quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Merci, Monsieur Barroso

Durão Barroso despediu-se  de Bruxelas. Considera que o seu desempenho foi muito positivo e que os países sujeitos a programas de ajustamento estão hoje em dia muito melhores.
Ainda Barroso saía pela porta pequena, já Juncker   entrava pela porta grande  e dizia aos seus parceiros que não pode impôr-se  mais austeridade aos países que foram espoliados pela troika.
Obrigado, Monsieur Barroso.  Ter um português a presidir a à Comissão, a fazer figura de caniche da Frau Merkel,  foi o pior que nos podia ter acontecido.
O fim do seu mandato é um suspírio de alívio para todos os portugueses, que espezinhou sempre com um sorriso nos lábios. Para fazer a merda que fez, melhor fora que nunca tivesse fugido de Lisboa.
De qualquer modo,deixo-lhe aqui este video de despedida

O Platini da Cruz Quebrada



Pires de Lima insurgiu-se  porque António Costa pretende introduzir a taxa de turismo sobre as dormidas em Lisboa.
À partida, a posição do ministro da economia é popular. As empresas já estão fartas de taxas e impostos.  Só que Pires de Lima enganou-se. A taxa das dormidas- que existe em muitas cidades europeias- não é paga pelas empresas, mas sim pelos turistas.
Insere-se na política de Fiscalidade Verde  subitamente tão acarinhada por este governo, para sacar mais dinheiro aos contribuintes, sem lhes dar nada em troca.
O turismo é uma das actividades económicas mais insustentáveis e predadora.  Daí, que as cidades que introduziram as taxas sobre as dormidas – cobradas aos turistas e não suportadas pelas empresas, repito- canalizem essas verbas para projectos que tornem as cidades mais sustentáveis, de modo a reduzir o impacto do turismo.
Pires de Lima  é ignorante, ou omitiu  deliberadamente este facto, para captar a simpatia dos empresários?
Só ele  saberá responder, mas  seja qual for a resposta, mentiu aos portugueses.
Pires de Lima gosta da Fiscalidade Verde enquanto fonte de rendimento para o governo, mas rejeita-a quando se destina a defender a sustentabilidade de Lisboa.
Tal como Platini não quer que a Bola de Ouro seja atribuída este ano a Ronaldo por não gostar dele ( nem dos portugueses em geral) e propõe que o eleito seja um alemão, também Pires de Lima rejeita a proposta de António Costa, porque não gosta do seu adversário político.  Tão incoerente como Platini, ataca António Costa por não  impedir as cheias em Lisboa, mas rejeita uma proposta que pode ser fundamental para garantir a execução das obras necessárias para evitar que as cheias se tornem um hábito quotidiano.

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

É tão giro ter um mini

É tão giro ouvir Passos Coelho dizer que não quer eleições antecipadas porque a Constituição deve ser respeitada!
Ao fim de quatro anos a insistir em violar a Constituição, converteu-se à Lei Fundamental. Na minha geração, a Constituição aprendia-se na véspera do exame. Tínhamos grande cabeças, não mini cérebros de contrafacção. 

Há coincidências felizes

O Boca Doce é bom, é bom é. Para o Coelho e para o xoné


"Antes das últimas eleições legislativas, em janeiro de 2011, Passos Coelho disse dos seus: "O PSD não está cheio de vontade de ir ao pote." Ontem, à espera das próximas eleições, Passos Coelho falou dos outros, "os que olham agora gulosamente para as eleições". Assinale-se a coerência lambareira da análise. Vamos a caminho de quatro anos e o pensamento do primeiro-ministro não sai da papila gustativa. A política externa? "Hummm, crepes Suzette..." E quanto à Defesa? "Brigadeiros, claro." E a dívida pública, senhor primeiro-ministro? "De comer e chorar por mais!" "
(Ferreira Fernandes, DN de hoje)

Ó p'ra mim, tão orgulhoso!

Portugal foi eleito membro do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Leio e oiço por aí que devemos estar orgulhosos. Acredito. Só gostava era que me explicassem uma coisa: orgulhoso de quê?
De Portugal, um país que  está  constantemente a ser condenado no Tribunal  Europeu dos Direitos do Homem, ter sido eleito para o CDH da ONU?
De termos o governo pós 25 de Abril que mais violou a Cosntituição e desprezou os direitos dos cidadãos, condenando deliberada e conscientemente milhares de portugueses à fome?
De sermos governados por um grupo de traidores que apenas está preocupado em agradar a Bruxelas  e se marimba para o país? 
De igualarmos a proeza de Kadhaffi, que conseguiu ser eleito presidente daquele órgão, apesar de ter sido acusado de crimes contra a Humanidade e acabar com um tiro nos cornos?
Se é por isso tudo, peço imensa desculpa, mas não me orgulho.

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Rapidinha ( o título vai em português, porque não sei falar suíço)

Os três canais  de informação estão há horas a discutir  exaustivamente as peripécias da noite europeia. Por isso vou ser rápido.
No Dragão o Porto ganhou sem brilhantismo. Lopetegui lá cedeu aos assobios dos adeptos e meteu Quaresma, que marcou o golo da vitória. Mas isto não vai acabar bem. Com o discurso da avestruz que me faz lembrar o homem de Massamá, o basco pode vir a ser um político, mas treinador de uma equipa com pergaminhos na Europa, não me parece que algum dia seja.
Na Alemanha o Sporting ,com 10 jogadores durante quase uma hora, teria empatado o jogo, não fosse o árbitro russo ser vesgo e marcar um penalty inexistente contra os de Alvalade aos 93 minutos.. Ou talvez não seja problema de visão, se pensarmos que a patrocinadora do Schalke 04 é a Gazprom, uma empresa russa.  Como diria o outro, é só fazer as contas...
Junto-me à homenagem que todos os comentadores fizeram a Marco Silva. Mas não era preciso exagerar como o repórter  da Antena 1 que, para enaltecer os atributos do treinador do Sporting se saiu com esta pérola:
- O homem é poliglota. Fala diversas línguas. Até fala suíço!

O 69 (chegou) à hora do chá

Hoje, às 17 horas, tomou posse o 69º secretário de estado deste governo. Ocupou um cargo na (má) educação.  Fernado Reis, de seu nome, deu um toque nobiliárquico ao número que Mota Amaral um dia apelidou de "curioso".
Talvez por isso a tomada de posse  tenha sido à hora do chá. Very british!

Passos Coelho confessa que (já) não é primeiro ministro

Ontem o pm foi a Esposende.  Fez um discurso de circunstância em que defendeu Crato, mas reconheceu que já não é pm. 
" O senhor ministro da educação pôs o seu lugar à minha disposição, para que o primeiro ministro decidisse". 
Está na hora de Passos Coelho dizer aos portugueses quem é que manda neste país. Pensávamos que era Merkel, mas PPC referiu-se ao pm e não à pm. Será Schaueble? Draghi? O Pateta? Harry Potter?
Ficamos todos na dúvida.
A frase de PPC tem um alcance ainda mais profundo, facilmente descodificável por qualquer estudante do 1º ano de Psicologia. Os comentadres insitem que o problema de Passos Coelho é ser teimoso. Antes fosse... 

Pobretes, mas alegretes!

Imagem da Net ( Global News)


Os sinais de alrme  já começaram a tocar um pouco por todo o lado: é muito provável que em 2015 a Europa entre novamente em recessão e haja  mais uma crise. O aviso é de economistas, políticos e do próprio FMI.
Segundo um estudo  divulgado pela empresa alemã GfK, povos de 27 países europeus já interiorizaram essa possibilidade, ao admitirem  que não estão optimistas quanto ao futuro e  que as perspectivas económicas dos seus países em 2015 são cinzentas. Este pessimismo fez cair drasticamente o índice de confiança dos consumidores, que baixou de 9,1% em Junho, para 4,2% em Setembro. É um dos índices de confiança mais baixo dos últimos anos.
Há, no entanto, um país cujo povo contraria o pessimismo generalizado na Europa. Quem será? 
Se responderam Portugal, acertaram! 
Em Setembro, os portugueses revelaram uma enorme confiança no futuro, perspectivando- como o governo- que 2015 será um ano de recuperação económica. A confiança dos portugueses é tal, que desde o ano 2000 não se mostravam tão optimistas em relação ao futuro.
Os tugas são assim mesmo: pobretes, mas alegretes. Ignorando o que se passa na Europa e continuando a olhar para o país como se fosse o centro do mundo, acreditam que a crise já passou e vamos, finalmente, regressar ao tempo das vacas gordas.  Um optimismo que se deve, obviamente, ao egocentrismo tuga, mas também a uma grande dose de analfabetismo. Os tugas pensam através dos jornais, dos noticiários ( que lêem e vêem pouco) e dos comentadores do regime. Gostam de pensar que a vida é como as telenovelas que consomem em doses industriais, por isso só dão relevo às notícias boas e consideram sempre catastrofistas os que insistem em abrir-lhes os olhos para a realidade.
Somos assim, não há nada a fazer. A não ser lutar para que os tugas sejam mais esclarecidos. Isso só se faz através de uma aposta forte na educação.  Só que, tal como no tempo do Estado Novo, este governo não quer portugueses instruídos e  informados. Quanto mais ignorantes, mais fáceis de enganar.

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Novo índice de desemprego

Basta passar por uma praia para ver que estes dias de calor são um bom indicador do nível de desemprego em Portugal..
Alguns preferem utilizar este calor fora de época como desbloqueador de conversa. Mas é preciso ter cuidado, para não fazer figuras tristes.

Posso dar uma sugestão, sr ministro Moreira da Silva?



A tradição da Latada em Coimbra tem uma característica muito peculiar. Os jovens estudantes roubam  carrinhos dos supermercados  e depois, ecologicamente, deitam-nos ao Mondego.
Como é tradição e a cretinice se passa em Coimbra, ninguém levava a mal. São jovens estudantes e têm todo o direito a divertir-se.
Custa-me a aceitar que estudantes universitários sejam tão cretinos...mas é o que temos.
Este ano alguém tentou demover os estudantes. Podem continuar a roubar os carrinhos mas, em vez de os atirarem ao rio, estacionem-nos em parques de estacionamento criados para o efeito.
Como não me parece que a tradição seja abandonada e os carrinhos vão continuar a ir para o rio, ou a ser abandonados como lixo, sugiro a Moreira da Silva que aplique um imposto especial para os participantes na Latada. Seria bem mais popular e ecológico, do que outras medidas da Fiscalidade Verde em que tanto se empenhou.

Quem quer ser milionário?




“Portugal cria  10 mil novos  milionários por ano”
( Diário Económico)

A notícia deixou-me boquiaberto e curioso.  Pelo número, mas também pelo facto de serem milionários de criação. Provavelmente criados num viveiro, cuja localização o DE não divulga,para afastar a concorrência. E faz bem, para evitar tumultos. Já imaginaram o que era se 10 milhões de portugueses se postassem à porta do viveiro a reclamar um período de cativeiro, de modo a saírem de lá milionários? Passaríamos a ser conhecidos, no mundo inteiro, pelo país dos excêntricos. Talvez não fosse mau como cartaz turístico, mas eu detesto multidões.
O DE esclarece que, para além dos 10777 milionários criados este ano ( pessoas com uma riqueza superior a 1 milhão de dólares),  Portugal criou mais 10395 em 2013.  Quer isto dizer que, em apenas dois anos, este governo criou 30% do total de milionários portugueses. E pensar que há por aí uns energúmenos a dizer que este governo lançou o país na pobreza!
Sou jornalista e, como tal, curioso, por isso fui tentar perceber como foi possível, num país em crise, criar 21 mil milionários em dois anos. ( Em 2009 havia “apenas” 11 mil milionários, o que significa que em cinco anos o número de milionários  aumentou quase sete vezes- são actualmente cerca de 75 mil. )
Tanto quanto pude apurar, desde a II Guerra Mundial  que não se registava um tão elevado número de milionários feitos à pressa. Mas, nessa altura,  havia uma explicação: o volfrâmio crescia como cogumelos debaixo do chão e alemães e ingleses disputavam-no a peso de ouro. Uma tonelada de volfrâmio valia 6000 libras no mercado aberto e muito mais no mercado negro. Nesses anos loucos a febre era tal, que se alguém encontrasse um calhau de volfrâmio na soleira da porta, logo começava a cavar os alicerces ou planeava mesmo, deitar a casa abaixo.
Não é brincadeira, não! Por causa do volfrâmio, destruíram-se igrejas e mortos foram desalojados de cemitérios- relata a imprensa da época.
Nos anos 80 e 90 do século passado também nasceram bastantes milionários em Portugal, graças às verbas provenientes da UE. Nesses anos, muita gente transformou verbas do FSE ( destinadas à formação)em jeeps e carros de alta cilindrada, e verbas para agricultura fizeram florescer belas mansões com piscina, mas nada comparável ao enriquecimento proporcionado pelo volfrâmio. 
As verbas europeias “secaram” e por estes anos de crise não foi descoberto- que se saiba- nenhum produto capaz de rivalizar com o volfrâmio, pelo que a razão do enriquecimento de tanta gente, em tão pouco tempo, deve ter  alguma explicação pouco perceptível ao comum dos mortais. 
Eu sei que agora  há o Euromilhões, mas o número de milionários portugueses “criados” por essa via é tão ínfimo, que se perde na estatística. Sei,também, que a distribuição é um negócio de milhões, mas apenas acessível a meia dúzia de portugueses.  E quanto aos banqueiros, também não há por aí Salgados, Jardins Gonçalves e Pequepês a dar com um pau. Além disso, ser banqueiro é uma profissão de risco. Que o diga o Oliveira e Costa, coitado, que andou anos a trabalhar num banco e agora está na miséria!
Por outro lado, se o DE escreve “criação” de milionários, isso significa que eles são produzidos em série num qualquer lugar. Não sendo nos supermercados, nos bancos, nem na Santa Casa, há-de ser em algum local mais recatado, não visível a olho nu pelo comum dos mortais.
Disse-me alguém habitualmente bem informado sobre estas coisas, que os principais viveiros se encontram em S. Bento e em Bruxelas.  Não acredito. Esses viveiros poderão ser responsáveis pela criação de algumas centenas de milionários, mas estamos a falar de milhares! 21 mil em apenas dois anos- relembro.
Eu não tenho nada contra os milionários mas,  saber que eles não nascem nas maternidades por desígnio da Natureza,   sendo  criados em viveiros artificiais cuja localização desconheço, chateia-me, pá. Fico com a ideia que também eu podia ser milionário e só não sou, porque me estão a esconder informação!
Se vivemos em democracia todos devíamos ter direito a saber “ como se cria um milionário”. E não me venham lá com essa treta de que é o trabalho que nos torna ricos  e outras histórias da carochinha, como a globalização, porque já sou crescido e não acredito em contos de fadas.
Certo, certo, é que a crise multiplicou exponencialmente o número de milionários em Portugal, pelo que não percebo a razão de todos quererem acabar com ela. Afinal, os números não mentem: a crise é uma oportunidade! Ora, se assim é, o melhor é prolongá-la durante mais uns anos, para  dar a possibilidade a todos os portugueses de se tornarem milionários.  Pelas minhas contas, à media 10 mil por ano, em 2114 todos os portugueses se  terão tornado milionários. Não vos parece uma boa notícia? É só esperarem mais um bocadinho, que a vossa vez vai chegar!
A única coisa que me preocupa é continuar sem saber onde se criam esses milionários. Vou ler o OE 2015 e reler os anteriores, porque tenho quase a certeza que vou lá encontrar algumas pistas preciosas.  
O que tenho a certeza que vou encontrar, é a explicação para o aumento da pobreza, para a fome que afecta muitos milhares de portugueses e a razão de 1 em cada 4 crianças estar em perigo de pobreza extrema.

domingo, 19 de Outubro de 2014

É aproveitar enquanto dura

Hoje, o preço da gasolina baixa seis cêntimos. Com a descida acentuada do preço do petróleo é provável que continue a baixar nos próximos tempos. Mas só até Janeiro, porque com a Fiscalidade Verde, vai subir oito cêntimos.
Este governo não gosta mesmo nada de ver automobilistas felizes.

Descoberto o ponto"G" de Maria Luís Albuquerque

O OE 2015 tem pelo menos um mérito. Permitiu  descobrir o ponto G da Marilú:
Gamanço!
Gamar os tugas dá-lhe um inusitado prazer. Principalmente, quando os engana com o anúncio de falsas descidas de impostos.

Assim vai o mundo


Ébola visto por André Carrilho

Le premier bonheur du jour

Alguém está interessado em experimentar?
Tenham um bom domingo

sábado, 18 de Outubro de 2014

O voo do Condor


Não o critiquem, ele só anda a coleccionar milhas, antes de ser chutado

( Hoje , no Expresso: Via Câmara Corporativa

Terá aprendido?

O Sporting foi eliminar o Porto ao Dragão. Com justiça.
Agora, Lopetegui já não pode dizer que ainda não perdeu. Não sei é se terá aprendido que não pode estar sempre a mudar meia equipa de jogo para jogo.Duvido.O homem é teimoso.
Se continuar a jogar assim e com adeptos que não apoiam a equipa nos momentos em que ela mais precisa, será outra época para esquecer.
O Porto já está como o Benfica de há uns anos atrás. Para o ano é que é!

O Bimbo

Sabem o que um Bimbo?
A entrada do dicionário do CR  define Bimbo como todo aquele que acredita que em 2015 vai pagar menos impostos.

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Bibó Porto (21): O difícil caminho das Verdades

Terreiro da Sé


Depois de uma  paragem para fotografias, no terreiro da Sé, conduzi os meus amigos ( Teresa e Luís) para a Rua D. Hugo, o bispo a quem D. Teresa ofereceu a cidade do Porto Antes de entrarmos, chamei-lhes a atenção para um Chafariz.
- Coisa linda! concordaram. E as máquinas voltaram a disparar.
- Chama-se Chafariz do Anjo. Sabem quem o projectou?  Nicolau Nasoni, o mesmo que construiu a Torre dos Clérigos
- Lá estás tu a quereres enfiar-nos barretes, Carlos!- vociferou o meu amigo com um ar de enfado. O Nasoni ia mesmo perder tempo a fazer chafarizes! De lendas já chega a da ponte!
- Bem, se não acreditam em mim, quando chegarmos a casa, pesquisem na Internet. Agora  vamos continuar o passeio.
 Estão a ver aquela capela? É a capela de Nossa Senhora das Verdades. Foi construída por um padre, depois da demolição da Porta das Verdades, uma das aberturas da  primitiva muralha, conhecida como "Cerca Velha". Dava ali para o bairro do Barredo e da Ribeira, mas nessa época a cidade ainda não bordejava o rio. Já viram o que os portuenses perdiam naquele tempo?
- Espera aí. O que é isso da muralha primitiva? Não é esta muralha que estamos a ver?- perguntou a Teresa
- Não! A muralha primitiva é a romana, de que já só restam alguns vestígios. A que estamos a ver é a muralha Fernandina, construída muito depois. Logo ao jantar eu explico-vos. Agora  vamos continuar. Aquelas escadinhas chamam-se ...
- Não me digas que se chamam Escadinhas das Verdades? - perguntou a Teresa na galhofa
Escadas e Arco das Verdades

- Como é que adivinhaste?
- Tás a falar a sério? Já estou a ver que isto aqui  se chama  tudo "das verdades". Tem alguma coisa a ver com o facto de estarem ao pé da Sé onde as pessoas  vinham  certamente confessar-se e tinham de dizer a verdade?
Está bem pensado! Nunca me tinha ocorrido essa hipótese. Talvez tenhas razão. Até porque ali vamos ver também o Arco das Verdades e as Escadas das Verdades
Pois! Lá está! - atalhou o Luís.As pessoas saíam de casa e percorriam o caminho até à Sé a pensar nos pecados ( nas Verdades) que tinham de confessar ao padre
Até pode ser que tenham razão, mas há uma coisa que não bate certo. Esta é a porta que ficava mais longe da Sé e, havendo mais três portas, a lógica é que a Porta das Verdades fosse a que estivesse mais próximo. Ora acontece que a porta de mais fácil acesso se chama Porta de Vandoma
- Ah! Então é ali que se faz a feira de Vandoma? 
- Exactamente! Olhem aqui é a Casa Museu Guerra Junqueiro. Quando vierem cá com mais tempo, venham visitá-la, porque vale a pena. E estas são as escadas das Verdades. Estão a ver esta vista maravilhosa sobre o Douro?
- Lá isso é verdade. É de cortar a respiração! 
- Pronto , já percebi porque é que isto aqui tem tudo nome de Verdades. Deve ter sido um guia daquele tempo que sempre que andava por aqui fazia a mesma pergunta que o Carlos nos acaba de fazer e os turistas respondiam como tu "Lá isso é verdade!"
- Vamos descer as escadas ? perguntou a Teresa

Muralha Fernandina
- É melhor não. Fica para outra vez. Continuamos a descer esta rua  até à Rua Escura e depois vamos explorar um bocado do centro Histórico, que tem muito para ver e muitas histórias para contar. Quando chegarmos ao fim da rua D. Hugo  vão ter oportunidade de tirar muitas fotografias com vistas soberbas sobre o Porto.
- Olha lá, Carlos, isso é Verdade ou Mentira?
- Ainda bem que fazes essa pergunta, Luís. É que as escadas das Verdades,  também já se chamaram das Mentiras.
- Lá estás tu a gozar!
- Não estou, não, mas para vos explicar isso eu tinha de vos contar uma lenda e prometi-vos que não o faria.
- Ora, deixa-te de merdas! Conta lá a lenda. Já que não consegues explicar porque é que isto se chama  tudo das Verdade, ficamos pelo menos a conhecer a lenda.
Já que insitem, então lá vai.  Diz a lenda que as mulheres que viviam nestas casas costumavam sentar-se nas escadas a conversar. O mexerico era sempre um tema muito animado e, como acontece com todos os mexericos, havia alguma dose de verdade, mas acima de tudo, muita má-língua. Daí que alguém lhes tivesse posto o nome de Escadas das Mentirosas, ou Escadas das Mentiras. 
- E quando é que passaram a chamar-se das Verdades?
- Não sei mas, segundo li em qualquer parte, foi o padre que construiu a capela de Nossa Senhora das Verdades que conseguiu que o povo do Porto lhes mudasse o nome. Não consta é que tenha conseguido acabar com os mexericos.
Agora vamos lá, que já se faz tarde.








Não é com vinagre que se apanham moscas




Assinala-se hoje o Dia Internacional  para a Erradicação da Pobreza. 
Sabemos que nunca as desigualdades entre ricos e pobres foram tão gritantes em todo o mundo, mas  temos sobejas razões para nos envergonharmos  do sexto lugar que ocupamos no ranking dos países com maiores desigualdades  de rendimentos entre ricos e pobres, na União Europeia.
Há mais de mil milhões  de pessoas com fome e 200 milhões de desempregados em todo o mundo.
Em Portugal, em 2010, menos de uma em cada cinco crianças ( 18%) estava em risco de pobreza extrema. Este ano, graças às medidas de justiça social tomadas por este governo, a relação de risco aumentou  para mais de uma em cada quatro crianças (29,3%).  Concomitantemente, há mais  21 mil novos milionários  em Portugal nos últimos dois anos. Ou seja: em apenas dois anos o número de portugueses com um património líquido superior a um milhão de dólares, aumentou 30%.
Em Novembro de 2011, o Parlamento Europeu aprovou um documento estratégico de Combate à Pobreza, para o período 2014-2020, cujo principal objectivo é a redução,  em pelo menos um terço, do número de pobres. No primeiro ano deste período a pobreza aumentou em Portugal. Mas não há problema. Desde que cumpramos o défice, a UE aplaude e fecha os olhos  ao aumento das desigualdades sociais.
Portugal não é um caso isolado. Em países como a China ou a Índia, cujo desenvolvimento económico justifica a inclusão no grupo dos que mais têm crescido e vão continuar a crescer na próxima década, têm-se acentuado as desigualdades e cavado o fosso entre ricos e pobres. Esta realidade contraria, na prática, a tese dos que defendem ser o enriquecimento dos países, uma garantia de combate à pobreza e à exclusão. `
Se o enriquecimento dos países não se traduz numa diminuição da pobreza, se a globalização não conseguiu diminuir as desigualdades e se o Estado Social é incapaz de garantir por muito mais tempo o apoio aos cidadãos, chegou a altura de repensar tudo.
A pobreza resultante do modelo de desenvolvimento iníquo das sociedades modernas, quer a pobreza que ameaça afectar um número indiscriminado de velhos, apanhados de surpresa com a falência do Estado Social, incapaz de garantir as pensões de reforma que prometeu durante mais de 30 anos, são problemas que não podem ser ignorados.
Se o debate não se fizer, a Europa (e particularmente Portugal) irá enfrentar um gravíssimo problema.O aumento da expectativa de vida não pode significar diminuição da qualidade de vida. Voltar a olhar para os velhos como um estorvo é um retrocesso inaceitável, mas essa parece ser uma realidade incontornável, no dia  que hoje se assinala.
Dito isto, não posso deixar de manifestar a minha discordância com a proposta avançada por Henrique Pinto ( ex-presidente da Cais) de criminalização da pobreza.  Embora concorde com a necessidade de fiscalizar as verbas ( até ia mais longe, e proporia a fiscalização das receitas permitindo detectar o que fica pelo caminho), criminalizar a pobreza é uma proposta descabida. Não é com vinagre que se apanham moscas. 
Também não é com a exaltação da caridadezinha e do assistencialismo que se resolve o problema da pobreza estrutural. Nem com exemplos como este, apresentado pela TVI. Bem pelo contrário…

A erradicação da pobreza  tem de ser discutida em bases sérias. E isso só será possível com um governo que se preocupe com este problema.  Com o grupo de fariseus da hóstia que nos governa, tal discussão é impossível. 
Só as medidas  que promovam a justiça social podem combater a pobreza e as desigualdades. O resto é folclore de tias que adoram os pobrezinhos , mas preferem vê-los à distância para não lhes sentirem o cheiro.

Somos um país de poetas