domingo, 1 de maio de 2016

Há coisas fantásticas, não há?

Desculpem recorrer a esta fonte, mas não encontrei a notícia em nenhum jornal

Dia da Mãe

No meu tempo o Dia da Mãe  comemorava-se no dia 8 de Dezembro. Parecia-me uma data adequada, mas a sociedade de consumo não esteve pelos ajustes e o Dia da Mãe passou a assinalar-se no 1º domingo de Maio. 
A minha mãe recusou obedecer à moda e aos apelos do consumismo e decretou que o Dia da Mãe para ela seria sempre o dia 8 de Dezembro. E assim foi, até ela falecer ano passado.
Este ano, se fosse viva, ao constatar que o Dia da Mãe coincidia com o Dia do Trabalhador talvez tivesse uma das suas reacções mal humoradas.
Já agora, gostaria que alguém me explicasse a razão de o Dia da Mãe ser móvel e o Dia do Pai se assinalar em data certa. ( Dia 19 de Março, dia de S.José).

Os domingos já não são o que eram...

Mudam-se os tempos, mudam-se os pecados.
Ainda sou do tempo em que os padres garantiam nas suas homilias que domingo era dia de descanso e, salvo raras excepções, era pecado trabalhar.
Igreja também já não é o que era e aquela ideia de dar a outra face caiu em desuso.
Mas o cúmulo da ironia é o Dia do Trabalhador assinalar-se a um domingo.
O mundo está mesmo do avesso!

sábado, 30 de abril de 2016

Dia do Postal Ilustrado

Não sei se já existe algum Dia do Postal Ilustrado mas, se não existe, declaro solenemente que a partir de hoje passa a existir. Aqui no CR. Não uma vez por ano, mas uma vez por semana. Ou, pelo menos,  uma vez por mês.
É que por causa disto e disto vieram-me à memória recordações antigas e fui ao meu baú repescar postais enviados por amigos e familiares, mesmo antes  de eu saber ler. É o caso deste, por exemplo, de 1953, tinha eu apenas 4 anos!

sexta-feira, 29 de abril de 2016

11º Mandamento: Não interferirás nos negócios (dos mensageiros) de Deus



Apesar do nome de corredor de automóveis, Emiliano Fittipaldi não conduz um Fórmula1, nem consta que participe em corridas de automóveis.  
Este jornalista italiano procura outras pistas. As que devolvam ao jornalismo de investigação a qualidade e o reconhecimento público.
Há já alguns anos que escreve sobre o Vaticano na  revista L'Espresso, mas a  sua investigação sobre os negócios escuros tem sido tão vasta e aprofundada, que Emiliano Fittipaldi acabou por escrever um livro sobre o submundo financeiro com sede na praça de S. Pedro.
O autor define "Avareza" como "um mapa da corrupção no Vaticano". Na entrevista à "Visão" desta semana, Fittipaldi  fala sobre alguns dos podres que revela no livro:
O dinheiro dos fiéis que devia ser para os pobres é investido em acções e imobiliário;
Há cardeais que vivem num luxo aviltante. Apartamentos de 40 m2, pedófilo que paga 50 mil euros mensais a uma secretária; verbas destinadas a hospitais desviadas para obras de restauro nas suas residências.
Para aperitivo, já não é mau. Mas fique também a saber que as beatificações são pagas a peso de ouro ( percebe agora  a razão de não haver santos pretos?) leia outras revelações que Fittipaldi faz na entrevista à Visão, e vai certamente ficar com vontade de ler "Avareza".
Talvez alguns leitores se estejam neste momento a interrogar:
- E  como reagiu o Vaticano?
Dir-lhe-ei que é no mínimo surpreendente. A reacção da Cúria foi apresentar queixa contra Emiliano Fittipaldi por " subtracção e divulgação de documentos reservados".
Ou seja. Ninguém, no Vaticano, nega os factos. Contesta é a sua divulgação. Creio que o Papa Francisco, sempre pronto a criticar alguns comportamentos e vícios dos membros do Vaticano e da Igreja em geral, ficou muito mal na fotografia, ao pedir a condenação do mensageiro e se remeter ao silêncio quanto à conduta dos membros da Cúria. 
 Está a chegar a hora de a Igreja propor um novo mandamento:
" Não interferirás nos negócios ( dos mensageiros) de Deus".

Estas coisas chateiam-me, pá!




Já aqui escrevi que  me encanita ter de pagar a modernização dos táxis e manifestei o meu desagrado pela  decisão  do governo dar aos taxistas entre 17 e 20 milhões de euros para  calar os protestos contra a UBER modernização das viaturas.
Não é atirando dinheiro para cima dos problemas que eles se resolvem. E, como a greve de hoje demonstra, se a ideia do governo era calar os taxistas, a medida falhou rotundamente.
Não me custa admitir que os taxistas tenham razão quando dizem que a UBER está a fazer concorrência desleal, mas espero que alguém lhes explique que o mundo está a mudar mais vertiginosamente do que na época em que os taxistas motorizados substituíram os cocheiros.
Não será proibindo a UBER que os problemas concorrenciais que os taxistas enfrentam vão ser resolvidos. Se a UBER for ilegalizada, outras plataformas  irão aparecer.
Não tenho a veleidade de dizer qual o caminho certo para resolver este intrincado problema, mas tenho a certeza que não é ilegalizando a UBER, nem atirando dinheiro para cima dos taxistas, que se resolvem os problemas.  A UBER está a aproveitar um vazio legal para operar em 600 cidades? Talvez. Mas, se assim for, o que os governos devem fazer é enquadrar legalmente a actividade, de molde a que ela seja compatível com a dos taxistas.
O problema, é que a evolução tecnológica tem sido tão célere, que os governos não conseguem acompanhar as mudanças a nível legislativo.
Mesmo que haja concorrência desleal, como argumentam os taxistas, não me parece boa ideia ilegalizar uma actividade ( a UBER) que beneficia os consumidores. 
 Os taxistas não perceberam - ou não querem perceber - as mudanças e decidiram fazer chantagem. Estão no seu direito, mas eu também tenho direito de pedir ao governo que retire os 20 milhões que lhes tinha destinado para modernização das viaturas, porque não irá resolver a falta de qualidade do serviço prestado pelos taxistas. A modernização fundamental passa pelos recursos humanos e não pelas viaturas.
Chateia-me, por isso, que o governo dê esta verba a uma classe profissional que recusa ver o óbvio, mas  tem poder para paralisar uma cidade, e simultaneamente alegue que não pode repor os passes 4-18 e sub 23, para todos os jovens, porque a medida custaria 20 milhões de euros.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

É este o jornalismo a que temos direito?



Pouco me interessa que o director de campanha de Passos  Coelho tenha sido apanhado na operação Lava Jato, se tem negócios escuros, é pedófilo ou homossexual.
Foi pago  para fazer a campanha eleitoral do PSD? Foi. Mas é crime alguém pagar a quem lhe faz o trabalho de que necessita?
A notícia associa o empresário brasileiro a Passos Coelho, Relvas e Marco António Costa. OK. Mas algum deles está associado aos "crimes" de que André Gustavo estará acusado?
Eu considero Passos Coelho, Relvas e Marco António Costa produtos de esgoto da vida política tuga mas, ao contrário do que se insinua na notícia, não faço associações descabeladas só porque A é amigo de B ou tem negócios com C. É por isso que também considero nojentas as notícias que durante meses foram publicadas sobre Sócrates, pretendendo incrimina-lo antes de ser julgado.
No entanto, como não sou hipócrita, devo reconhecer que me deu algum gozo ler esta notícia. A escumalha de direita está a provar o seu próprio veneno e a conhecer, na prática, o efeito boomerang.
O que não suporto é este jornalismo de intriga que se prostitui na mira de vender mais jornais.

E depois vendem -nos que a culpa é dos antibióticos...


Pese embora o sensacionalismo que rodeia muitas destas notícias, não há dúvidas que estamos a ser envenenados por via alimentar.
Não é novidade, nem surpresa. Desde o DDT  que esse envenenamento se vem processando lentamente, como chamou a atenção Rachel Carlson  no seu livro "A Primavera Silenciosa" em 1964.
Desde o início da década de 90, com a explosão da indústria alimentar, os riscos de "envenenamento lento" têm aumentado.  Um dos maiores venenos são os transgénicos, mas nem as inúmeras vozes qualificadas que há duas décadas avisam contra os perigos desses produtos têm sido suficientes para travar a sua utilização.
A indústria alimentar, cujo máximo expoente é a Monsanto, deveria estar no banco dos réus mas, em vez disso, recebe há duas décadas apoios surpreendentes.
Em 1999, por exemplo, 170 países estiveram ( mais uma vez...) reunidos para debater as implicações do OGM na saúde humana. Contando com o apoio do Canadá, Austrália, Chile, Uruguai e Argentina ( os maiores produtores de OGM), os Estados Unidos conseguiram fazer valer a sua posição ( não inclusão nos rótulos de esclarecimento sobre a origem dos produtos, quando em causa estiverem OGM).Se quem não deve não teme, porquê esta recusa? Muito estranho, principalmente desde que duas dezenas de cientistas de diversos países constataram - através de uma experiência feita com ratos- que aqueles animais apresentaram deficiências nos seus sistemas imunitários, depois de terem sido alimentados com batatas geneticamente modificadas.
O cientista que divulgou o estudo foi despedido do laboratório onde trabalhava.( A prática de matar o mensageiro
vem de longe...)
Não é novidade o envenenamento por via alimentar, mas continua a omitir-se o envenenamento por via pulmonar, atribuindo ao tabaco e aos automóveis todas as culpas pela poluição atmosférica, mas desviando as atenções dos problemas causados por centrais nucleares, indústrias poluentes e indústria de guerra.
Estamos a ser envenenados, mas também anestesiados. Primeiro foi a sociedade de consumo em versão soft: apelo ao consumo de produtos, com saldos, promoções e outras diversões. Actualmente, com as novas tecnologias cada vez mais desenvolvidas e a comunicação em rede permanente, estão a tentar anestesiar-nos.
O lado bom da coisa é morrermos inconscientes, ou com um sentimento de culpa por termos abusado dos antibióticos*.
Sem sabermos, sequer, que os transgénicos não estão apenas nos alimentos. São utilizados também em medicamentos e até no vestuário.
* Não se trata de negar que consumimos antibióticos em demasia. O que não vale é meterem-nos medo com umas coisas e depois esconderem-nos outras, porque é preciso defender as empresas e os interesses económicos associados.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Antes que me esqueça..




( Continuação do post anterior)

Ah, é verdade, já me esquecia... Os CTT agora têm um banco.  Ontem fui ao posto  de correios de uma área de residência que não é a minha, para saber o que tinha o banco para me oferecer.    A minha senha era a número 03, mas no ecrã aparecia em atendimento a senha nº09.
Como não estava ninguém a ser atendido,  nem a atender, nos guichets do banco, dirigi-me a um balcão de atendimento geral e chamei a atenção para aquela situação estranha. A senhora ( simpática) que ouviu a minha queixa, disse que ia chamar a colega. Esperei 15 minutos até que uma funcionária ocupasse o seu posto no balcão do banco. Perguntei-lhe  quais eram os serviços financeiros que o banco disponibilizava aos clientes, nomeadamente poupança/investimento.
A senhora deu-me um flyer publicitando o banco, os depósitos à ordem e um depósito a prazo a uma taxa igual à praticada pela Caixa Geral de Depósitos.
Ainda pensei perguntar para que servia o banco dos CTT , mas o ar aflito da funcionária, temendo não saber responder a uma pergunta que eu lhe fizesse, demoveu-me. Temi que, ao fazer alguma pergunta sobre a utilidade  do banco, pudesse vir a ser confrontado, posteriormente, com um inquérito à qualidade dos serviços.
Como a avaliação não poderia ser boa, mas isso não era culpa da funcionária, receei que a sequência de uma má avaliação fosse o despedimento sumário de uma senhora que ali está a receber o seu ganha pão.
Agradeci o flyer, despedi-me com um sorriso forçado e encaminhei-me para a estação do Metro a pensar "Ainda bem que privatizaram os CTT e há um banco novo em Portugal para aumentar a  oferta."
Quando entrei no Metro, ia a cantarolar a canção dos Rio Grande (que podem escutar clicando na imagem acima) e tive saudades dos CTT. 

Viva a privatização dos CTT!


Quando Os CTT eram públicos, se  o carteiro trazia uma encomenda registada, tocava à campainha para saber se estava alguém em casa antes de deixar um postalzinho a avisar que devia passar pelo posto do correio para a levantar. Agora, o carteiro não perde tempo com essa minudência. Deixa o postalzinho e eu que vá ao posto levantar.
Quando os CTT eram públicos ia ao posto dos CTT da minha área de residência, tirava uma senha e esperava a minha vez num lugar sentado e protegido. Agora, que os CTT foram privatizados, as pessoas chegam ao posto e, se lá estiverem mais de 3 pessoas têm de esperar em pé, na rua, à chuva ou à torreira do sol. Sem senhas, numa base "first to come, first to go" que alguns chicos espertos aproveitam para boicotar.
Quando os CTT eram públicos, o posto da minha área de residência tratava de assuntos postais, vendia produtos financeiros de poupança, livros e a lotaria.
Agora, que integra esse maravilhoso mundo da iniciativa privada, o posto dos CTT da minha área de residência parece a loja do "Tem Tudo". Chamam-lhe posto multifunções, ou multisserviços, os funcionários que  estão no front desk parecem extraterrestres acabados de aterrar num planeta onde tudo lhes é estranho. Até a simples tarefa de verificar um documento, ou fazer um simples registo, é algo de sobrenatural que torna uma ida àquele serviço público explorado por privados, uma aventura irrepetível.
Só uma coisa não mudou substancialmente, excepto num pequeno pormenor. Quando eram públicos, os CTT  davam lucro. Agora, que são privados, dão ainda mais lucro. Quando eram públicos, os lucros revertiam ( supostamente) para os contribuintes. Agora, que são privados, os lucros são distribuídos lelos acionistas e pelas chefias mais eficientes ( leia-se: aquelas que conseguem despedir mais pessoal). É apenas um pequeno pormenor, mas faz toda a diferença!

Sobre a dificuldade de dar



Há tempos contei aqui a dificuldade que tive em oferecer uma boa parte dos meus livros. Pretendia oferecê-los a bibliotecas municipais, mas as dificuldades que me colocaram para os receber e o facto de só poderem recebe 5 ou 10 livros de cada vez, levaram-me a optar por outra solução que  em breve será posta em prática e irá servir a comunidade onde me insiro com mais proveito do que nas bibliotecas. Pelo menos assim o espero…
Vem este  introito a propósito  de um caso divulgado recentemente pelo Sexta às 9. O tema era  a “caridade enganosa” trouxe-me à memória  um episódio  mais recente,  que ilustra a dificuldade que é dar neste país.
Após o falecimento da minha Mãe pus à venda a minha casa no Porto. O recheio foi vendido antecipadamente mas, para além de algumas peças que ofereci, ficaram as roupas da minha mãe e de casa que, por estarem em muito bom estado, decidi oferecer a instituições.
A primeira instituição que contactei foi a Caritas, pois a minha Mãe foi lá voluntária durante mais de duas décadas e sei que as roupas são entregues a quem precisa. A responsável com quem falei foi simpatiquíssima e ficou muito entusiasmada com a oferta, pois conhecia a minha Mãe. Havia, no entanto, um problema. Eles não podiam ir buscar as roupas, porque não tinham meio de transporte, pelo que teria de ser eu a  empacotar tudo e transportar até à sede da Caritas. Expliquei que eram muitas dezenas de peças de vestuário e ainda sapatos, carteiras, roupas de cama, cobertores e colchões que gostaria de oferecer, mas o meu estado de saúde não me permitia estar a empacotar tudo. Pedi, por isso, que alguém fosse lá a casa empacotar e prontifiquei-me a contratar uma empresa que garantisse o transporte.
A senhora agradeceu muito a minha disponibilidade, mas confirmou a impossibilidade de a Caritas deslocar alguém lá a casa para ajudar a empacotar as coisas que eu pretendia oferecer.  A única coisa que poderia fazer era indicar-me uma instituição que, garantidamente, daria bom uso e destino adequado ao que eu pretendia oferecer.
Agradeci e fiquei com o contacto.
Entretanto, telefonei a  pessoa amiga da minha Mãe a perguntar se sabia de alguma instituição que precisasse do que eu tinha para oferecer. De pronto me indicou o nome de uma ,instituição que, pretensamente, apoiaria sem abrigo.
Contactei-os de imediato. Manifestaram interesse e, no dia seguinte, pela manhã lá estava uma carrinha com quatro homens para fazer a recolha. Quando lhes mostrei as roupas, aquele que devia ser o encarregado disse-me:
- Não queremos nada disto, obrigado. Isto são roupas que não interessam aos nossos associados. Ninguém vai pegar nisto, porque estão fora de moda.
Olhei para várias peças que nem sequer tinham sido estreadas, engoli em seco e perguntei:
- Então e os cobertores ( a maioria em estado impecável) e os colchões, não vos interessam para os sem abrigo ?
- Não. O melhor que tem a fazer é queimar isso ou levar para uma lixeira. Nós só recolhemos material que tenha valor comercial para vender.
 Compungido, telefonei aos Companheiros de Emaús, a instituição que me tinha sido indicada pela Caritas.  Nessa mesma tarde apareceram  quatro homens e um padre que me contou a história da  Comunidade.  Levaram tudo quanto eu tinha para oferecer e, ao verem uns sacos com restos de tecidos que eu pensava deitar fora, perguntaram-me se também os poderiam levar. Obviamente acedi.
Quando iam de saída, um dos homens perguntou-me:
- O senhor desculpe, mas o que vai fazer às cortinas que aqui tem?
- Vão ficar aí. As pessoas que compraram a casa dar-lhe-ão o destino que entenderem
- O senhor importava-se se nós levássemos umas duas ou três? É que faziam imenso jeito para as nossas casas.
- Podem levar tudo o que quiserem- respondi
E levaram. Estiveram a tarde inteira e a manhã do dia seguinte a desmontar cortinas. Partiram com a felicidade estampada no rosto e deixaram-me de bem comigo. 
Resumindo: até para dar é preciso sabermos bater à porta certa.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Eu já vi este filme!

Um ladrão é denunciado por testemunhas que o acusam de cometer um crime. O ladrão admite o erro e é promovido a presidente da empresa Europa Ldª . Os denunciantes vão ser julgados.
Eu já vi este filme por cá, durante o Estado Novo. A Europa vai longe, vai...

Qual povo, pá?


Lembram-se da aliança Povo/MFA? E do "Povo Unido Jamais será vencido?"
Neste 25 de Abril andei a procurar esse povo. Durante a procura  lembrei-me de uma pergunta que há tempos me fizeram na caixa de comentários. Em tom crítico perguntavam-me:
Então e o povo pá?
Quis dar uma resposta, mas reparei que me faltavam alguns esclarecimentos.
Optei, por isso, por colocar algumas questões aos leitores, na expectativa de os   esclarecimentos que me vierem a ser facultados me permitirem responder cabalmente a quem me interpelou:
Então, começo por perguntar:
Qual povo, pá?
O que votou duas vezes em Cavaco, sabendo que ele tinha entre o seu círculo de amigos um grupo de criminosos, responsáveis por parte da crise em que o país mergulhou?
O que viu os salários reduzidos, a pensão de reforma do pai amputada e o subsídio de desemprego da mulher terminado ao fim de seis meses e depois foi votar PSD para que tudo continue na mesma?
O que vota sempre no mesmo partido, como se fosse um clube de futebol?
O que recebe o RSI mas depois vota no CDS, ignorando que foi esse partido que mais tentou impedir que lhe fosse concedido esse direito?
O que diz que precisamos de dez Salazares para salvar o país?
O que afirma convictamente que vivíamos melhor no tempo do Salazar?
O que em dia de eleições prefere ficar na praia a ver o por do sol, em vez de votar?
O que se marimba para os referendos?
O que culpa os políticos por todos os males do país, mas não participa na vida cívica?
O que prefere ficar em casa a ver as manifs pela televisão a sair à rua?
O que acha a política uma chatice?
O que diz a culpa de tudo isto foi do Sócrates?
O que prefere manter-se desinformado, lamentar-se da vida e penitenciar-se dizendo que a culpa é dos corruptos, mas depois não pede a fatura ao eletricista, para não ter de pagar IVA?
O que prefere os saldos do Pingo Doce à manif do 1º de Maio?
O que acusa de malandros os que recebem o subsídio de desemprego?
O que pensa que os problemas do país se resolviam despedindo milhares de funcionários públicos que andam a coçar o cu pelas esquinas, mas mete uma cunha a um amigo  para  arranjar um biscate ao filho lá na Direcção Geral?
O que  diz cobras e lagartos do SNS, mas corre para as urgências dos hospitais públicos assim que dá um espirro e  protesta  por ter de esperar duas horas para ser atendido?
O que acusa a polícia de nunca estar onde é preciso e depois diz que há polícias a mais?
O que se queixa da falta de civismo dos outros, mas estaciona o carro em cima de uma passadeira, numa curva, em segunda fila ou em cima do passeio?
O que ameaça um funcionário das finanças ( ou passa mesmo à agressão) porque está revoltado com o montante do imposto que lhe foi cobrado?
O que diz que em Portugal só quem trabalha é que paga impostos, mas quando no restaurante lhe perguntam se quer factura, diz que não?
Bem, pá, parece que esse povo está porreiro. Continua a lamentar a situação do país, mas pensa que não há solução enquanto os velhos não morrerem e os funcionários públicos continuarem a ter uma carrada de privilégios - que não sabe exactamente quais são mas de que já ouviu falar.  
Por tudo isso, baixa os braços e fica à espera que a crise passe. E se no dia das eleições não tiver mais nada que fazer, lá vai votar nas cores do partido de que é adepto.

Eh pá, lamento muito, mas para esse povo não tenho pachorra!
Ou, parafraseando a Helena Vaz da Silva, por esse povo não faço Puten! A não ser, quiçá, o gesto do Bordalo...

Puten! *



Em 1985, uma crónica de Helena Vaz da Silva com o título deste post, publicada  no DN deu brado.  A então presidente do Centro Nacional de Cultura contava a estória de um emigrante luso na Alemanha  que, roído pelas saudades, chegou à bilheteira da estação de comboios da terra onde vivia e pediu:
" Ein billeten iden und wolten"
Sem perceber patavina, o funcionário perguntou
"Sprechen sie Deutsch?"
" Puten"- respondeu o emigrante
Contada a estória, Helena Vaz da Silva remata a crónica com uma pergunta:
" O que fazem os cidadãos portugueses para evitar o afundamento do país?"
E ela própria dava a resposta: "Puten!

Creio que vale a pena recordar esta crónica neste 25 de Abril que, quatro anos depois, volta a ter o cheiro a cravos e uma mensagem de esperança no futuro.
Ainda falta muito para recuperar o que perdemos nos últimos quatro anos mas, se este período negro do coelhoportismo tiver servido para não voltarmos a cometer os mesmo erros, nem tudo estará perdido e talvez possamos confiar num futuro mais risonho.
Importante é que os portugueses não continuem com a mesma atitude de fazerem " Puten" para salvar os valores de Abril.




* Esclarecimento aos leitores que não saibam alemão. Puten ( plural de Pute) significa perús. Razão porque escolhi a sua imagem  em vez dos cravos habituais.
É uma "homenagem" ao comportamento dos portugueses que reclamam de tudo e não fazem Puten para defender os valores de Abril.

domingo, 24 de abril de 2016

Bibó Porto (71): Teste de avaliação

Neste fim de semana prolongado, a minha proposta é "rever a matéria dada" e relembrar algumas das propostas que aqui tenho deixando desde 2014.


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Em jeito de prova de avaliação, deixo-vos 3 perguntas:
1- Identificam todos os locais?
2- Todas as fotos são minhas, excepto duas. Sabem quais são?
3- Todas as fotos são do Porto, excepto uma. Qual?

Lição de Tango


E porque hoje me deu uma de nostalgia, deixo-vos com esta milonga " Não há terra como a minha". Tenham um  excelente FDS