domingo, 29 de março de 2015

Com elas, o miúdo vai sempre atrás

Foto: Bruce Davidson

A campanha " Comigo o miúdo vai sempre atrás"  começou aqui

Bibó Porto (43)

 O Porto tem Igrejas, Capelas e Conventos belíssimos...


A Igreja de S. Francisco, na Rua da Alfândega é, certamente uma das que, pelo seu conjunto. está entre as mais belas da cidade.


Estas imagens do interior aguçam-vos o apetite para uma visita?



Fotos da NET

sábado, 28 de março de 2015

Vé se entende, tá?






A partir de hoje é sempre a abrir


Li em qualquer lado que 3,5 milhões de portugueses vão gozar férias de Páscoa. Como as temperaturas nos próximos dias vão rondar os 30 graus, não é difícil imaginar que esta cena vai ser  um must da semana Santa.
Sim, também sou um dos 3,5 milhões de portugueses que durante a próxima semana vai viver acima das suas possibilidades, mas na praia é que não me apanham. Um mergulhito na piscina é muito provável, mas praia... não obrigado!

Férias de Páscoa?

sexta-feira, 27 de março de 2015

Quem me traz aquilo de que gosto muito?


Pelo sim, pelo não, deixo fotografia, não vá andar por aí algum procurador a espiolhar e julgue que estou a pedir dinheiro. NÃO! São mesmo éclairs da Leitaria da Quinta do Paço no Porto.

Cretinos!

O negócio do dia

Em Janeiro os hospitais tinham 200 camas ocupadas com idosos que já tinham alta clínica, mas não podem regressar a casa  por não terem condições económicas para o fazer.
Se os idosos têm carências económicas ( e muito provavelmente afectivas), não seria melhor entregar às famílias as verbas que o governo vai gastar nos subsídios aos lares?
Obviamente que a medida não pode ser imposta, até porque  muitos desses idosos nem família terão, mas nos casos em que ela exista, tenha condições  e  interesse no acolhimento,  porque não  privilegiar a inserção dos idosos no meio familiar,em vez de os depositar em lares?
Ah, pois e tal, é preciso ajudar o negócio dos lares de idosos, não é?

Listas e listinhas ( Da Casa Pia ao Bando dos 4)

Estou escaldado com listas  desde o tempo do caso “Casa Pia”, quando começaram a circular na comunicação social listas  com nomes de políticos  envolvidos. 
Este  governo, porém, adora listas. De deputados, de dirigentes da cor que esperam nomeações  de última hora, de candidatos a conselhos de administração de empresas públicas e entidades reguladoras, de pedófilos ou de VIP’s.  
A  ideia de criar uma lista de pedófilos é tão aberrante, que nem mereceria mais comentários, não se desse o caso de hoje  ter sido conhecido o caso deste padre. Pergunto à senhora ministra: deve ou não ser incluído na tal lista, um padre  condenado por pedofilia, que continua  autorizado a lidar com menores? 
Nas últimas semanas, a estrela das listas é a dos VIP das Finanças. Um vasto conjunto de personalidades públicas teria sido colocado numa espécie de Red Light District  do ministério de Marilú  e. cada vez que alguém os apalpava ( em termos informáticos, obviamente...) acendia-se uma luzinha vermelha e o prevaricador era alvo de um processo disciplinar.
Inicialmente, apareceram listas com muitos nomes de figuras públicas que estariam inscritos nessa lista.  Hoje, o presidente do sindicato veio esclarecer que só quatro nomes constavam dessa lista: Cavaco, Passos Coelho, Paulo Portas e o toureiro Paulo Núncio.  Como chegou a esta conclusão?  Cruzando os nomes dos funcionários alvo de processos disciplinares, com os alvos das apalpadelas  buscas.
Devo dizer que considero a existência de apenas quatro nomes muito irrealista. Por um lado, porque aparecer  um secretário de estado ao lado de três pesos pesados, me parece  descabido. Se lá está Paulo Núncio, por que razão não está a ministra? Terá recusado? Então, nesse caso, sabia da existência da lista. Não foi ouvida nem achada? Então não devia calar-se.
Uma lista de apenas quatro nomes também me parece muito curta mas, a confirmar-se, ainda torna o caso mais grave e susceptível de tirar outras ilações.
Finalmente, a composição paritária das listas( 2 do PSD e 2 do CDS) ainda levanta mais suspeições. A lista só  faria sentido se respeitasse  a proporcionalidade da representação dos dois partidos no governo.
A ideia de que em Portugal temos um Bando dos 4, como em tempos existiu na China, é algo que não encaixa. Salvo se os quatro nomes estivessem a ser utilizados como cobaias que serviriam de teste, antes da inclusão de outros nomes...
Talvez nunca se venha a saber toda a verdade sobre a lista VIP, nem a lista dos pedófilos venha a ser criada. Mas há uma certeza: mais do que adorar listas, o governo gosta de se meter em encrencas por causa delas.  
Mesmo quando  existem só para enganar o pagode, como é o caso das listas da CRESAP. A estas o governo não liga nenhuma. Continua a escolher os candidatos de acordo com os seus critérios político-partidários e, para ultrapassar dificuldades, nomeia para cargos dirigentes pessoas em regime de substituição que se prolongam indefinidamente nos cargos.
Foi o que aconteceu, por exemplo, com a nova directora geral da Autoridade Tributária. Apesar de ter chumbado em dois concursos anteriores, o secretário de estado e a ministra não tiveram qualquer pudor em nomeá-la para o cargo. João Bilhim já protestou mas nem o governo lhe deu ouvidos, nem a generalidade da   comunicação social parece considerar o assunto tema muito importante. Dar voz aos partidos é mais fácil e mais barato, do que fazer investigação jornalística.





quinta-feira, 26 de março de 2015

Os Ignorantes

Depois do grande sucesso das séries Borgen e Os Influentes, exibidas na RTP 2, o canal público decidiu abrir os cordões à bolsa e produzir uma série que reflicta a realidade política portuguesa. O título já está escolhido: Os Ignorantes.
Quanto ao  enredo, ilustrará essencialmente a ignorância dos ministros portugueses em relação ao que se passa nos ministérios que tutelam e na falta de memória quanto aos seus deveres de cidadania.

Qual é o cheiro das eleições, afinal?




Desde que Cavaco disse que já cheira a eleições, tenho andado de nariz no ar para ver se descubro a que cheiram mas, até aqui, nada.
É verdade que há um cheiro a bosta no ar, proveniente de S. Bento e Belém, mas não me parece que seja esse o cheiro típico das eleições.
Há dias, o Ferreira Fernandes deu-me uma ajuda com esta crónica.
Lembra ele (e bem, como sempre...) que  na Grã Bretanha, há mais de 50 anos que em vésperas de eleições a atmosfera começa a ser impregnada por um forte cheiro a cozinhados, proveniente das cozinhas onde os candidatos se fazem fotografar.  Não é que sejam exímios cozinheiros, mas sabem fingir lindamente e a analogia entre política e cozinhados sempre me pareceu irrefutável.
A partir da crónica do FF, dei por mim a conjecturar sobre os cheiros específicos de diversos países durante as campanhas eleitorais. Na Argentina haverá certamente um cheiro a churrasco, com assados de tira a animar comícios e no Brasil a feijoada será rainha.
Já em França, o cheiro será mais adocicado, " à cause des petits gateaux", na Suíça o ar está impregnado de um misto de queijo e chocolate, na Bélgica o cheiro a mexilhões com batatas fritas invade os lares, na Holanda bosta de vaca misturada com queijo, na Alemanha o cheiro das salsichas ou do Eisenbahn e nos países nórdicos não cheira a nada, porque a comida é sensaborona e nem cheiro provoca.
E como será em Portugal? FF garante que cheira a fritos  mas eu, por mais que apurasse as narinas,  não recebi o menor indício desse odor gordoroso. Não sei se a culpa é da sinusite e rinite que me afectam mais fortemente na Primavera, mas cheiro a  fritos nem o das farturas que costuma empestar os ares nas romarias estivais . Até que..EUREKA!  Quim Barreiros deu-me a dica. O cheiro eleitoral em Portugal é a peixe. Nomeadamente a bacalhau
" Mariazinha deixa-me ir à cuzinha, deixa-me ir à cuzinha para cheirar teu bacalhau" - diz o seu sucesso popular.
Não é na cozinha, porém, que os nossos políticos gostam de ser filmados e fotografados durante a campanha eleitoral. Preferem andar pelas ruas a distribuir bacalhaus, ou ir aos mercados e às lotas distribuir beijinhos às peixeiras.  Decididamente, os nossos políticos não são carnívoros.
 Apesar de a ementa dos jantares  durante a campanha ser sempre "carne assada", ouso perguntar:
Alguém já os viu a fazer campanha eleitoral num matadouro? 

Hoje há circo



Não há por aí uma universidadezinha recôndita, num país jeitoso e bem distante, que me queira dar um doutoramento honoris causa?  Parece que há alguns a bom preço e, como credenciais, posso apresentar  o apoio à CPLP e às UCCLA

Mas que grande confusão vai naquela cabeça!

Não gosto da forma acintosa - por vezes até achincalhante - como alguns responsáveis do PS e comentadores afectos ao partido da rosa se referem à candidatura de Henrique Neto.
É certo que a entrevista que deu ao  DN   e o apoio de Henrique Medina Carreira  ( mandatário de Cavaco Silva à Presidência da República)retiram todas as dúvidas sobre os propósitos da sua candidatura. A entrevista que hoje deu a Maria Flor Pedroso, na Antena 1, deixou-me completamente descoroçoado - até um pouco assustado-por mostrar um homem com alguns tiques de quem se julga predestinado ( "sou dos poucos em Portugal com condições e ideias para exercer o cargo de PR") e por ter ideias muito vagas  e por vezes contraditórias sobre a função presidencial.  
Quanto à privatização da TAP diz estar desgostoso, mas admitiu que se o pm o convencesse, não se oporia.
Também foi claro no apoio às decisões de Cavaco em relação a este governo e admitiu não votar no PS nas próximas legislativas, apesar de continuar a ser militante.
 Henrique Neto não merece o meu respeito político. Merece, porém, o meu respeito pelo seu passado e pela obra que construiu ao longo da vida.
Apesar da aliança improvável entre dois Henriques, não me parece que seja uma candidatura (H)enriquecedora e nunca  votaria em Henrique Neto, mas ele merece o meu respeito. 
O nervoso miudinho que se apoderou das hostes socialistas é o reconhecimento de que a candidatura do homem da Ibermoldes faz mossa no partido e na sua base de apoio, mas as declarações de responsáveis e comentadores da área do PS, só contribuem para a agravar.  

quarta-feira, 25 de março de 2015

Levante-se a acusada!

Eu a pensar que O Coiso  era descendente de uma alcagoita, mas afinal a culpa é da salamandra!

92%

Há umas semanas li na revista do Expresso um artigo de Ana Sofia Fonseca sobre violência doméstica. Relatos dramáticos transpostos para o papel  com a mestria  a que a Ana nos habituou. Li-os num sufoco, enquanto imaginava juizes a aplicar penas severas aos brutamontes que depois de beberem uns copos, ou terem sido roídos por ciúmes que minam a sua condição de machos, pensam que para mostrar  aos outros a sua virilidade  têm de aplicar correctivos exemplares a fêmeas que decidiram  libertar-se das suas garras, por já não suportarem as sevícias ou, simplesmente,  porque ousaram apaixonar-se por um ser humano.
No final do artigo, porém, fiquei a perceber que sou um optimista. Na verdade, 92% dos casos de violência doméstica terminam com o arguido absolvido ou condenado com pena suspensa.

Portugal no coração

Os primeiros autocarros com estudantes  finalistas já arrancaram em direcção a Espanha na sexta feira e ainda não vi reportagens sobre bebedeiras de caixão à cova, nem rixas, nem pinocadas nas discotecas e piscinas dos hotéis. Ou os jornalistas andam distraídos, ou os estudantes  estão em má forma. A única coisa que se arranjou até ao momento foi esta pinderiquice

A China quer respirar



Fotos deste post tiradas da Internet

Nos últimos anos é recorrente ouvir falar das cidades chinesas como exemplos de metrópoles cujo desenvolvimento as tornou irrespiráveis. Apesar da poluição insuportável, Pequim não é a cidade com piores condições atmosféricas na China e nem sequer se encontra entre as 10 cidades mais poluídas do mundo. Entre as cidades chinesas apenas  Linfen se encontra nessa lista ( 6º lugar), encabeçada por Nova Delhi. 
Em contrapartida, a China encabeça a lista dos 10 países mais poluidores do mundo, sendo actualmente o maior emissor de CO2, lugar ocupado pelos EUA até 2013.
O desenvolvimento económico  acelerado da RPC nas duas últimas décadas, assente na multiplicação e expansão de unidades industriais  que utilizam energias poluentes produzidas a partir do carvão e outros combustíveis fósseis, aliado ao aumento vertiginoso de veículos automóveis  e da legislação permissiva que favorece  práticas ambientais aniquilosadas, foram factores determinantes para que os índices de poluição se tornassem insustentáveis.
 Em 2014 a China comprometeu-se a desenvolver esforços gigantescos para reduzir drasticamente as suas emissões, colocando  o combate à poluição entre as 10 medidas prioritárias do governo  para 2015. 
Esse compromisso  parece estar a ser levado muito a sério pelas autoridades chinesas, preocupadas também com a crescente contestação popular , reclamando  medidas ambientais eficazes no combate à poluição.É o que infiro  das recentes declarações do pm chinês no encerramento dos trabalhos da Assembleia Nacional Popular.
Num tom pouco conciliador, Li Ke Quiang  avisou as empresas que mais têm contribuído para aumentar a poluição que pagarão um elevado preço se continuarem a eximir-se ao cumprimento  da legislação ambiental que limita o nível das emissões  produzidas. 
Na mira do pm chinês estavam as  duas principais petrolíferas estatais, responsáveis por uma grande parte das emissões de CO2.mas há muitos outros factores que contribuem para a degradação do ar.


A  poluição atmosférica é, hoje em dia, um dos maiores problemas da China. Para além do impacte na saúde pública, que se traduz em elevados custos, o governo chinês teme perdas de receitas significativas no turismo e, por arrasto, na economia.
Daí que Li Ke Quiang tenha lembrado também a necessidade  de a população alterar os seus comportamentos, contribuindo com o esforço de cada um para diminuir os níveis de poluição.
A China - segunda  economia mundial –  quer chegar no final do ano à cimeira de Paris sobre o clima e apresentar resultados significativos no combate à poluição, para ganhar  credibilidade junto dos seus parceiros que há anos acusam o governo chinês de indiferença face aos problemas ambientais. A verdade, porém, é que não deu o passo fundamental: proibir a construção de novas fábricas  que usem o carvão como fonte de energia. 
Ora, neste momento, há mais de 500 novas fábricas em construção, cuja  fonte de energia será o carvão, o que manifestamente contraria o discurso oficial de que a China quer respirar melhor. É como dizer a um fumador a quem foi detectado cancro no pulmão que pode continuar a fumar. 

Querido, assaltaram-me o cofre!

terça-feira, 24 de março de 2015

Na hora do adeus


Herberto Helder (1930-2015)


A última bilha de gás durou dois meses e três dias,
com o gás dos últimos dias podia ter-me suicidado,
mas eis que se foram os três dias e estou aqui
e só tenho a dizer que não sei como arranjar dinheiro para outra [bilha,
se vendessem o gás a retalho comprava apenas o gás da morte,
e mesmo assim tinha de comprá-lo fiado,
não sei o que vai ser da minha vida,
tão cara, Deus meu, que está a morte,
porque já me não fiam nada onde comprava tudo,
mesmo coisas rápidas,
se eu fosse judeu e se com um pouco de jeito isto por aqui acabasse [nazi,
já seria mais fácil,
como diria o outro: a minha vida longa por muito pouco,
uma bilha de gás,
a minha vida quotidiana e a eternidade que já ouvi dizer que a
[habita e move,
não me queixo de nada no mundo senão do preço das bilhas de gás,
ou então de já mas não venderem fiado
e a pagar um dia a conta toda por junto:
corpo e alma e bilhas de gás na eternidade
- e dizem-me que há tanto gás por esse mundo fora,
países inteiros cheios de gás por baixo!

(in A Morte sem Mestre, ed. Porto Editora, 2014)

Em cada esquina um amigo?



Tocaram à campainha. Ainda meio sonolento,   Rodrigo  levantou-se da cama  e espreitou pela janela para ver quem era.  A cara pareceu-lhe familiar, mas não conseguiu identificar de imediato. Vestiu o roupão, desceu as escadas, abriu o postigo e perguntou “quem é?” 
- Sou eu , o Fontes. Já não te lembras de mim?
Mas que raio quer o Fontes a esta hora da manhã?- interrogou-se. Sem esperar pela resposta  abriu a porta e mandou-o entrar.
-Então que te traz por cá? 
-Eh pá, desculpa acordar-te, eu  sei que ainda é muito cedo para ti, mas tenho um negócio  bestial  para te propor.  Tens cinco minutos?
- Senta aí. Tomas um café?
- Não, pá, estou cheio de pressa. Olha, o que te tenho a propor é o seguinte. Tenho umas poupanças e vou aplicá-las num  investimento  que rende 10% ao ano.  Foi um amigo que me propôs e eu lembrei-me de te perguntar se querias alinhar.
Rodrigo  esfregou os olhos. Pensou uma fracção  de segundo
- Tens confiança nesse teu amigo?
- Confiança total. Conheço-o há mais de 40 anos, é um tipo honesto como já não se vê neste país. Podes confiar à vontade.
- Então entro com 10 mil euros
- Só?  Estás reformado,  com os cortes nas pensões ficaste com uma pensão de miséria, esta é uma oportunidade de recuperares o que o governo te anda a roubar.
- És capaz de ter razão. Olha então aplico no negócio do teu amigo 50 mil. Fico apenas com uns dinheiritos para as despesas correntes. Vivo bem com os juros .
- Pois, foi o que eu fiz.   Vou vivendo dos juros e a conta fica para os miúdos, coitados, que com a crise que por aí vai não sei como se vão safar quando terminarem os estudos. Então assina aí. Dá-me o NIB para autorizares a transferência da tua conta. 
- OK.   Se me dizes que o teu amigo é de confiança…
- Podes crer. O Ricardo é um tipo com nome na praça, tem uma empresa sólida como poucas e sempre cumpriu os seus compromissos.   Parece que até vai ser condecorado pelo PR, que também o tem em muito boa conta e o considera um empresário de sucesso. Não há que desconfiar. Bem, vou indo, porque tenho de entregar a papelada toda até ao final da manhã. Depois digo-te qualquer coisa.



Três meses depois...

Rodrigo acabou de jantar e está sentado  diante do televisor . Toca o telemóvel. É o Fontes.
- Olá Rodrigo! Tenho uma notícia chata para te dar. 
-…
- Estás-me a ouvir?
- Sim, diz lá…
- O teu dinheiro foi pelo cano. A empresa do meu amigo faliu. Estava cheio de dívidas e não aguentou. Ainda pediu ajuda ao governo, mas eles mandaram-no dar uma volta.
Por momentos, Rodrigo ficou sem fala.  Tentou recuperar a calma e finalmente disse:
- Isto na vai ficar assim.
Dias depois Rodrigo meteu um processo contra o Fontes e o amigo. No dia do julgamento, o juiz sentenciou:
- O senhor Rodrigo poderá recuperar 30 a 40 % do seu investimento, se o aplicar numa empresa do irmão do amigo do senhor Fontes, mas não poderá mexer no dinheiro, pelo menos durante um ano.

Substituam o Fontes pelo gestor de conta do BES ( um amigo para todas as ocasiões), o juiz por Carlos Costa e o Rodrigo por um investidor enganado e  têm  um  cenário possível para o que se está a passar  no caso BES.
Como é possível o governador do Banco de Portugal, entidade reguladora em quem é suposto os consumidores depositarem confiança na defesa dos seus direitos, fazer  esta proposta indecorosa a pessoas que foram enganadas  por um trafulha  que, ainda por cima, contou com o aval do PR?
Apesar de hoje Carlos Costa ter dito que "não havia nada para ninguém", não acredit. Estamos em ano de eleições e, mais cedo ou mais tarde, os lesados verão o dinheiro de volta. O mais próximo possível das eleições, para que os portugueses não tenham tempo de  se aperceberem que serão eles a  pagar as trafulhices do BES e a indemnizar aqueles que foram enganados com papel comercial, produto de risco que lhes foi "vendido" como investimento seguro.


Come e Cala

Ainda sou do tempo em que os  depósitos  à ordem nos bancos eram considerados um empréstimo  e,  por isso, o banco remunerava-os pagando juros. Baixos, é certo, mas cumpriam os mínimos de valorização do empréstimo.
Com o decorrer dos  anos esse pequeno juro passou a ser parcialmente comido pela cobrança de uma taxa de manutenção da conta.
Os governos pouco ou nada fizeram para garantir que as taxas  sobre os depósitos à ordem se mantivessem a um nível razoável. Pelo contrário, fecharam os olhos e  permitiram que  fossem crescendo de forma lenta.
Agora, perdida a vergonha e com o freio nos dentes, os bancos aumentaram desmesuradamente essas taxas ( nalguns casos os aumentos chegam a 200%) o que em muitos casos significa que o dinheiro depositado à ordem  deixou de ser considerado um empréstimo, para passar a ser visto  como um  serviço que os bancos prestam aos depositantes. 
Em termos práticos, os  depósitos à ordem  passam a ser extorquidos  aos depositantes, graças a taxas  e taxinhas. Apesar de serem verdadeiros roubos,  em nada preocupam  Pires de Lima. O ministro da economia  limita-se a manifestar  incómodo com a taxa de 1 € que António Costa quer cobrar aos turistas que cheguem a Lisboa, prática já seguida em muitas cidades do mundo e cuja justiça já aqui defendi. 
O governo está, pois, mais preocupado com os turistas do que com os portugueses e a sua reacção ao aumento das taxas sobre depósitos  reduziu-se a um mero encolher de ombros, sinónimo da expressão “ é o mercado a funcionar”.
Já fomos obrigados a pagar as vigarices de Oliveira e Costa no BPN  e os lucros das acções do dr. Cavaco. Vamos ser obrigados a pagar as vigarices de Ricardo Salgado no BES e, se algum outro banco falir, continuará a ser o tuga a receber a conta e a nota de encargos. Nem o governo reage, nem a justiça actua, apesar de as vigarices serem visíveis e confirmadas por auditorias independentes.  O tuga  "Come  e Cala". 
Um dia destes talvez acorde e dê uns coices mas, se esse dia chegar, será demasiado tarde. As  contas estarão no zero,  os cofres dos bancos vazios e banqueiros e os governantes responsáveis por este regabofe  estarão a gozar a reforma com o guito que avisadamente depositaram em off shores, a conselho dos banqueiros. Livre de impostos e a coberto de quaisquer  incómodos.

Post com dedicatória

Este post é especialmente dedicado àqueles idiotas que, sob anonimato, enchem as caixas de comentários a dizer que sou socrático.
Nunca aqui defendi a inocência de Sócrates. Insurgi-me, sim, contra a forma kafkiana como o processo tem decorrido desde a detenção do ex-primeiro ministro. Em causa está a liberdade de cada um de nós e o perigo de neste país o comportamento dos agentes da justiça não pode ser escrutinado.
Não quero viver num país onde os banqueiros não são presos, apesar de se acumularem provas dos seus crimes,  mas um ex-político pode ser preso para investigar eventuais crimes, porque um qualquer procurador ou juiz tem contas a ajustar ou não simpatiza com a cor política do visado.
O que este homem assumidamente de direita aqui escreve, em nada difere do que tenho aqui escrito. A justiça não está acima de qualquer suspeita e, por estes dias, as suspeitas de arbitrariedade são imensas. Ora leiam, s.f.f.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Apesar de um dos possíveis candidatos a Belém ser o chefe dos guardas prisionais

Volto à entrevista de Marine Le Pen ao “Expresso” . Para quem não leu, aqui ficam as palavras de nós a líder da FN . Apesar de considerar Durão Barroso o chefe dos guardas prisionais da União Europeia, tem boa opinião dos portugueses :
“ Os portugueses são meus amigos e eu gosto deles. Tiveram uma educação com valores tradicionais, de respeito, são trabalhadores, é gente de valor e é por isso natural que me apoiem.  São respeitadores das leis francesas e do nosso modo de vida e criticam duramente os abusadores, são mesmo mais duros e mais radicais do que eu contra os estrangeiros delinquentes, os fundamentalistas islâmicos e os que abusam do nosso generoso sistema social.” 
(sublinhado meu)
O problema é que o retrato que  Le Pen traça dos portugueses é bastante real e confirma o ditado “ Não sirvas a quem serviu, não peças a quem pediu”.

Reflexões à volta de um cofre



Passos Coelho indignou-se porque a oposição reagiu mal à rábula de Maria Luís Albuquerque sobre os cofres cheios. 
Não me espanta. Para além de ser bonita esta cumplicidade entre professora e aluno, é louvável que Passos reconheça que mais vale ser caloteiro do que ter os cofres vazios.
Gostaria, no entanto, de perguntar a PPC como reagiria ele se tivesse emprestado uma determinada quantia a um amigo, com a promessa de que lhe seria devolvida  três anos depois. 
Se, volvido esse prazo, Passos Coelho  fosse reclamar a devolução do dinheiro, reagiria com um aplauso concordante se o amigo lhe dissesse  Eh pá, agora não posso pagar. Tenho o cofre cheio de dinheiro, mas está guardado para alguma eventualidade. (?)
Ora foi isso que o governo fez aos portugueses, com a diferença de que não pediu dinheiro emprestado. Roubou-o, como qualquer meliante protegido pela polícia.  E fê-lo  com requintes de malvadez. 
Começou por  cativar a simpatia dos tugas, prometendo que não vinha roubar mas apenas proteger os seus cofres. Assim que se viu diante do pote, apontou-lhes a arma e disse:
- “Desamparem a loja, ponham-se a milhas. Aos  que insistirem em ficar, vou roubar o 13º mês, o subsídio de férias e uma percentagem dos salários”.
Muitos partiram. Outros submeteram-se às exigências do ladrão, que entretanto lhes prometeu que devolveria o dinheiro no prazo de três anos, depois de resolver uns problemas de liquidez.  Outros ainda foram liminarmente expulsos, ficando dependentes da solidariedade de algumas instituições. 
Ao fim de quatro anos,  Passos Coelho diz-lhes:
“ Eh pá, tenho os cofres cheios, mas preciso do dinheiro para qualquer eventualidade. Os tipos a quem  prometi que só roubaria durante três anos que se desenrasquem.”
Passos Coelho nunca perceberá que está a roubar os portugueses, enquanto assume dívidas de bancos e de empresários que mais tarde ou mais cedo terão de ser pagos pelos contribuintes. 
É normal. A maioria dos  ladrões, caloteiros e trafulhas,  nunca reconhecem a sua condição e encontram sempre razões que a justifiquem. Passos Coelho e a professora  têm as suas.
Eu também tenho sobejas razões para não acreditar nele e  reagir à pesporrência  do homem que me assaltou o cofre. Na impossibilidade de lhe dar o que merece, vou socorrer-me da única arma que tenho: a do voto. 
Lamento é que muitos portugueses prefiram dar-lhe uma segunda oportunidade, para ver se se redime. Desenganem-se. PPC não tem remissão. Há-de morrer assim. 

Em tempo: Aviso aos comentadores anónimos que vêm para aqui comparar este roubo com o caso Sócrates. Não misturem o que não se pode misturar. Ao que sei, até agora, as suspeitas  que pendem  sobre Sócrates restringem-se à sua esfera privada e não afectaram a minha vida pessoal. Pelo menos, não me apercebi que as minhas poupanças tivessem levado um rombo.
Já de Passos Coelho posso dizer que, além de não cumprir os seus deveres contributivos e fiscais, me roubou alguns milhares de euros durante estes quatro anos.

Para memória futura

Em Israel todas as sondagens vaticinavam ma vitória clara da esquerda. No dia das eleições os israelitas mudaram de opinião e deram uma vitória larga a Bibi. Determinante para a viragem, terá sido a declaração de Bibi, na antevéspera do acto eleitoral, de que nunca admitiria a criação de um estado palestiniano. Embora Israel esteja mergulhado numa grave crise económica, na hora da verdade, os israelitas terão pensado que a garantia dada por Bibi lhes daria mais segurança e estabilidade.
Em França as sondagens davam uma vitória a Marine Le Pen. Ganhou o partido de Sarkozy com uma vantagem confortável ( cerca de 10 pontos à frente da extrema direita). O PSF, como se esperava,foi o grande derrotado.
Também aqui os franceses terão pensado que entre um voto de ruptura com os partidos tradicionais e um voto de protesto contra as políticas de Hollande, seria mais seguro votar nu partido que já conhecem, do que numa força de extrema direita cujas verdadeiras intenções desconhecem, mas pode ameaçar a estabilidade em França e na Europa.
Onde as sondagens não se enganaram, foi em Espanha. Nas eleições autonómicas da Andaluzia, o PSOE venceu com o mesmo número de deputados de  2012 e o PP foi a segunda força mais votada.Não deixa de ser surpreendente, porém, que na região mais pobre de Espanha, onde o desemprego ultrapassa os 30% ( muito acima da média do país), o PSOE tenha ganho folgadamente. A aliança com o Ciudadanos, um movimento recente que juntamente com o PODEMOS ameaça alterar o panorama político espanhol, parec ser a mais viável e, o modo como decorrer a aliança entre estes dois partidos poderá ser determinante para as eleições nacionais que decorrerão no Outono. A entrada em cena do Ciudadanos pode esvaziar o balão PODEMOS e criar condições para uma coligação com um novo actor no governo espanhol.
O que se pode inferir do resultado destas três eleições, quando os comparamos com as sondagens, é que na generalidade dos países europeus os eleitores têm muito medo de mudanças radicais e optam pela estabilidade política, mesmo quando as condições económicas são adversas.A única excepção é a Grécia.
António Costa não deixará de analisar estes resultados e daí tirar as suas ilações. A actual maioria também não. Uma boa dose de demagogia, aliada a meia dúzia de medidas que façam os eleitores tugas acreditar que mais vale apostar na continuidade, do que entregar os destinos do país aos socialistas, apontados como os coveiros do país, poderão dar a este governo um mandato de mais quatro anos, 
É aterrador pensar nisso? É. Mas também parece ser uma hipótese cada vez menos inverosímil.
O PS que se cuide.

Coimbra (ainda) é uma lição

Na  próxima terça feira comemora-se o Dia do Estudante.
A maioria das associações de estudantes, fazendo tábua rasa dos cortes no ensino superior, que põem em risco o funcionamento de algumas universidades, aceitaram o convite de Passos Coelho e vão assinalar o dia com um almoço na companhia do seu carrasco. Basta a promessa de uma  selfie com o pm para muitos estudantes esquecerem as suas reivindicações.
Quem não se deixou seduzir por uma fatia de carne assada e uns copos de carrascão foi a Associação Académica de Coimbra que se recusou a ficar na fotografia para promoção eleitoral de Passos.