sábado, 21 de outubro de 2017

Perguntar não ofende...

Como era expectável, a manifestação silenciosa de hoje em Lisboa não era mais do que um pretexto para que um grupo de arruaceiros manifestasse a sua raiva contra este governo.
O vestuário, os trejeitos, o sotaque afectado dos entrevistados nas televisões, denunciavam que aquelas dezenas de pessoas pertenciam a uma élite. Ainda bem que um canal de televisão entrevistou um tipo que eu conheço de ginjeira. É amigo de longa data de PPC, pertence a um grupo de retornados ressabiados que anda sempre a conspirar. É um dos muitos deserdados do governo Pafioso que, tal como PPC, nunca fez nada na vida. Empregou-se no PSD e, quando não está no governo, é avençado da cunha. 
 Confirmada  a massa de que era feita a turba que foi ao Terreiro do Paço, faço apenas uma pergunta: porque é que os silenciosos, em vez de se  manifestarem por aí sem qualquer utilidade, a não ser provocar arruaças, não vão ajudar as vítimas dos incêndios a reconstruir as suas casas, ou visitar os feridos  aos hospitais e deixar- lhes uma palavra de conforto?
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Lição da semana

Mesmo que a razão esteja toda do teu lado e todas as provas o confirmem,  nunca uses a  teimosia como argumento. Recorre ao diálogo, mostra humildade e, se for preciso, pede desculpas. É isso que as pessoas gostam  e, mais tarde do que cedo, acabarão por te dar razão.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXIX)

E se ela não se chamar Caroline, de certeza que também é sweet. Por isso divirtam-se e tenham um excelente fim de semana. Boa noite

O Cinquentenário

Faz hoje 50 anos, um jovem deixou a casa dos pais e veio para Lisboa estudar. Trazia a cabeça povoada de sonhos e a certeza de que nunca seria advogado, apesar de estar inscrito na Faculdade de Direito.
Trazia na bagagem o entusiasmo de quem se ia tornar independente a muito breve prazo e que de Lisboa partiria para percorrer o mundo.
Cumpriu-se a sua vontade e o seu destino. Cinquenta anos depois, o jovem percorreu os caminhos que tinha traçado. Embora não tenha tido oportunidade de os explorar a todos como pretendia,  tem a convicção de que soube viver a vida e a aproveitou na plenitude. Nada tem para lamentar no dia em que o seu prazo de validade expirar. Isso é suficiente para ser feliz e encarar a morte com naturalidade. Como mais um capítulo da sua (não) existência.


Street Food



Ainda sou do tempo em que havia arraiais. Para quem não sabe, arraiais eram bailaricos em que havia roulottes ou tendas onde se vendiam couratos, cachorros, bifanas e outras iguarias ricas em gordura, cozinhadas em condições de higiene muito duvidosas. Juntavam-se uns putos a vender rifas para uma obra social, convidava-se um artista para animar  a malta, bebiam-se umas bejecas e estava feito.
Hoje em dia, organizam-se umas manifestações ao ar livre  onde há uns entretenimentos para putos, umas barracas de venda de produtos de artesanato e outras de  associações que organizam peditórios e vendem alguns produtos mais ou menos imprestáveis. Nestas manifestações,  as comidas continuam a ser confecionadas em condições  de higiene muito duvidosas mas, como existe a ASAE e  as roulottes e tendas foram substituídas por veículos retro,  triciclos ou outros veículos muita giros, as pessoas confundem aquilo com comida gourmet e chamam-lhe Street Food.
Se é para continuar a vender lixo alimentar, não precisam de usar anglicismos

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXVIII)

Tal como diz o King, não precisam de se incomodar.
Boa noite

Aparições

Agora, que já apareceram as armas de Tancos, só falta aparecer o relatório que o Expresso inventou!Estará em casa de Balsemão?

A ver a banda passar!



Um tipo faz uma queimada (proibida por lei). As condições atmosféricas provocam a propagação da chama, daí resultando um incêndio de grandes proporções. De quem é a culpa? Da ministra, obviamente.
Um condutor deita uma beata acesa pela janela. O calor propicia uma ignição rápida, o incêndio deflagra em segundos, as labaredas ceifam vidas e destroem casas. De quem é a culpa? Da ministra, obviamente.
Está um dia de calor insuportável. A jovem está no jardim e não resiste a banhar-se no lago, ignorando os avisos de proibição que estão por todo o lado. Ao final do dia começa a vomitar, é levada para o hospital e morre. De quem é a culpa? Do ministro da saúde, obviamente
Uma criança  queixa-se do calor que está na piscina, reclama aos pais que o levem para casa, os pais mandam-no calar, a criança vai para junto da piscina, os pais continuam a conversar com os amigos, a criança cai à água e  morre afogada. De quem é a culpa? Da falta de fiscalização, obviamente
A família colocou o guarda sol por baixo de umas arribas, indiferente aos avisos de perigo. Uma pedra cai e mata uma criança. De quem é a culpa? De quem não fechou a praia, obviamente.
Um tipo entra na auto estrada em contramão. Choca com outro automóvel. Morre. De quem é a culpa? Da Junta Autónoma das Estradas, obviamente.
Um tipo enebriado pela febre consumista endivida-se, assumindo compromissos que não pode cumprir. Fica numa situação económica insuportável. De quem é a culpa? De um ministro, ou dos bancos. DELE é que não é de certeza.
O filho de 14 anos é  alimentado a fast food durante a semana e a shots nas noites de fim de semana. Chega a casa de madrugada bêbado,  está gordíssimo, sofre de diabetes, tem problemas cardíacos, não consegue concentrar-se nas aulas. De quem é a culpa? Do sistema de ensino.
Uma senhora escorrega num cocó de cão, parte uma perna e vai para o hospital. De quem é a culpa? Da Câmara que não limpou.
As pessoas vão para os jardins, parques públicos  e matas fazer piqueniques e não só não limpam a porcaria que fazem, como ainda deitam dejectos, restos  de comida e garrafas para o lago onde andam os patos e as fontes onde alguns se banham.  Chega um turista, vê aquela porcaria toda, comenta estes portugueses são uns porcos. Logo um tuga, indignado, se levanta e responde: Não, não! A culpa é da Câmara que não tem aqui vigilantes, nem limpa a porcaria dos jardins.
Um tipo ateia um incêndio porque é maluquinho, ou porque foi pago por alguém para o fazer. De quem é a culpa? Da ministra, obviamente!

Somos uma Nação com quase 900 anos, mas o povo que habita este rectângulo não consegue ultrapassar a idade mental de 9.  Além de irresponsável, nunca assume a culpa dos seus actos. Há-de sempre apontar o dedo acusador a uma qualquer pessoa ou entidade, como escudo da sua incúria.
É altura de os portugueses  saberem comportar-se com civismo e assumirem as suas responsabilidades. CRESÇAM, PORRA! Por uma vez na vida, assumam as vossas responsabilidades em vez de perderem tempo a encontrar culpados.
Reconheça-se, porém, que numa coisa se pode apontar o dedo ao Estado: não ter coragem de obrigar as pessoas a comportarem-se com civismo, respeitando as leis e regulamentos e optar pelo eterno "deixa andar" dos brandos costumes de um país cujo povo tem como desporto favorito, A ver a banda passar.

De quem é a culpa?



Costumo dizer que num divórcio há sempre dois culpados.
O divórcio de Marcelo e  Costa não é excepção.
Sendo ambos inteligentes, Marcelo é o parceiro de afectos  que publicamente manifesta a sua  fidelidade, mas que em privado tem uma amante.  
António Costa casou por interesse. Procura cimentar o casamento que fez sem amor mas, como é superteimoso, esgotou a paciência do parceiro que o abandonou e se entregou nos braços da amante.
Há qualquer coisa neste divórcio que me faz lembrar a França de Hollande, mas é na fotografia que se descobre a realidade.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXVII)



Calma aí! Só porque está a chover há três dias não precisam de ser pessimistas e acreditar no que estes tipos dizem. Boa noite!

Portugal ao espelho

Quando um povo acredita que pedir desculpa alivia a consciência ou apaga os erros cometidos, está a admitir que não aspira a mais do que viver num país medíocre.

Um divórcio anunciado


Eu escrevi várias vezes neste Rochedo que Marcelo Rebelo de Sousa iria romper com António Costa logo que Passos Coelho se pusesse ao fresco. 
O encontro com Teresa Leal Coelho no último dia de campanha eleitoral e, posteriormente, o almoço com Santana Lopes, foram sinais evidentes de que Marcelo estava prestes a romper com António Costa e já tinha aberto as portas do recreio para fazer as suas habituais traquinices.
Ficou provado a quem tivesse dúvidas  ( eu nunca as tive) que Marcelo nunca despiu a camisola laranja e as suas deambulações dos afectos pelo país são apenas uma faceta do seu egocentrismo.
Com o discurso de ontem à noite, MRS quis mostrar aos seus que nunca os abandonou. A dureza das suas palavras abriu uma crise política.
 Não deixa de ser curioso que um PR que sempre recusou crises e pediu estabilidade política, tenha sido o detonador dessa mesma crise. 
Alguns manifestarão o seu regozijo pela demissão da ministra mas, no fundo, todos sabem que não é uma mudança de caras que vai resolver o problema dos incêndios.
Segue-se uma moção de censura. Tendo em consideração que por estes dias se discute o OE, conclui-se que vem na melhor altura para Costa e na pior para BE e PCP. Nem é preciso explicar porquê, pois não?
Espero que todos estejam à altura do desafio que MRS lhes lançou. Ou o governo sai mais fortalecido e tem apoio da esquerda sem tibiezas, ou a geringonça desconjunta-se e, em pouco tempo, os seus destroços juntar-se-ão às cinzas dos incêndios.

Porque não te calas?




Com a lata, falta de vergonha e pudor que lhe são conhecidas, Passos Coelho veio pedir a demissão de António Costa.
O cobardolas  que  se escudou atrás da troika para  tomar medidas que separaram famílias,empobreceram os portugueses e mataram alguns à fome, vem dizer que António Costa não tem condições para continuar.
O javardo que inventou suicídios em Pedrógão, cortou salários e pensões depois de ter jurado que nunca o faria, vendeu o nosso património sem qualquer critério ou estratégia, vem dizer que António Costa já não merece a confiança dos portugueses. 
 É preciso não ter um pingo de dignidade na puta da vida para, depois de ter destruído o país, vir pedir a demissão de um primeiro ministro que devolveu a dignidade aos portugueses que trabalham ou vivem das suas pensões.
CALA-TE, PAL... Ou melhor. Continua  a falar, a dizer essas parvoíces porque estás a dar uma boa ajuda à geringonça.

Xi Jinping: he has a dream!



Começa hoje o Congresso do Partido Comunista  Chinês. Xi Jinping é uma das figuras com mais autoridade na China, desde  Mao Tse Tung, tendo alicerçado o seu poder na promessa (efectiva) de combater a corrupção que ameaçava minar o partido e, quiçá, o regime. 
Os meus amigos chineses ( e também muitos portugueses) irritavam-se muito comigo quando eu dizia que a pior desgraça que poderia acontecer ao mundo, era a China tornar-se um país democrático de modelo ocidental.
Xi Jinping pensa da mesma maneira e pretende que em 2049 a China se torne uma nação ainda mais rica e poderosa, com uma sociedade moderna e próspera onde a pobreza esteja erradicada, mas seguindo o seu próprio modelo. 
Tenho profundo respeito e admiração pela milenar cultura chinesa e é com muito orgulho que sou padrinho de casamento de amigos chineses, de cujas uniões resultaram frutos de que sou padrinho. Tenho assistido com muito interesse e algum enlevo à modernização da China, conseguida sem abdicar da sua identidade e cultura e  rejeitando subordinar-se ao modelo ocidental made in USA.
Esse é o desafio que Xi Jinping quer concretizar, sem grandes sobressaltos. Para tal, irá tentar quebrar várias regras de sucessão do poder, entre as quais a de que ao fim de 10 anos terá de abandonar o cargo. 
Dentro de dias ( não é possível dizer exactamente quando, porque os Congressos do PCC têm data de início marcada, mas não data de encerramento), saberemos se da reunião magna do Palácio do Povo na Praça de Tian An Men sai fumo branco para um sucessor de Xi em 2022, ou se há indícios de que o seu mandato se pode prolongar, quebrando assim as regras estabelecidas pelos cânones de Pequim.




terça-feira, 17 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXVI)

Os Middle of the Road numa canção dos anos 70, mas ainda muito sixties. Espero que se divirtam a ver o video. Boa noite

Frida e outras histórias




Em Setembro, após  um dos  terramotos que abalaram o México,  a  cadeia de televisão Televisa noticiou a existência de uma menina  que estava debaixo dos escombros  de uma escola. Chamava-se Frida Sofia. Uma jornalista conseguiu falar com a menina  e ouvir-lhe o choro. Outros, de jornais locais, ouviram-na pedir água e outro ainda viu a criança mexer um bracinho a pedir socorro. A Marinha mexicana identificou Frida Sofia como sendo uma criança de 12 anos que não morrera durante o abalo, porque se escondera debaixo de uma mesa de granito. 
 O México inteiro emocionou-se com a história. Brigadas de salvamento  foram deslocadas para o local e desdobraram-se em esforços para salvar Frida Sofia. A comunicação social noticiou que os bombeiros tinham conseguido, com uma mangueira, dar água à menina. 
A CNN  acrescentou que entrara em contacto com Frida Sofia e a criança dissera que tinha  mais crianças junto dela, à espera de serem salvas  O suspense durou dois dias.  O México ficou colado aos  televisores, emocionado, durante dois dias. 
Até se perceber que a história era falsa. Não havia criança nenhuma sob os escombros. A notícia foi dada inicialmente pela Marinha, baseada em testemunhos de socorristas e populares... 
A Televisa baptizou a menina de Frida Sofia e continuou a alimentar a história, enquanto pôde,  mesmo depois de a Marinha a ter desmentido. As audiências justificavam que a história não morresse tão depressa.
Por cá, foi noticiada a morte de um bebé de um mês durante os incêndios de domingo. A Protecção Civil, baseada em testemunhos populares, confirmou a morte, mas   o CDOS de Coimbra ( onde teria entrado o cadáver) não confirma.
Se bem se lembram, durante o incêndio de Pedrógão, também foi noticiada a queda de um Canadair espanhol e a morte do piloto. Quatro meses depois ambos se encontram bem. Porque nunca existiram.
Onde quero chegar com isto? A lado nenhum. Apenas à constatação de que hoje é preciso estar muito atento para destrinçar o que é notícia do que é telenovela ou reality show.

Animais de companhia




Toda a gente sabe que adoro animais e sempre aplaudi a legislação que  deixou de os considerar coisas, ou a que pune os donos que infligem maus tratos a animais ou os abandonam. Também ficaria muito satisfeito se fossem melhoradas as condições de transporte dos animais que vão para abate, bem como as condições em que  sobrevivem nos aviários, para acabarem nos nossos pratos .
No entanto, esta proposta de lei que permite a entrada de animais em restaurantes parece-me descabida, por várias razões. Uma delas é não estar definido na Lei o que são animais de companhia (  tenho um amigo que anda com um pequeno sagui para todo o lado e sei quem tem coelhos e até pequenas cobaias que, como todos sabem, são dos animais mais porcos à face da terra) Há outra ainda mais importante: os proprietários dos animais que desrespeitam os outros clientes.
Ainda no último Verão  tive um quiproquo no Hotel da Paraia Verde, porque um cliente ia para a sala do pequeno almoço com um cão monstruoso que se esforçava por ficar sossegado, mas era muito "falador" e passava o tempo todo a ladrar, a ganir e a abanar-se.
Eu não vou de férias para ser importunado com pêlos de cães e gatos, por isso, espero que  hotéis e restaurantes passem a informar nos seus sites se aceitam cães. É que talvez os autores da proposta não saibam o que significa " contaminação cruzada", mas eu explico: o simples abanar da cauda de um cão pode não só lançar pêlos para as mesas vizinhas, como contaminar comida. Se gostam de comer em pocilgas e a higiene não vos preocupa,  nada contra mas, por favor,  não obriguem os outros a partilhar a vossa manjedoura.
E não me venham com a treta de que a regulamentação da Lei prevê a punição dos infractores. Todos os dias vejo montanhas de cocós nas ruas e nos jardins onde brincam crianças e nunca vi ninguém ser multado por não limpar o cocó do seu cão. 
Já agora, sugiro que ouçam os comentários dos turistas que passeiam no paredão Cascais- Azarujinha, quando vêem os montes de cocós espalhados ao longo daqueles três quilómetros. 
Pelos direitos dos animais vou onde quiserem, mas não tenho pachorra para este peditório. 
Os senhores deputados que apresentam propostas que colocam em causa a saúde pública deviam, pura e simplesmente, perder o mandato. 
Finalmente, com a devida vénia, replico as perguntas colocadas por este nosso amigo Acrescento apenas mais uma. E porque não autorizar a entrada de animais nos hospitais, incluindo os blocos operatórios?

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXV)


Eu também gostava, por isso, deixo este desafio para início de semana: quais são os vossos contributos para que isto possa acontecer?
Boa noite e boa semana.

E mais Pedrógãos virão...




Quem acredita que nos próximos anos não haverá mais Pedrógãos, ou vive na Lua, ou é ignorante.
Há 30 anos que sabíamos que os incêndios iriam ser uma calamidade em Portugal. Mas também em toda a Península Ibérica, na Califórnia, na Austrália e na América do Sul ( especialmente no Chile). Pode dizer-se, com razão, que o Estado devia ter aplicado medidas preventivas que atenuassem os efeitos dos incêndios, até porque já tínhamos sido avisados pelo menos duas vezes este século de que os incêndios tinham tendência a tornar-se mais devastadores. A verdade é que pelo menos na Califórnia e na Austrália foram tomadas medidas e as notícias e imagens que ainda hoje chegam da Califórnia são aterradoras. 
Podem continuar a pedir a cabeça da ministra como troféu, ou exigir a demissão do governo, mas novos Pedrógãos são inevitáveis porque as alterações climáticas criam condições favoráveis a ocorrências aparentemente inexplicáveis. Escrevi dezenas de artigos sobre este assunto e não terei sido o único a não me surpreender com a tragédia de Pedrógão. Surpreende-me mais que haja pessoas a exigir a demissão da ministra, como se o problema se resolvesse com mudança de rostos ou de cadeiras, quando em causa estão catástrofes naturais.
Os inúmeros testemunhos de populares, ouvidos ao longo do dia, afiançam que nunca foram vistas condições atmosféricas como as verificadas durante os incêndios de ontem.  
Para desgosto dos mais cépticos e dos que gostam de fazer aproveitamento político das catástrofes, estes testemunhos e a realidade confirmam que, pelo menos desde Pedrógão, são conhecidas e experienciadas as alterações climáticas que afectam Portugal e propiciam a rápida propagação das chamas.
Esse reconhecimento não invalida, porém,  que acredite na possibilidade  de reduzir o número de incêndios. Não acredito é que isso seja possível com brandos costumes.
Enquanto incendiários apanhados em flagrante continuarem a ser mandados em paz, ou a serem punidos  com penas ridículas (quase sempre suspensas);
Enquanto as autoridades continuarem a fechar os olhos a quem faz queimadas;
Enquanto não forem proibidos os foguetes e fogos de artifício em tudo quanto é romaria, durante os meses de Verão;
Enquanto não forem punidas severamente as faltas de civismo dos condutores, propiciadoras de provocar ignições;
Enquanto não se repensar a Floresta e o Ordenamento do Território;
Enquanto os partidos políticos continuarem a usar os incêndios como arma de arremesso político, em vez de se porem  de acordo sobre as medidas essenciais e urgentes que são necessárias para diminuir o risco de incêndios ( repensar a Floresta, o Ordenamento do Território, a política dos baldios e um conjunto alargado de penas dissuasoras para comportamentos cívicos que funcionam como ignição de incêndios);
Enquanto as estradas florestais continuarem a ser caminhos de cabras destinados apenas a veículos todo terreno;
Enquanto não houver coragem de combater as mafias dos fogos;
Enquanto continuarmos a ser este maldito país de Brandos Costumes, onde proliferam os irresponsáveis e egoístas, os incêndios continuarão a consumir o país e os nossos recursos naturais. 
Tudo isto, aliado à incontornável questão das alterações climáticas ( que muitos continuam a negar, apesar das evidências ) contribuirá para destruir o nosso património Natural.
 Sem medidas drásticas, mais incêndios hão-de vir, o país continuará a arder e toda a gente a lamentar o horror,  mas nada impedirá que novos Pedrógãos ocorram. Parafraseando Marcelo Rebelo de Sousa, diria que chega de conversa e de apontar dedos a potenciais culpados. É altura de mudarmos de vida, antes que as alterações climáticas acabem com ela neste rectângulo à beira mar plantado.
Não há nada a fazer por quem não perceba isso. A não ser perguntar-lhes se  dão razão  aos galegos que nos estão a culpar dos incêndios  que devastam a Galiza.
Uma vez que não vejo os povos desses países a pedirem a demissão de nenhum ministro palpita-me que, não tarda nada, ainda alguém  vai culpar o governo dos incêndios na Califórnia, no Chile ou na  Austrália.
Nessa altura, Constança Urbano de Sousa demite-se ou será demitida e os ministros da Administração Interna desses países permanecerão nos seus lugares, porque já foi encontrado um culpado. Para gáudio de Assunção Cristas e pafiosos similares. 

Expliquem-me como se eu fosse muito burro

Não vou pronunciar-me mais sobre a Operação Marquês. Apenas gostaria que alguém me explicasse a razão de todos os processos relacionados com o BPN terem sido arquivados por decisão do MP.  

Caderneta de cromos (61)



Daniel Bessa  foi, durante seis meses, ministro da economia  de António Guterres.
Eu não percebo nada de economia mas - diz quem sabe-  Daniel Bessa foi um ministro medíocre  que não deixou obra feita e  só aceitou ser ministro do PS para enriquecer o currículo.
Desde que abandonou o governo, em 1996, tem-se especializado em dar entrevistas a tecer fortes críticas a todos os governos e aos seus sucessores no cargo. Já se torna repetitivo o seu slogan " se fosse eu faria muito melhor".
Em sexta-feira 13, Daniel Bessa deu uma entrevista ao Público onde voltou a insistir que, se estivesse no governo  faria muito melhor e o défice seria, no máximo, ZERO!  E como o faria? Não aumentando salários nem reformas, nem dinamizando o consumo. Apenas dando estímulos às empresas.
Ora porra, Daniel! Essa receita já nós experimentámos durante quatro anos e não gostámos, por isso, vais direitinho para a caderneta de cromos. Mas não levas cola!  Quem te quiser fixar na caderneta terá de cuspir nas costas do teu cromo.
É que  tipos que gostam de armar ao pingarelho, mas não têm obra feita, sempre me provocaram um certo asco.

domingo, 15 de outubro de 2017

A culpa é da ministra, obviamente...

É incontornável falar sobre o terrível dia de hoje, o pior dia de incêndios do ano. 
 Ao constatar que dos 430 incêndios do dia, cerca de  um quarto se iniciou durante a noite e madrugada, não é preciso ser muito perspicaz para perceber que muitos deles foram provocados por mão criminosa. Normal, por isso, que muitos lamentem a brandura da justiça com os incendiários. Eu sou um deles e defendo, sem qualquer rebuço, que um incendiário seja condenado a pena máxima de 25 anos sem possibilidade de libertação antes de cumprido o prazo.  
No entanto, é óbvio que a maioria dos incêndios não se deve a mão criminosa. Deve-se à irresponsabilidade popular. Há muita negligência e irresponsabilidade. Apesar da temperatura sufocante deste fim de semana, eu vi  gente a fazer queimadas e a lançar "beatas" pelas janelas dos  carros. 
É fácil responsabilizar  a  Protecção Civil pela catástrofe , exigir a demissão da ministra e até de todo o governo. Difícil é aceitar que cada um de nós é culpado pelo que está a acontecer. Enquanto não houver consciência cívica, continuaremos a ver o país a arder. E, claro, a apontar o dedo a quem estiver de serviço no governo, independentemente da cor política.
Amanhã voltarei ao assunto mas, por agora, recordo os interessados, os posts que já escrevi sobre este assunto. Basta seguir este link

Dia do Postal Ilustrado (74)


Sintra em data que não consegui decifrar