa sem ser à custa do meu trabalho.
Já agora, agradecia que enviasses uma circular a todos os estabelecimentos e instituições que estão obrigados a ter Livro de Reclamações, esclarecendo-os que o livro se destina aos clientes e utentes e não a enriquecer as suas bibliotecas.
Se não for pedir muito, agradeço-te que faças cumprir a Lei do Ruído, deixando de abrir excepções por tudo e por nada. Eu já tinha avisado que só por milagre é que a Lei seria cumprida e que talvez tenha sido com essa esperança que foi publicada num 13 de Maio mas, francamente, estou convencido que a estratégia não funcionou, tantos são os casos de infracção
Peço-te ainda, encarecidamente e com carácter de urgência, que ofereças um “ Manual de Educação Cívica” a todos os portugueses, para que percebam que não devem andar em contramão, estacionar em segunda fila, em cima dos passeios ou em rampas de acesso para deficientes, que os piscas são para funcionar quando se vai mudar de direcção e não quando se pára em transgressão e que os telemóveis , embora muito úteis, não foram inventados para serem utilizados quando se conduz, ou quando se vai a um teatro, cinema, ou concerto.
Eu sei que será difícil satisfazeres-me este pedido, mas mesmo assim, lá vai: explica-me porque é que “eles” andam sempre de sorriso no rosto, enquanto nós andamos de rosto franzido, porque o desemprego continua a aumentar e o nível de vida e o poder de compra a descer!Tinha muitas outras coisas para te pedir, mas a lista já vai longa e não quero maçar-te.
Muito grato e até para o ano!

Não têm vergonha?

Quando as Pousadas de Portugal pertenciam ao Estado (ENATUR), criticava-se a sua gestão e diazia-se que eram muito caras. Agora que o Grupo Pestana se apoderou das principais pousadas e alienou as que não lhe interessavam , os preços dispararam e a gestão continua a ser péssima. E quanto à relação com o cliente, nem se fala!
Esta semana contactei 8 - Pousadas – 8 através do e-mail do site POUSADAS DE PORTUGAL, no intuito de saber se tinham disponibilidade de quartos. Sabem quantas me responderam? ZERO.
Como é que se chama a isto? Se as Pousadas ainda pertencessem ao Estado dir-se-ia que era incompetência e laxismo. Como pertencem a um grupo hoteleiro de sucesso, devem dizer que é “gestão moderna ”.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Brandos costumes...

Leio no "Global notícias" que um motorista da Lousã, que continuava a conduzir apesar dos seus 97 anos, morreu no passado domingo.
Depois vem a explicação para o facto de aos 97 anos ainda ter carta de condução : “ Após diligências diversas junto das autoridades de saúde e da segurança rodoviária, conseguiu manter a carta de condução...”
Ah, pois, se calhar não é novidade, é apenas a imagem do país! Mas se o velhote tivesse causado um acidente e provocado alguma morte?

Concordo sim! E depois?

Num curto espaço de tempo senti-me obrigado a concordar ( e aplaudir) duas afirmações de Sócrates.
Na verdade tem razão quando afirma que“ os que criticam o subsídio pré-natal, por ser demasiado baixo, não imaginam a diferença que faz, a uma família com poucos recursos, receber mais 100 € ao fim do mês.” E também teve razão quando deu um puxão de orelhas a Carlos Coelho no Parlamento Europeu. Só um tipo muito reles é que vai para um areópago internacional atacar o seu país. Não esperava isso do deputado do PSD!
Mas Sócrates até é capaz de ter ficado satisfeito, porque com esta oposição o seu lugar está garantido pelo menos até 2013!

Um país em alerta permanente!

De há uns tempos para cá Portugal cobre-se, quase diariamente, de alertas laranja. Ou porque está frio, ou porque está calor, ou porque está vento, há sempre vários distritos em alerta laranja. Parece-me que anda por aí mãozinha do Luís Filipe Meneses, que desta forma pretende dar mais visibilidade ao PSD.
NOTA: Só escrevi este post para dar um mote aos "opinion makers" que estão sempre a criticar a ASAE, para ver se mudam de tema!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Obrigado, digo eu!...

A Sílvia é uma moldava que trabalha no restaurante onde almoço quando não tenho possibilidade de o fazer em casa. Diligente, sorriso sempre estampado no rosto, nunca lhe ouvi um queixume. No Verão passado disse-me que estava grávida e ia ser Mãe. Nesse mesmo dia telefonei à minha (Mãe). Não para lhe comunicar a novidade- ela não conhece a Sílvia e até àquele dia desconhecia a sua existência. Ficou a saber quando lhe pedi que fizesse uns carapins * para o filho.
O pedido tem uma explicação. Apesar dos seus 92 anos, a minha Mãe continua a ser “maestra” na arte de tricotar e o seu “perfect job” são os carapins. No Porto, toda a gente conhece os carapins feitos por ela. A razão para a tão propagandeada arte da minha Mãe deve-se ao facto de os carapins que confecciona em longos serões solitários, tendo apenas a “pantalha” como companhia, resistirem estoicamente a qualquer tentativa que os recém-nascidos façam para os expulsar dos seus pèzitos. Apesar das explicações que me tem tentado dar para desvendar o “segredo”, sou incapaz de a compreender. Afianço mesmo que, pessoas idóneas na arte de tricotar, têm tentado executar o “truque” dos carapins não descartáveis por pèzitos irrequietos, sem qualquer sucesso. Mas adiante...
Hoje, entreguei os carapins à Sílvia e expliquei-lhe a origem. Vi os seus olhos marejarem-se de lágrimas . De gratidão e de amargura. ( Ela já não tem Mãe que lhe possa fazer carapins , mesmo descartáveis!). Arregalou os olhos de espanto quando lhe disse a idade da minha Mãe e depois deu-me a última novidade: de manhã, acabara de saber que o Igor irá nascer no dia em que ela fará 30 anos.
Abotoei-me com uma dose de rojões à minhota como não se fazem em nenhum outro restaurante lisboeta, tomei o café e pedi a conta. A acompanhá-la, a Sílvia trouxe-me um jornal. Abriu-o na página ímpar, onde a sua fotografia ilustrava a resposta que dera a um inquérito de rua.
Depois disse-me: “leve o jornal para a sua Mãe. Quero que ela saiba quem eu sou. E diga-lhe que lhe estou muito agradecida”.
Claro que vou levar, mas Obrigado sou eu, Sílvia! Fizeste-me lembrar hoje uma coisa de que não me devia esquecer tanto... o Natal é isto mesmo, sermos capazes, através de pequenos gestos, de fazer os outros felizes. Eu também me sinto feliz, por ter contribuído ( graças à minha Mãe), para que hoje tivesses um dia perfeito. Por isso é que se costuma dizer que " O Natal é quando um homem quiser"

Nota: para os leitores menos informados, carapins são sapatinhos de lã que servem para aquecer os pés . De recém-nascidos, mas também de adultos. Pois, pois, eu sei que em Lisboa não conhecem o significado das palavras que encerram poesia. O melhor que são capazes de dizer é “botinhas”, porque resumem o afecto a um sufixo. Pronto, vão lá comer toucinho!

Parabéns à Céu Neves

A atribuição do Prémio “Pela diversidade. Contra discriminação” à Céu Neves encheu-me de satisfação. As razões estão explicadas no post abaixo, que escrevi no meu anterior blog ( Alemdobojador) quando li os artigos. Parabéns Céu! Merecias que a blogosfera tivesse dado mais atenção ao teu trabalho e ao teu prémio. No entanto, apesar da época natalícia, parece que andam todos a olhar para o umbigo, a discutir qual é o melhor blog do ano.

Uma reportagem notável

Pessoa amiga, sabedora que dias antes de partir para férias concluí um trabalho sobre migrações a ser publicado em breve numa revista de referência, aconselhou-me a leitura de uma reportagem da Céu Neves publicada no DN nos dias 10 e 11 de Junho.
Trata-se de um trabalho notável. Céu Neves viajou como mais uma emigrante, experimentando as condições de dureza a que estão sujeitos os portugueses. Durante duas semanas, viveu nos mesmos alojamentos, experimentou as mesmas sensações de incerteza diárias, sentindo na pele o sofrimento dos compatriotas que partem para aquele país e vivendo os enganos de que são vítimas.
Trata-se de uma reportagem que mostra, na prática, os perigos que espreitam os emigrantes e imigrantes neste mundo global, onde nem a civilizada Europa escapa ao tratamento desumano dos seus cidadãos.
Céu Neves aborda, também, um tema sobre o qual escrevi um artigo ano passado: o “modus operandi” de algumas empresas de trabalho temporário que, sem quaisquer escrúpulos, tratam os trabalhadores como “carne para canhão”. Fui emigrante privilegiado durante vários anos em países europeus e nos Estados Unidos ( os anos que passei em Macau não entram para esta contabilidade) e pude aperceber-me das condições desfavoráveis em que muitos portugueses viviam. Em termos de exploração, porém, só nos anos 60 encontrei situações semelhantes às que Céu Neves descreve. Mas o que se passa na Holanda não é caso virgem. Na vizinha Espanha, na Islândia ou no Canadá, ocorrem situações semelhantes. O mundo estará mesmo melhor, como muitos apregoam?

O que é que lhe deu, Catarina?

Não há cão nem gato, com acesso a uma colunazeca de jornal , que não opine em relação à actividade da ASAE. À excepção de Ricardo Araújo Pereira, a música é sempre a mesma.
A ASAE é fundamentalista, deixem-nos continuar a ser badalhocos que é assim que nos sentimos bem e outras lenga-lengas a que já aqui fiz referência. Não vou sair mais uma vez em defesa da ASAE. Desta vez jogo mesmo ao ataque e a razão é simples. Eu até compreendo que colunistas sem tema para escrever digam disparates e baboseiras, opinem sobre assuntos que desconhecem, se condoam com o encerramento da ginginha (por desconhecerem que se tratou de uma acto de desobediência da proprietária) e caiam na tentação de escrever para ouvir o eco das suas palavras, mesmo sabendo que estão a fazer juízos sobre coisas que desconhecem. O que não aceito é que a Sub-directora de um jornal que respeito, não resista a engrossar a onda de críticas à ASAE acusando-a de actos que nunca praticou.
Refiro-me à sub-directora do DN, Catarina Carvalho, que numa colunazita gratuita decidiu malhar na ASAE, por ter “a mania das limpezas”. Em tom jocoso, não se coibiu mesmo de lembrar aos leitores que isso “ é doença e tem nome”.
Catarina Cravalho perdeu uma boa oportunidade de estar calada e perceber que o silêncio é deoiro e quando nos esquecemos disso, corremos o risco de nos tornarmos ridículos.
Na verdade, a indignação da douta sub-directora do DN não tem qualquer fundamento. Quando acusa a ASAE de “proibir a utilização de listas telefónicas usadas para embrulhar as castanhas assadas na rua” está apenas a ser uma câmara de eco da “vox populi”. Por isso fez uma acusação injusta e infundamentada, que considero inadmissível e indesculpável numa pessoa que dirige um jornal. Ficar-lhe-ia bem, num gesto de humildade, pedir desculpa aos leitores que induziu em erro, e à ASAE que acusou de forma injustificada. Até porque escreveu isso num jornal gratuito ( o Global notícias) lido por muitos milhares de pessoas que foram induzidas em erro e irão engrossar o eco de críticos.
Não sei a quem interessa denegrir a imagem da ASAE ( mas desconfio...). Sinto-me no entanto na obrigação de contribuir para a reposição da verdade e esclarecer o seguinte: não houve nenhum vendedor de castanhas assadas multado ou ameaçado pelo facto de vender castanhas embrulhadas em papel de listas telefónicas, nem vendedores de bolas de Berlim perseguidos e vamos todos continuar a poder beber a “bica” em chávena.
Se no mei de tudo isto houve excesso de zelo, foi certamente de Catarina Carvalho que, ao escrever o que escreveu, parece ter tido como único intuito ouvir o eco dos aplausos de milhares de leitores que diariamente lêem o jornal nos transportes públicos. Ficou mal na fotografia, porque se deve ter esquecido que os jornalistas se devem abster de opinar com base no “diz-se diz-se”. Essa, minha cara senhora, é uma regra que nenhum estagiário de jornalismo pode esquecer!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Precisarão de um GPS?

Li num gratuito:
“ Gelo da época quente cobriu este ano quatro milhões de km2 no Pólo Norte, a mais pequena distância de sempre”.
No “Meia Hora”, não haverá quem saiba distinguir entre distância e área?

Cuidado, fumadores, muito cuidado!

Leio no “Correio da Manhã”, a propósito do caso d Madeleine, ( como eu previra as notícias sobre o caso vão-se esfumando, mas já ficámos a saber algumas coisas sobre o Natal dos Mc Cann...) que na noite do desaparecimento, foram vistos 3 homens a rondar o apartamento “ com um ar suspeito e nervoso a fumar cigarros”.
Atenção, fumadores, a nova Lei anti – tabágica ainda não entrou em vigor, mas já se começa a perceber que um fumador vai passar a ser notícia de jornal e os fumadores a serem alvo de suspeita. Por isso, deixo aqui um conselho a todos os fumadores:
Não fumem em público e muito menos em grupo, pois correrão o risco de virem a ser considerados suspeitos, se alguma acção criminosa ocorrer nas imediações do local onde vocês estão a praticar esse ignominioso delito”

Mistérios do marketing

Será apenas um pormenor, mas não deixa de ser intrigante. O “Breathe Right” (aquele adesivo que os desportistas e muitos dos 450 mil portugueses que têm dificuldades respiratórias utilizam para respirar melhor durante a noite - ou quando fazem exercícios físicos) apareceu recentemente com uma nova embalagem. Do branco, passou para o azul. Até aqui, nada demais... O problema é que quando se abre a nova embalagem daquele produto, deparamos que dentro dela se encontra a embalagem antiga. Não é só em Portugal que isto acontece...pelo menos em Espanha e em Inglaterra sucede exactamente o mesmo..
Ninguém foi capaz de me explicar este desperdício que, ainda por cima, contribui para agravar os problemas ambientais.
Entretanto, o preço aumentou quase 60 por cento desde Janeiro, passando de 5,19€ para 8,40 a 8,70 ( dependendo da margem de comercialização das farmácias). O “Breathe Rihght” pode ajudar a respirar, mas este escandaloso aumento de preço e a sua dupla embalagem, custam muito a engolir!

Boicote aos produtos chineses? Não me lixem!

Circula na Internet mais uma daquelas petições disparatadas pedindo o boicote dos produtos chineses e das Olimpíadas de Pequim. Desta vez não se trata de acusar os chineses de explorarem mão de obra barata, nem violarem direitos humanos. Seria demasiada hipocrisia invocar o facto de a China não respeitar os direitos humanos, depois de na Cimeira UE/China os líderes europeus terem mantido um prudente ( apetecia-me dizer cobarde, mas enfim...) silêncio sobre o assunto.
Depois de um Ministro ter ido a Pequim apelar aos chineses para investirem em Portugal porque aqui a mão de obra é barata, o argumento de que na China os trabalhadores são explorados também já não pega.
De que se lembraram então os promotores deste novo mail anti-China? Recorreram a algumas imagens onde se procura transmitir a ideia de que os chineses tratam mal os animais.
Os europeus em geral - e os portugueses em particular - andam a precisar de tomar alguma coisa que lhes avive a memória, pois já se esqueceram de alguns pormenores que penosamente recordo:
- As torturas praticadas sobre animais em laboratório, para fazer testes a perfumes;
- A forma selvagem como são transportados os animais;
- As práticas regulares de abandono de animais

E fico-me por aqui... porque a hipocrisia desse mail/petição, que me abstenho de reproduzir revolta-me e enoja-me quase tanto, como a falsa piedade com que os seus promotores olham para os animais. è preciso ter muita lata para falar dos outros, esquecendo as nossas práticas...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Tanto sorriso, para quê?

Não percebo que sentido faz continuar a incluir Portugal numa Europa a 15, sempre que se fala do desenvolvimento europeu.
Já descemos mais um degrau no “ranking” dos 27 países e estamos agora em 19º lugar, atrás de países como Malta ou a República Checa. Além disso, os portugueses perderam nos últimos anos 25% do seu poder de compra, tornando-se cada vez mais difícil fazer umas escapadinhas pela Europa.
Perante estas notícias não percebo a razão de tanto festejo, tanto sorriso e tanta euforia! Eu sei que “eles” não sentem as dificuldades dos portugueses, mas não deixo de me perguntar ( como o outro fez quando soube que a hiena apenas tem relações sexuais uma vez por ano) . Afinal riem de quê?

Conversas com o papalagui(10)

- Então vais comprar os PPR do Estado?
- Estás maluco, Papalagui?
- Porquê? Não é um bom negócio?
- O que te leva a dizer isso?
- Os juros são bons, dão desconto no IRS e servem de complemento à reforma. Não andas sempre a queixar-te que te andam a ratar a reforma todos os anos?
- E por acaso achas que é um investimento seguro?
- Então se é do Estado, não é um investimento seguro?
- Andas a dormir, Papalagui! Não sabes que os Certificados de Aforro também não pagavam IRS e agora passaram a pagar? E que a reforma passou dos 60 para os 65? Que passaram de 36 para 40 os anos necessários para ter acesso à reforma completa?
- Não foi por causa da crise?
- E quem é que me diz que a crise acabou?
- Mas falta-te tão pouco tempo para a reforma...
- Falta-me tempo? Então eu devia ter trabalhado 36 anos e quando estava quase a reformar-me o Governo veio dizer que afinal não podia, porque não tinha 60 anos?
- Tiveste azar!
- Tive azar, tive, mas acima de tudo aprendi que nem na palavra do Governo posso confiar!
- Não desanimes, tuga! Lembra-te daquele poema " 7 anos de pastor Jacob serviu..."

Fui bater à porta errada

Realizou-se no último sábado, nas Caldas da Rainha, o I Encontro Nacional dos Engraxadores.
Fui lá no intuito de fazer uma reportagem, mas tive uma decepção enorme... não encontrei as caras conhecidas dos que subiram na vida à custa da arte do “engraxanço”.
Fonte habitualmente bem informada, afiançou-me que estavam todos na Festa de Natal dos “manteigueiros”, no Largo do Rato.
Actualização em tempo: a minha fonte estava errada. Não se tratava de uma Festa de Natal , mas sim de uma romagem de agradecimento entre o Largo do Rato e a Buenos Aires

Deixa-me rir!

O secretário-geral da ARESP ( em jeito de pré-aviso para o aumento dos preços na restautração) afirmou na SIC Notícias que o preço do café em Portugal é o mais baixo da Europa: 50 cêntimos, disse ele! Riam-se à vontade e depois digam-me qual é o restaurante que cobra esse preço...

Uma boa notícia...ou talvez não!

A Deco/Proteste já não me enviava um spam há um mês, quebrando assim a sua frequência quinzenal. Pode ser uma boa notícia, mas temo que isso se deva apenas ao facto de terem descoberto que estive de férias...

Razões que tornam o mundo injusto(7)

As multinacionais são as maiores exportadoras e importadoras de produtos e tecnologias proibidas em alguns países por razões sanitárias e de segurança. Na última década, 25 por cento dos pesticidas exportados pelas multinacionais dos Estados Unidos eram produtos químicos proibidos, não registados , ou retirados do mercado ... nos Estados Unidos.

Fundamentalismos

Anda animada a discussão na blogosfera sobre o consumo de bacalhau no Natal, depois de um fundamentalista qualquer ter ido a uma rádio pedir aos portugueses que comessem menos bacalhau no Natal.A este propósito recomendo a leitura deste post do Francisco José Viegas no Origem das Espécies

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Do Allgarve ao Farwest

Quando foi lançada a campanha “Allgarve”, cheguei a pensar que se tratava de uma campanha dos espanhóis para promoção do seu litoral, adjacente ao Algarve português. Depois, percebi que era mesmo do nosso Algarve que se tratava e propus que quando fosse lançada uma campanha para promover Portugal o slogan fosse “Come to B(u)y you gal!”.Ninguém me ouviu (Ingratos!) e acabaram por optar pela ideia do Pedro Bidarra que eu já conhecia há vários anos. Ganhou a campanha de marketing promovida pelo Pedro ( eu não fiz campanha, tramei-me...) e agora passamos a ser a “Europe West Coast”Acaba por não ser mal visto, porque com a criminalidade violenta a aumentar, cada vez mais nos parecemos com o Far West .
Já imagino a campanha de uma qualquer companhia “low cost”:
“Fly from Allgarve to Farwest.Only 5 euros !”

Gratuito, mas pouco!

Os gratuitos já chegaram à Madeira. Dito de outra forma: Alberto João Jardim decidiu que os madeirenses que já pagavam o jornal “dele” ( Leia-se: Jornal da Madeira) através dos impostos, passariam a ter o privilégio de o ler sem terem que o pagar novamente nas bancas e considerou que isso era jornal gratuito. Será...mas só para os turistas!
A propósito: com tanto jornal gratuito, como é que ainda ninguém se lembrou de lançar um vespertino? Tenho saudades de notícias frescas ao fim da tarde!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Tratados e maus tratos

Pronto, já está! O Tratado foi assinado ao fim da manhã em Lisboa . Já muito se escreveu e falou sobre ele , embora poucos conheçam o seu conteúdo. Confesso a minha ignorância: nunca o li, nem vou ler! Acredito, no entanto, naqueles que defendem que se trata de um “arranjinho feito à pressa” para fingir que a Europa está unida. Todos sabemos que não está. Não esteve na questão do Iraque, não está em relação à Rússia e não estará quando a questão do Kosovo for finalmente colocada em cima da mesa.
O Tratado é complexo, ilegível e incompreensível. Provavelmente, só aqueles que o aprovaram terão uma opinião fundamentada sobre ele. Por isso, reitero o que já aqui escrevi: não vale a pena sujeitar a referendo um documento que ninguém percebe.
Pretender que se dê voz aos cidadãos sobre o assunto, como defende o meu amigo Pedro Correia hoje no Corta-fitas, é criar a falsa ilusão de que o resultado seria diferente do somatório dos votos do Centrão ( o europeu e não apenas o nosso, feito de rosa e laranja).
Na senda do Arnaldo Gonçalves no seu livro “ A Europa à procura do Futuro- Da Convenção de Filadélfia ao Tratado de Lisboa” , concedo (e considero mesmo que poderia significar um passo em frente...) que teria sido mais vantajoso se em vez do Tratado a Europa tivesse uma Constituição cuja aprovação dependeria dos votos de 2/3 dos países, representando 4/5 da população.
Esta pretensão de que a Europa pode construir o seu caminho sempre unida e a uma só voz é completamente irrealista e chega quase a parecer pueril.( E na verdade, a Europa está a precisar mais de um pediatra que a ajude a crescer de forma saudável, do que de um neuro-cirurgião.)
Penso que se avizinham tempos difíceis para os europeus. Lentamente, vão-se diminuindo os direitos e reduzindo a participação dos cidadãos nos destinos da Europa, sempre em nome de um difuso interesse comum, que assenta no primado da economia sobre tudo o resto
Como europeísta convicto, lamento que assim seja, mas hoje por hoje ( perdoem-me ...) saboreio, com um misto de patriotismo bacoco, o facto de o Tratado que vai reger a Europa nos próximos anos, levar aposto o nome de Lisboa.

Uma questão cívica...

Mais uma vez me sinto obrigado a sair em defesa da ASAE.Como se não fossem suficientes os artigos de alguns cronistas que, por falta de imaginação para a escolha de outros temas, preferem opinar ao estilo de “Maria vai com as outras”, corre agora por aí uma petição on line , que mais parece um libelo acusatório contra a ASAE.
O texto da petição – a que vem anexado um artigo de António Barreto – é um chorrilho de disparates e um hino à ignorância. Mas é, também, a prova de que os portugueses gostam da mixordice que estão sempre a criticar.
Como já aqui escrevi, estou contra a maré. A ASAE é um organismo público que cumpre integralmente o seu papel e por isso merece ser elogiado. O problema é que muitos dos que estão sempre a criticar a inércia do Estado e a sua incapacidade para fazer cumprir a lei, colocam-se imediatamente do lado oposto quando um serviço público age em consonância com as funções e objectivos que lhe foram atribuídos.
Não cometerei a deselegância ( por enquanto...) de enumerar aqueles cronistas que durante anos andaram a reclamar a existência de um organismo que fiscalizasse a restauração e a área alimentar, que tantas críticas fizeram à extinta IGAE - que acusavam de inércia- e hoje em dia aparecem na linha da frente das críticas à actuação da ASAE.Pessoalmente também já tenho condenado ( e continuarei a fazê-lo...) os excessos regulatórios e a cruzada proibicionista das instâncias europeias que nos querem transformar em cidadãos liofilizados.Cada vez que da UE emana um regulamento ou uma Directiva sobre a segurança alimentar ( e não só...) recordo-me de uma tia que, tendo apenas um filho, se tornou superprotectora. Agasalhava-o demasiado, não o deixava brincar ao ar livre, desde que corresse uma levíssima aragem, vigiava rigorosamente alimentação do filho, sempre com medo de intoxicações e desarranjos grásticos ou intestinais, etc.
Resultado: a criança constipava-se e caía à cama quando apanhava uma pequena aragem ou comia na cantina do liceu enquanto nós, os primos, parecíamos estar imunes a tais perigos.
Reconhecer que a febre proibicionista e regulatória da UE é exagerada não implica, porém, que não reconheça o mérito do papel da ASAE.
Todos sabemos que há muitos restaurantes onde impera a "badalhoquice" e o desleixo na confecção e conservação dos alimentos. O não cumprimento de regras elementares de higiene desvirtua a concorrência do sector e a própria ARESP o reconhece.
Sinto-me, por isso, confortado por ver um organismo que cumpre o seu papel, mas muito desgostoso ao constatar que cidadãos do meu país perdem o seu tempo- e gastam os neurónios- a fazer petições que apelam ao laxismo, à badalhoquice e ao “deixa andar”. Ter que beber ginginha em copos de plástico não será agradável, confesso, mas não justifica tanto alarido!
Não seria mais útil - e uma prova de cidadania- fazer uma petição pedindo que se acabasse de vez com o “cócó” dos cães nas ruas ou com o estacionamento selvagem?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Coisas da idade...

Apercebi-me que estava a envelhecer, quando reparei que já não mudo de emprego e de país de três em três anos. Agora, limito-me a mudar de gabinete de trabalho.

Mais boas notícias para os fumadores

Benditos vícios

Numa altura em que a frenética campanha anti-tabágica “made in USA” varre a Europa e ganha novos contornos em Portugal, graças a uma Lei irracional, hipócrita e persecutória, eis que da terra do tio Sam vem a notícia de que afinal o tabaco até pode ser benéfico.
Com efeito, um estudo realizado na Universidade da Carolina do Norte concluiu que os fumadores têm menos probabilidades de desenvolver a doença de Parkinson. Os mesmos cientistas descobriram propriedades idênticas na cafeína, pelo que decidi regressar à prática (que havia abandonado há uns tempos) de beber um café e fumar um cigarro no final das refeições.
O mais curioso é que na mesma altura em que este estudo era divulgado, chegava às redacções notícia de um outro, efectuado na Alemanha, onde são enaltecidos os efeitos benéficos do chá e do chocolate para reduzir a hipertensão.
Como ambos os estudos estão publicados em revistas científicas americanas, vou levá-las ao meu médico, na esperança de que ele me autorize a retomar os velhos vícios que me proibiu.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Direitos humanos, pois claro!....

Muito se falou durante a Cimeira UE/Africa sobre direitos humanos. Na Europa somos todos muito civilizados e respeitadores dos direitos humanos, mas em África ( e na América Latina e na Ásia ) , para alguns só existem tiranetes. Um bom exemplo é o que se segue:
Um indiano é preso num país que desconhece e cuja língua não domina, sem saber porquê. Permanece no “conforto” de uma cela , sem saber de que é acusado, durante 14 meses.
Um dia, pelas nove horas da noite, um guarda abre-lhe a porta da prisão e diz-lhe que está livre. Sem mais explicações
.

O homem - sem conhecer nada do país que lhe proporcionou tão bizarro acolhimento- deambula sem eira nem beira, aconchegando-se ao relento. Engana a fome com a amargura que lhe vai na alma: de acordo com a sua religião, a filha não poderá casar, porque o pai esteve preso.
A notícia chega à comunicação social, depois de o homem ter sido recolhido por uma instituição de apoio a imigrantes. Os jornalistas questionam as autoridades, no intuito de saber o que se terá passado. Como resposta, o silêncio.
Onde se passou isto? Na Líbia de um ex-terrorista “reciclado”? , No Zimbabwe do ditador Mugabe? Na China de Jin Tao, esse país que os lídimos defensores da Democracia trazem sempre na ponta da língua , para exemplificar um país onde se cometem as maiores atrocidades? Na Venezuela de Chavez, que os "grandes defensores dos direitos humanos" apelidam de asqueroso ditador ?
Nada disso! A cena passou-se em Portugal, esse país campeão dos Direitos Humanos que até conseguiu, durante a presidência da UE, consagrar o dia 10 de Outubro como Dia Mundial Contra a Pena de Morte”.
Percebe-se... por cá preferimos torturar as pessoas aos bocadinhos até que morram por si próprias. E sempre fica mais barato, pois não é preciso gastar balas, nem energia na cadeira eléctrica.

O Banco da Revolta

Já alguém escreveu que a Economia “ é a ciência que se caracteriza por antecipar previsões feitas por especialistas que são sempre contrariadas por outros especialistas”. O FMI segue à risca esta máxima (lembre-se que Portugal também tem sido alvo de sucessivos cenários dantescos traçados pelo FMI cuja vertente comum tem sido o erro sistemático, seguido de correcções que apenas confirmam as anteriormente avançadas pelos Governos e por outras instâncias internacionais), com desprezo total pelos problemas que não sejam de raiz económica e com a agravante de se comportar como uma espécie de agiota encartado.
Os latino-americanos, que durante décadas estiveram sob o jugo das medidas ultra-liberais do FMI, estão cansados das suas receitas draconianas e dos seus erros constantes de análise, da sua insensibilidade face à pobreza e do endeusamento da Economia na sua forma de actuação.
Com as contas saldadas e de cabeça erguida, Argentina, ( outro caso exemplar de sucesso que contrariou os presságios agoirentos do FMI) Bolívia, Venezuela e Equador decidiram dar um pontapé no traseiro dos magnatas do FMI e criar o Banco do Sul , que pretende promover os seus próprios fundos regionais e adoptar regras menos penosas , tornando-se uma alternativa mais justa para os países daquela região do globo.
Depois de muitas dúvidas e reticências, Lula da Silva acabou por confirmar no último domingo, que o Brasil irá aderir
Sem o Brasil o Banco do Sul poderia ser um fracasso total e um revés para os mentores da iniciativa. Mas a inversa também seria verdadeira. Poderia o país com maior desenvolvimento da América do Sul ignorar a iniciativa dos seus vizinhos?
Um Banco centrado na realidade latino-americana é crucial para o desenvolvimento dos países da Região e para o incremento do Mercosur, realidade económica e mercantil em que o Brasil é uma das potências mais interessadas.
Apesar de pressionado pelos Estados Unidos para não aderir, Lula terá sopesado as consequências de ficar de fora evitando assim colocar o Brasil numa posição de fragilidade no diálogo ibero-americano, que não deixaria de ter reflexos na sua economia.

E afinal até é fácil

Vital Moreira no Causa Nossa diz que não percebe a razão porque não se torna a factura obrigatória, sem necessidade de ser o consumidor a pedi-la
Eu também não percebo e ando a dizer o mesmo há 10 anos. E até já propus uma solução eficaz... Permitir aos consumidores descontar em sede de IRS uma percentagem sobre o montante das facturas. Enquanto asim não for, os consumidores não estão para se chatear

Argentina rima com Cristina

Desde ontem, a Argentina está ainda mais bonita!

O Tratado Europeu

Com pompa e circunstância será assinado, no próximo dia 13 , nos Jerónimos o novo Tratado Europeu, orgulho da Presidência portuguesa e de José Sócrates. Ontem no "Prós e Contras", ficou bem claro que as críticas de Mário Soares fazem todo o sentido. Mas rerforço a ideia ao ler o que Miguel Portas escreveu sobre o Tratado:
"Entretanto, saiba @ leitor(a) que os 27 têm 1 Tratado para assinar; 13 Protocolos que são anexados ao sistema de Tratados; e ainda 43 Declarações relativas a disposições do tratado de lisboa, 7 outras sobre os Protocolos e ainda 15 que seguem anexas à Acta Final da papelada…"
Perante isto, e sabendo que o Centrão está de acordo quanto ao essencial, insistir na necessidade de um referendo é contribuir para fazer um plebiscito à governação de Sócrates.
E essa pode ser mesmo a tentação do nosso Primeiro -Ministro, para reforçar a sua imagem...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Leituras recomendadas

Amanhã, dia 11 de Dezembro, o meu amigo Arnaldo Gonçalves vai lançar, no CCB, o livro "A Europa à Procura do Futuro", que será apresentado por António Vitorino.
Conhecendo a seriedade e empenho com que AG costuma abordar os seus trabalhos, estou certo que será um livro imprescindível para quem se interessa pelas temáticas europeias e se assume como cidadão europeu. Além do mais é, certamente, um livro pleno de oportunidade, já que surge numa altura em que a Europa anda à procura de um rumo e de encontrar o seu lugar na cena mundial.
Desejo ao Arnaldo Gonçalves as maiores felicidades e, claro está, lá estarei para lhe dar um abraço

Nova Europa, ou uma ideia dos diabos?

Esta manhã, no Porto, perdeu-se a oportunidade de assistir a mais um episódio exemplar da Nova Europa. Numa iniciativa inédita em todo o mundo, sete jogadores do Boavista foram a leilão, por iniciativa do Estado, que penhorou os seus passes no intuito de cobrar uma dívida do clube às Finanças .
Felizmente imperou o bom senso e ninguém apresentou licitações, mas talvez Mugabe, Kadhafi ou algum dos sinistros visitantes que durante o último fim de semana esteve em Lisboa queira copiar a ideia para o seu país, estabelecendo mais um laço de cooperação entre Portugal e os restantes países africanos.
Entretanto, João Freitas, lider da SAD axadrezada ficou “fiel depositário bens penhorados” (sic).
Espero que agora o Sindicato dos Jogadores venha reclamar a possibilidade de os jogadores rescindirem os contratos com o clube, por justa causa, e seguidamente o Boavista ponha uma acção contra o Estado, exigindo uma indemnização por “perdas e danos”.
Fica assim saldada a dívida...

Boas notícias para os fumadores

Nem tudo são más notícias para os fumadores. Um estudo acaba de concluir que o monóxido de carbono, quando utilizado em pequenas doses, pode vir a ser utilizado como antibiótico, uma vez que mata algumas bactérias que provocam infecções e doenças.
Aqui fica uma sugestão para os fumadores: quando lhe quiserem aplicar uma multa, por estar a fumar, argumente que está na hora de tomar o antibiótico!

Conversas com o Papalagui(9)

- Ó tuga, estou um bocado confuso com os resultados da Cimeira UE/Africa...
- Olha, Papalagui, em minha opinião foi um sucesso
- Então porquê?
- Pelo que li nos jornais de hoje
- Tem piada... eu fiquei com a ideia de que foi um fracasso!
- Então porquê?
- Pelo que li nos jornais de hoje!...

Má consciência?

Estrategicamente, optei por sair de Lisboa durante a Cimeira UE/Africa. Fui seguindo de longe o que se passava, lendo a imprensa de cá e de lá de fora e vendo algumas coisas através da SIC Notícias. No rescaldo, fiquei com aquela estranha sensação de que a Good Governance que a UE pretende para África, revela alguns resquícios de colonialismo dos antigos colonizadores.

Livros do meu baú

No rescaldo da Cimeira UE/Africa fui ao meu baú e desencantei um livro de Pascal Bruckner que li há mais de 10 anos, mas que me parece muito actual: " O remorso do Homem Branco".

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Agradecimentos

Obrigado ao Pedro Correia do Corta-fitas pelos elogios que me faz. Aquele abraço, Pedro!

E-mail ao Pai Natal

Cenário( Uma tarde cinzenta de sábado, que convidava a permanecer no remanso do lar).

Depois de uma leitura rápida pelos jornais, preparava-me para escrever a habitual carta ao Pai Natal, com um rol de pedidos que ano a ano venho encurtando, ( a inflação talvez não lhe acarrete problemas, mas com o crescimento demográfico não deve ter mãos a medir para atender tantos pedidos, por isso há que facilitar-lhe a vida...) quando a minha sobrinha bateu à porta.
Assim que abri, perguntou-me de chofre :
- Tio, estás muito ocupado?
- Não, estava só a começar a escrever ao Pai Natal.
- Ah! Então não pode ser. Eu volto mais tarde.
- Claro que pode ser... eu escrevo logo à noite ou amanhã. Afinal, nos últimos anos ele não tem satisfeito nenhum dos meus pedidos, se calhar até é tempo perdido... Diz lá o que queres! Passa-se alguma coisa? Discutiste com o teu irmão ou aborreceste os teus pais e queres ajuda?
- Não, tio, não é nada disso! Eu só vinha cá, porque também ia escrever ao Pai Natal, mas como o nosso e-mail está avariado, vinha saber se podia utilizar o teu.
- Mas tu escreves ao Pai Natal por e-mail? –perguntei incrédulo
- Claro, tio. Não é assim que tu fazes?
Senti-me um pouco “cota”, fiquei sem saber o que responder, mas acabei por ter uma saída que considerei airosa:
- Para te dizer a verdade, até pensava que o Pai Natal não tinha e-mail, por isso escrevo sempre pelo correio. Azul, está claro!- acrescentei.
- Oh tio!- respondeu-me incrédula e com um ar de comiseração. Estás mesmo a ficar “cota”. Então o Pai Natal não havia de ter e-mail? Como é que julgas que ele se arranjava se não tivesse e-mail e Internet? Com a população a aumentar desta maneira, achas que ele tem tempo de andar aí a distribuir presentes pelo mundo inteiro?
- Bem, deve ter os seus ajudantes...- retorqui com pouca convicção e já a sentir-me envergonhado com tanta demonstração de ignorância.
- Agora percebo porque é que ele não satisfaz os teus desejos. Se calhar também acreditas que é ele que todos os anos vai lá a casa na noite de Natal!
- Se não é ele então quem é?
- É o pai, bolas! As coisas agora são muito diferentes e passam-se assim...O Pai Natal recebe os e-mails de todas as crianças e analisa os pedidos. Depois manda um e-mail para os pais a dizer os que vai satisfazer e os que rejeita, mas impõe uma condição: os pais devem vestir-se como ele na noite de Natal, ou então arranjar alguém na família que o faça, caso contrário, não há presentes. Se os pais aceitam as condições, ele manda os presentes todos pela Internet. É por isso que todos os anos, quando se aproxima o Natal, o Pai e a Mãe chegam todos os dias a casa carregados de presentes para mim e para o meu irmão. Foram mandados pelo Pai Natal!
- Mas explica-me uma coisa. E como é que o Pai Natal satisfaz os pedidos dos teus pais e de todos os adultos?
- Oh! Os adultos já não acreditam no Pai Natal. Vamos lá escrever-lhe.
Pegou-me na mão, levou-me até junto do computador e começou a escrever.
Querido Pai Natal:
Este ano diz ao meu Pai não dar brinquedos de guerra ao mano, porque já chega a guerra que há lá fora. Além disso temos que lutar contra esta sociedade de consumo que nos impinge tanta porcaria. Para mim, quero a Barbie argentina, as fadas e.....

Conversas com o Papalagui (8)

- O Durão Barroso veio defender a vinda do Mugabe à Cimeira UE-África e disse que espera ver discutida a questão dos direitos humanos.
- Isso é uma boa notícia. O pior é se não há tempo...
- Não há tempo porquê, Papalagui?
- Sei lá... na Cimeira UE-China não tiveram tempo para discutir esse problema.

Razões que tornam o mundo injusto (6)

20 por cento da população mundial, vivendo nos países desenvolvidos, é responsável pelo consumo de 85 por cento da produção mundial de alumínio, 80 por cento da energia, 75 por cento da madeira, 65 por cento da carne, fertilizantes e cimento, 50 por centos dos cereais e 40 por cento da água potável;

Conversas com o Papalagui (7)

- O embaixador dos Estados Unidos deu um puxão de orelhas ao Governo português...
- É... parece que não gostaram da visita do Chavez a Portugal.
- E isso faz sentido?
- Não.
- Então Portugal vai reagir...
- Penso que não. Primeiro reagiu e o PS até apresentou um protesto formal na AR, mas depois acabou por retirá-lo.

- Porquê?

- Parece que não se pode afrontar o Império Americano...
- De qualquer maneira, espanta-me não ver reacções de repulsa na blogoesfera.
- Haver há, mas é dos tipos do costume, que são conotados com a esquerda blogueira
- Quer dizer que a direita está de acordo?
- Claro... se fosse o Hugo Chavez a dizer qualquer coisa do género, os blogueiros da direita não se cansariam de apelidar o Governo português de cobardia.

- Estou a perceber... Começo a encontrar algum interesse no comportamento dos portugueses. Também sou de opinião que caladinhos é o melhor!

Quem avisa...

Todos sabemos que há empresas que embora publiquem anualmente Relatórios de Sustentabilidade, e se proclamem como praticantes da Responsabilidade Social, exercem actividades que por vezes contrariam as suas boas intenções. Não pretendo com isto dizer que haja “hipocrisia” mas há , no mínimo, alguma falta de coerência que até pode dar a ideia que as empresas estão a “penitenciar-se” por práticas menos correctas. S
ão inúmeros os casos de empresas que poderia citar, revelando práticas que não coincidem com aquilo que proclamam. Limito-me, porém, a referir um caso de que tive recentemente conhecimento. A Sonae – que está a construir um empreendimento turístico em Tróia que ameaça os golfinhos do estuário do Sado – decidiu aplicar uma avultada verba para apoiar um estudo sobre a preservação destes animais.
Não está em causa o compromisso de Responsabilidade Social da Sonae ( que até é uma das empresas portuguesas que tem dado passos importantes nesse sentido, tendo inclusivé assinado o Global Compact das Nações Unidas ). O exemplo serve apenas para ilustrar o que acabo de escrever: quando uma empresa assume determinados compromissos perante os stakeholders, deve garantir que as suas acções sejam conformes com as suas práticas e negócios. Caso contrário, corre o risco de ser mal interpretada....
Eu sei que não é possível fazer tudo de uma vez e que se têm dado passos importantes nesta área por parte de várias empresas. Este post serve apenas para chamar a atenção para o facto de existirem empresas que utilizam a Responsabilidade Social como uma forma de “marketing”, iludindo a boa-fé dos consumidores. E isso, em minha opinião, é concorrência desleal!

Taxa ecológica? porque não?

A aplicação de uma taxa ecológica sobre a utilização de sacos de plástico podia ter sido uma boa notícia, mas pelos vistos não passou mesmo das hipóteses. Ao que consta, a APED ( Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição) terá sido sensível à posição de algumas empresas do sector, como a Sonae, que não querem a aplicação daquela taxa.
A ser verdade, não se percebe a posição da Sonae, (uma empresa que se auto-proclama como catalizadora da Responsabilidade Social) até porque outras empresas do sector ( Jerónimo Martins/ Pingo Doce) já cobram aos clientes um preço adicional por cada saco.
Estranha-se também o recuo, pelo facto de a medida adoptada noutros países ter revelado resultados positivos. Na Irlanda, por exemplo, um ano após o lançamento de uma taxa ecológica de 15 cêntimos ( pagos pelo consumidor) sobre cada saco de plástico, foi possível reduzir a sua utilização em 95% , tendo o Governo “encaixado” 13,5 milhões de euros.
A aplicação da taxa ecológica seria não só uma medida socialmente justa, mas também uma forma de consciencializar os consumidores para práticas de consumo sustentável.

Um estúpido brinquedo de Natal

Através de um post do Francisco Almeida Leite no Corta-fitas cheguei a este comentário de Teresa Paula Marques sobre o MO1, um telemóvel dedicado às crianças. Empresa responsável, dizem eles ( os da TMN, claro!...). A verdade é que a começar na publicidade e acabando no próprio produto, não se descortina uma pontinha de bom senso.
( para ver o texto clique no título)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Também tenho direito, ou não?

Sim, caros leitores, também eu me sinto no direito de ter o meu momento “silly season” ( ver os dois posts abaixo)
Salma Hayek
( na foto) declarou numa entrevista a David Letterman que as suas maminhas são “uma dávida de Deus”. Segundo a actriz , os seus seios começaram a crescer quando visitou uma Igreja no México. Como desejava ter uns seios maiores aspergiu-os com água benta e disse: “ por favor dê-me um pouco de busto”.
Como a imagem documenta, o pedido não caiu em saco roto... resta saber que idade tinha Salma Hayek qundo formulou o pedido. Se foi aos 12 ou 13 anos, não me espanta. Mas se já era uma moçoila que ultrapassra o período “teenager” isto dá que pensar! Vai ser a falência dos maduros que andam para aí a enviar “spam” a toda a hora prometendo “ the enlargement of your penis”
Será que há por aí alguns leitores a pensar que eu estou a pensar aquilo que eles estão a pensar?

A "silly season" da comunicação social

Durante a “minha silly season” (ver post abaixo) a comunicação social também cumpre o seu papel. Para além dos casos esporádicos, há “tiques” editoriais crónicos que denunciam a época. Multiplicam-se os questionários e entrevistas sobre a quadra natalícia , as notícias e reportagens sobre o Natal de outras paragens. Fazem-se balanços do ano que finda e previsões para o ano que se vai iniciar. Somos inundados com as “Revistas do Ano” onde se recordam os factos mais importantes ocorridos ao longo de 365 dias, as mortes de gente importante , as principais catástrofes etc.
Um dia destes, imprensa e televisão ( talvez também a rádio, mas não posso assegurar...) brindaram-nos com uma peça de elevado interesse noticioso sobre o ano de 2008. Resultado de uma pesquisa jornalística apurada e do “faro jornalístico” de algum editor com insónias, a comunicação social concluiu que em 2008 os portugueses só vão trabalhar 222 dias.
Creio que terá sido a redundância cabalística do número que terá motivado a relevância dada à notícia. Na verdade, um ano com apenas 144 dias de "ripanço" é obra! Intrigado com tanta perspicácia, decidi também eu investigar como foi possível chegar a esta conclusão.
Comecei por retirar aos 366 dias do ano ( 2008 é ano bissexto) os 10 feriados que não coincidem com um fim-de- semana e os 25 dias de férias a que ( quase) todos temos direito e cheguei ao número de 331.
Embora saiba que nem todos os trabalhadores deste país têm direito a descanso semanal, condescendi em tirar mais 52 dias, correspondentes aos domingos. Mesmo assim ficou curto, pois contabilizei 279. Ainda faltava encontrar mais 57 dias de “ripanço”, pelo que decidi incluir a terça-feira de Carnaval ( que nem todos gozam) e o feriado municipal (que em muitas localidades pode coincidir com um fim-de-semana). Como ainda não chegasse, lembrei-me: será que os “investigadores” também incluíram os sábados? Vai daí acrescentei-os à lista. Ficaram a faltar-me apenas 3 dias que, depois de aturadas investigações, concluí que eram atribuíveis a 3 hipotéticas “pontes” que o jornalista deu como “adquiridas”.
Como adiante se poderá constatar, esta investigação jornalística é um embuste que deveria merecer a atenção dos Provedores dos órgão de comunicação social que lhe deram eco.
Em primeiro lugar, todos sabemos que essa história das “pontes” foi “chão que deu uvas”. Quem as quiser fazer tem que meter um dia de férias e ponto final.
Em segundo lugar, só uma parte dos trabalhadores tem direito a gozar dois dias de descanso semanal. A maioria goza apenas um, o que significa que terá que trabalhar não 222, mas sim 274!
Em terceiro lugar, essa ideia de que temos muitos feriados é “mais falsa do que Judas”. É sabido que em muitos países europeus e latino-americanos, ou mesmo nos Estados Unidos, quando os feriados “caem” num sábado ou domingo passam para o dia útil anterior ou posterior. Em França ou na vizinha Espanha ( para citar apenas dois exemplos próximos), as “pontes” são frequentes, ao contrário do que se passa em Portugal actualmente. Além disso, há vários feriados em que muitos trabalhadores estão ao serviço, sem terem direito a qualquer compensação suplementar ( para além da que a Lei estipula).
Finalmente, seguindo o raciocínio da “investigação jornalística”, ( retirando fins de semana, 25 dias de férias uma média de 10 feriados úteis, incluindo uma “ponte”) fiz uma comparação com os últimos 5 anos e cheguei à conclusão que em média, trabalhámos 224 dias por ano.
Valia a pena fazer tanto escarcéu por dois dias? Tenham juízo e investiguem aquilo que realmente interessa!

A verdadeira "silly season"

Somos danados para importar expressões anglo-saxónicas. Tornamo-nos tão afectuosos para com elas, que a partir de determinada altura as adoptamos e tratamos como se fossem geradas no ventre da nossa língua pátria. No quotidiano utilizamos uma parafernália de follow-ups”,”scoreboards” “ brainstormings”,”bytes”, “off the records” , “offshores”, “press releases”, “lay outs” “merchandisings”, “ prime rates” e outros jargões anglófilos, como “muletas” linguísticas indispensáveis.
Outras expressões há que têm apenas utilização sazonal. É o caso da “silly season”.Assim que o tempo aquece e começa a cheirar a férias, a “silly season” logo salta para as páginas dos jornais e toma lugar cativo na blogoesfera , com ela se justificando uma série de dislates.
Passo um pouco à margem dessa euforia do lazer -que parece invadir as mentes quando fazem férias em bandos - , porque nunca faço férias no Verão. Faz por isso todo o sentido que, para mim, a “silly season” decorra entre 1 de Dezembro e 31 de Janeiro.
Dezembro é um mês “sui generis”. As ruas aparecem iluminadas e assistimos à chegada dos Pais Natal, como aves de arribação anunciando a chegada do Inverno. Começa a azáfama das compras natalícias, com pessoas atarantadas nas lojas à procura da inutilidade mais barata ou do presente mais sofisticado. Corpos vergados ao peso de sacos, arfando como se a morte lhes estivesse a bater à porta, desaguam na noite do dia 24 em casa de familiares que – não raras vezes- são “obrigados a aturar” uma vez por ano, em nome da “Festa da Família”
Esta pretensa “Festa” tem muito que se lhe diga... Começa com comida e bebida à fartazana, continua com a distribuição de presentes por alguém que acata vestir-se de Pai Natal - na ilusão de que está a enganar a “petizada”- e termina com os mais velhos a tomar “ Alka Seltzer” ou “Kompensan” para se “aliviarem” dos excessos.
Mas Dezembro significa também horas a discutir o local ideal para passar o “reveillon”, doze passas às doze badaladas da meia -noite, listas imensas de intenções a realizar no ano seguinte, alegria tão falsa como um par de mamas de silicone, uma festa abrilhantada por uma banda que se reúne anualmente para tocar música brasileira do tempo da “Maria Cachucha”, grandes “bezanas” e ressacas no dia seguinte, acalmadas à custa de “Guronsan”.
Mesmo para aqueles que se escapam a mais uma reunião familiar no primeiro dia do ano, Janeiro não deixa de ser patético. Cortes no orçamento para compensar os gastos do mês anterior, lamentos pelo aumento dos transportes, da luz, da água, do salário da empregada de limpeza , do seguro do carro, da prestação da casa, da bica e do rissol com que aconchegamos o estômago num qualquer come em pé de ocasião e, finalmente, a ladainha lacrimosa pelo aumento do vencimento que foi mais reduzido do que esperávamos. Idas ao médico para vigiar o colesterol que subiu graças aos excessos gastronómicos, escapadelas até aos saldos para “compras de ocasião” e a promessa de que é esta semana que finalmente vamos deixar de comprar “O Expresso” .
No final do mês, constatamos que as promessas feitas entre dois golos de “champagne made in Mealhada” não foram mais uma vez cumpridas.
A Odete não fez dieta e está cada vez mais gorda e parecida com um elefante de Jardim Zoológico, as idas ao ginásio ficaram mais uma vez adiadas por incompatibilidades financeiras, ou falta de vontade, e a promessa de que finalmente iríamos trocar o carro pelos transportes públicos ou uma caminhada a pé até ao local de trabalho, fica aprazada para quando a Primavera se fizer anunciar com os seus retemperadores raios de sol.
Confessem lá, caros leitores, haverá época mais estúpida do que esta?

A justiça devia vir com Livro de Instruções

Quando entrei para a Faculdade de Direito, ia convencido que poderia contribuir para uma maior equidade na aplicação da Justiça. Rapidamente me desenganei e optei por outro curso.
A igualdade dos cidadãos perante a justiça não passa de um “slogan” publicitário. O embuste começa com o acesso à Justiça. Quem tem dinheiro para pagar a bons advogados pode safar-se, quem fica à espera dos defensores oficiosos está normalmente tramado.
O mais grave, porém, é que perante a mesma Lei e a mesma situação, a Justiça não é aplicada da mesma maneira. Cada juiz interpreta-a à sua maneira e o cidadão quando recorre aos Tribunais tem cada vez mais a sensação de que está a entrar numa sala de Jogo, porque a condenação ou absolvição estão mais dependentes da interpretação dos juízes do que do espírito da Lei.
Tenho vários amigos advogados e juízes que ficam exasperados com esta minha argumentação, mas ontem deixei um sem resposta, quando lhe mostrei uma notícia que confirma as minhas desconfianças...
Os recursos apresentados por diversos funcionários públicos que se viram colocados na situação de “Mobilidade Especial” tiveram resultados diferentes. Um juíz obrigou a reintegração dos funcinários, outro deu razão ao Estado.
Espero nunca ter de enfrentar um tribunal como acusado. Mas se isso um dia acontecer, só peço aos deuses que seja o meu dia de sorte ao jogo.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Não havia necessidade...

Já aqui escrevi que sou leitor habitual dos gratuitos e exprimi a opinião sobre o espaço que lhes reservo nas minhas leituras diárias. Servem-me de aperitivo para a meia dúzia de jornais que leio diariamente, entre a imprensa portuguesa, espanhola, francesa, inglesa e latino-americana.
Sou de opinião que os gratuitos não precisam de apimentar as primeiras páginas para serem lidos, devendo antes ganhar o seu espaço pela credibilidade que possam angariar junto do público.Ao ler os gratuitos de hoje, porém, fiquei a perceber que devo estar errado e que mesmo nos gratuitos, o título sensacionalista que só diz meia verdade ou opta pelo acessório, em vez do essencial, "faz carreira".
Atente-se na forma como três dos gratuitos abordaram a notícia do julgamento do processo que Pinto da Costa interpôs contra o Estado
Metro: Na secção de Desporto, a uma coluna com o ante- título "Apito Dourado" e o título "Julgamento que opõe Pinto da Costa ao Estado começa hoje"
Meia Hora: Na secção "Portugal", a três colunas ( baixas) com o ante-título "Apito Dourado" e o título "Pinto da Costa pede 50 mil euros ao Estado"
Global notícias: Chamada de 1ª página com o título: "Carolina Salgado em Tribunal contra Pinto da Costa". Nas páginas interiores ( secção "País") com ante-título "Apito Dourado" e o título "Carolina chamada a depôr contra Pinto da Costa".
Os leitores farão o seu juízo sobre esta forma de fazer jornalismo. Buscar para título ( e chamada de capa) uma testemunha em vez do autor do processo é, no mínimo, descabelado! Não havia necessidade de um gratuito proceder assim....

Ciclone tropical na ordem dos Advogados

A vitória de António Marinho Pinto - que o Prof Marcelo apelidara numa das suas homilias dominicais de "advogado dos descamisados" - é uma pedrada no charco da pasmaceira situacionista há anos reinante na Ordem dos Advogados. Não lhe auguro, porém, vida fácil. A eleição de José António Barreiros para o principal órgão da Ordem pode não ser um bom prenúncio...
Tenho grande apreço por Marinho Pinto (que teve uma fugaz passagem por Macau), como advogado e como jornalista. Frontal, "empenhado na verdade", lutador e de uma grande verticalidade.
A forma deselegante como Marcelo Rebelo de Sousa tentou denegrir a sua imagem só o enobrece e fortalece a ideia de que o Professor perdeu definitivamente a compostura e está a perder a credibilidade!

Para perguntas estúpidas...

Ontem no "Prós e Contras" passaram três horas a discutir o que é preciso fazer para nascerem mais crianças em Portugal. Não era preciso tanto tempo, bastava procurar na discografia do Pedro Abrunhosa e encontravam lá a resposta. Talvez...

Ele lá sabe...

Li nos jornais e ouvi na rádio, que Camacho terá dito (ontem) em conferência de imprensa, que queria o Benfica a “jogar à Porto”. O Homem lá sabe, mas é preciso ter coragem para dizer isto a Luís Filipe Vieira.
Será que Camacho se lembra o que aconteceu ao último treinador do Benfica que fez afirmação idêntica?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

PSD quer novas eleições em Lisboa?

Não deixará de causar alguma perplexidade nos lisboetas, uma recusa da Assembleia Municipal em aprovar o empréstimo solicitado por António Costa.
Em primeiro lugar, porque se trata de baixa política , reveladora de puro revanchismo, ao bom estilo da política portuguesa.
Em segundo lugar, porque apesar de haver nas hostes laranja quem defenda a autorização do empréstimo, Luís Filipe Meneses parece pretender impôr a política do “quanto pior melhor” tão cara a outros partidos.
Finalmente, porque sendo a Câmara de V.N. de Gaia, uma das autarquias mais endividadas do país, não se percebe a posição do presidente do PSD ( que por acaso até fez um bom trabalho, mas à custa do endividamento...)
Nada justifica que um partido preconize, como boa medida política, a manutenção dos calotes a fornecedores. Onde está a coerência de LFM e do PSD?
Parece-me intolerável que o oportunismo político leve o PSD a pretender forçar a CM de Lisboa à paralisação. Não lhe perdoarei se o fizer - e acredito que muitos lisboetas terão a mesma reacção.

A Cimeira de Bali

Teve hoje início em Bali (Indonésia) a Conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas.
A abrir uma surpresa: o recém eleito primeiro ministro australiano Kevin Rudd – que sucede ao conservador John Howard- comprometeu-se a ratificar o Protocolo de Quioto que a Austrália – a par dos EUA – se recusou durante 10 anos a aceitar.
Embora seja apontada como a “última oportunidade para salvar o Planeta”, sinceramente não espero grandes sucessos nos compromissos que venham a ser assumidos nesta era pós Quioto.
A intransigência dos países desenvolvidos, ainda que atenuada, continuará a marcar a divisão existente entre países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento.
É certo que desde a Cimeira do Rio, em 1992, se vêm dando alguns passos positivos, mas o cepticismo continua a marcar as opiniões em torno das Cimeiras, apesar de habitualmente as expectativas serem elevadas à partida.
Uma maior flexibilidade dos Estados Unidos poderá ajudar a desbloquear o impasse e obrigar a China- que em 2009 ultrapassará os EUA no volume de emissões - a aceitar reduções significativas.
A posição da UE é conhecida desde a passada semana: irá reduzir as emissões em 20% até 2020. Qual o papel dos países pobres que , em todo o caso, serão sempre os mais afectados?
A seguir com atenção.

Os caminhos ínvios da Democracia




















Hugo Chavez perdeu o referendo na Venezuela, vendo assim inviabilizada a pretensão de se perpetuar no Poder com o beneplácito do povo venezuelano.
Embora metade dos eleitores não tenha ido às urnas e a vitória do não tenha sido ínfima, a derrota de Chavez é um bom prenúncio para a Democracia na América Latina.
Compreendo algumas das preocupações de Hugo Chavez em relação ao futuro do seu país e da região, tão acossada e explorada pelos senhores do dinheiro e do poder. Não aceito que um presidente eleito, mesmo tendo um projecto que não poderá ser completado no prazo do seu mandato, queira alterar as regras do jogo e mandar a democracia às malvas com o alegado pretexto de querer salvar o país. Espero que Chavez resista à tentação de um golpe palaciano que só o desacreditará diante do seu povo e da opinião pública mundial.
Inversamente, a vitória esmagadora de Putin nas legislativas russas é uma ameaça à Democracia e um sério aviso à Europa e aos Estados Unidos.
Já aqui escrevi várias vezes sobre as minhas reservas e medos em relação Putin. Não resisto, porém, a repegar o tema da dependência energética da Europa face à Rússia, como uma ameaça que não pode ser descurada
Putin já demonstrou ser capaz de, num acto de afirmação ou desespero, lançar mão dos trunfos que tem a seu favor. E se o fizer, ( nem precisa de recorrer a ameaças bélicas, basta-lhe cortar a torneira do gás natural...)será o descalabro para uma Europa que ainda está a lamber as feridas da recente recessão económica.
Esperemos TODOS que a Europa saiba lidar de forma hábil com esta escalada de Putin, porque
a Leste, um homem de gelo moldado na personalidade pelo KGB, estará disposto a imitar o Escorpião quando se sentir demasiado acossado.

Postais da China (5)- Lá como cá...

Estádio Olímpico de Pequim


Como dizia a canção , “não há liberdade a sério sem eucação, saúde, habitação...”
Lá como cá, o Governo reconheceu o falhanço da sua política em três áreas: educação, saúde e habitação. As propinas nas universidades podem atingir os 1000 euros anuais , os reformados que tinham um sistema de saúde grátis perderam essa prerrogativa e os custos da habitação dispararam para custos astronómicos, podendo atingir, em Xangai, os 9 mil euros por metro quadrado.
Todos reconhecem que se vive hoje em dia melhor na China ( embora não se possa escamotear que 65% da população ainda vive da agricultura, tendo rendimentos muito reduzidos...) . A maneira como os chineses vestem, os automóveis que ostentam, ou a vida social que fazem, se comparados com o início da década de 90, são bem demonstrativos dessa evolução. Existe também, nas camadas mais jovens, uma crescente aproximação aos modelos de vida ocidentais. O karaoke já não é o único divertimento dos chineses. Há discotecas a abarrotar, bares pejados de jovens e restaurantes de comida internacional muito disputados. É também visível que os chineses se habituaram ao lazer no fim de semana, pela forma como se passeiam descontraidamente nas ruas, invadem centros comerciais e espaços de lazer. E viajam muito. A Praça de Tian An Men, por exemplo, é invadida por milhares de excursionistas ao fim de semana.
A melhoria do nível de vida reflecte-se, obviamente, num aumento do número de automóveis em circulação. Em Pequim há 3 milhões de automóveis e a poluição disparou para níveis inimagináveis há uma década atrás. A primeira preocupação do Governo chinês para combater a poluição centra-se, por isso, na limitação de veículos. A medida encontrada, foi limitar o numero de venda de automóveis que se reduz, em Pequim e Xangai a mil unidades mensais. Mas não basta a um chinês ter dinheiro para comprar um carro. Precisa também de obter uma licença de circulação que aumenta todos os meses. Em Outubro,em Xangai, o custo dessa licença era de 5 mil euros!

O "Público" errou

....E induziu-me em erro, ao anunciar na primeira página a vitória de Chavez no referendo venezuelano.
A verdade, porém, é que Chavez perdeu ( embora por uma margem mínima).
Como escreve João Paulo Meneses, no blogouvese, o Público “decidiu jogar a roleta russa e apostou em dar como certa a vitória de Chavez” , baseando-se apenas em sondagens.
Alguém já terá esuqecido por aquelas bandas que os leitores, quando compram um jornal, esperam ler notícias e não futurologia? Para isso existe o “Borda d’Água” !...
Esteve bem o “Público” ao penitenciar-se pelo erro na sua edição "on line", mas esteve mal ao considerar que a derrota de Chavez foi uma surpresa e assim justificar o seu erro. Não foi. Há já uma semana que a maioria das sondagens prenunciava a derrota do presidente venezuelano. Houve precipitação e os leitores foram enganados por um erro grosseiro, indesculpável em jornalismo.
Amanhã vou reclamar a devolução do dinheiro que paguei pelo jornal!

O "menino" da Luz


Só hoje fiquei a conhecer os contornos do desaguisado entre Nuno Gomes e Jesualdo Ferreira, no final do Benfica- Porto. Os fulanos que escrevem nos jornais desportivos, habilitados com carteira de jornalista, revelaram a sua habitual imparcialidade e omitiram parte do que na realidade se passou.
Hoje fiquei a saber que Nuno Gomes não se limitou à frase “ Não cuspas na sopa de quem te deu de comer” – que por si só já demonstra, à saciedade, que tipo de personagem é este “menino da Luz”. Adornou a frase com meia dúzia de impropérios “ made in Musgueira”, insultando um homem com idade para ser seu pai.
Não deixa de ser curioso que a verborreia onomatopaica tenha provindo de um “menino” que já se habituou a surgir nas páginas da imprensa cor de rosa, como um “exemplo de virtudes”e de boas maneira, pois habitualmente os impropérios e a má educação constumam ser apontados como apanágio das gentes do Norte- incultas e mal educadas.
O “menino da Luz” nem sequer honra o nome que ostenta na camisola e pediu emprestado a um grande ídolo do FC Porto e do futebol português ( Fernando Gomes) de educação esmerada. Provavelmente nada disto terá importância, porque o rapazinho representa seis milhões (e como em Democracia temos que respeitar a vontade da maioria, ele é que deve estar pejado de razão e o Jesualdo vai passar de ofendido a provocador num ápice).
Afinal o denominado “jornalismo desportivo” não existe apenas para justificar tudo o que provenha do SLB, mesmo quando está errado? Mesmo, claro, quando de grandes senhores ( vg Vale e Azevedo ou José Veiga) passem a “coveiros” da agremiação do Colombo. Aguardo, com alguma curiosidade, o dia em que estes escribas vão remeter Luís Filipe Vieira para o baú das más recordações benfiquistas. Já faltou mais, podem crer!

Porque hoje é segunda-feira


Não posso deixar de fazer uma referência ao acontecimento do fim de semana: o Benfica -Porto
Assisti ao jogo pela pantalha na companhia de um portista , dois sportinguistas e seis benfiquistas ( cinco dos quais mais fanáticos do que o Ricardo Araújo Pereira).
No final do jogo a opinião era unânime ( e, milagre, corroborada pelos comentadores da Sport TV): a vitória do meu FC Porto era indiscutível. No início do Advento, o golo de Quaresma pode ter marcado a época.
Mais importante do que isso não se falou de casos ( apesar de um penalty indiscutível cometido sobre Lisandro...). assim é que é bonito!
Espero que agora o FC Porto não comece a desbaratar pontos como no ano passado...