domingo, 21 de Setembro de 2014

Igual, igual, não está, mas enfim...

Logo que entro em Lisboa vejo uma manifestação. Cinco ciclistas descem a Av. da Liberdade, com um cartaz: Não à poluição. São escoltados por um carro da polícia. A gasolina.
Os polícias não deviam ir de bicicleta?

Ai pode, pode...

Uma Lei destas era bem vinda em Portugal....

sábado, 20 de Setembro de 2014

Perdoa-me!

Qual foi o ministro que veio hoje pedir desculpa aos portugueses?
Esta ideia de recuperar o "Perdoa-me" parece-me original, mas tem pouco futuro. Daqui a dois meses, já todos os ministros e secretários de estado terão pedido desculpas  pelos erros que cometeram e  prejudicaram muitos milhares de portugueses.
Além disso, este "Perdoa-me" governativo está mal ensaiado. Os/as gajos/as pedem desculpa e no dia seguinte continuam a  cometer erros como se nada fosse. Fazem-me lembrar as criancinhas que se vão confessar  mas, assim que o padre lhes dá a absolvição, voltam logo a pecar sem cumprir a penitência.
Pela minha parte, aviso desde já que não perdoo ninguém. Caso contrário, um dia destes ainda tinha de aceitar as desculpas de um ladrão profissional que me assaltasse a casa.


sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Como ganhar, prdendo?

O Não ganhou na Escócia. A Europa suspirou de alívio, mas os escoceses também, porque ganharam mais autonomia, mantendo-se no Reino Unido. Em breve outras regiões da Europa vão reclamar igualmente mais autonomia. A primeira será a Catalunha e outras se seguirão. Ainda não foi ontem que se abriu a Caixa de Pandora, mas já não deve faltar muito.

Bibó Porto (17): O mercado do Bolhão



As origens do mercado do Bolhão remontam a  meados do século XIX, mas o actual edifício é muito mais recente. Data de 1914, assinalando-se este ano o 100º aniversário. Projectado pelo arquitecto Correia da Silva,  foi desde logo considerada uma obra muito arrojada para a época, devido à utilização do betão armado em conjugação com estruturas metálicas, coberturas em madeira e cantaria de pedra granítica.  Em 2006 foi classificado como imóvel de interesse público.
Desde 1984 que se fala na necessidade de proceder à sua reabilitação.
Em 2007 Rui Rio abriu um concurso para a  privatização. A empresa vencedora  anunciou que iria proceder à demolição do interior e, para rentabilizar o espaço,  propunha-se construir um condomínio de luxo e um centro comercial. Para o mercado ficaria apenas cerca de 5% do espaço, devendo o projecto estar concluído em 2009. O debate na Assembleia Municipal foi aceso, sendo a proposta da empresa aprovada  com 27 votos a favor e 26 contra.
No entanto, a  reacção dos portuenses não se fez esperar. Gerou-se um grande movimento cívico  contra  a destruição do mercado do Bolhão. Multiplicaram-se as manifestações de repúdio ao projecto  e a situação chegou a um impasse, que ainda se mantém.
Há outros mercados emblemáticos no Porto, como Ferreira Borges e do Bom Sucesso, entretanto requalificados, mas nenhum deles tem a magia do mercado do Bolhão.Mais do que um mercado, o Bolhão é um ex-libris da cidade, que  faz parte  dessa condição única de ser tripeiro

quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Uma sugestão ao Novo Banco

Que tal seguir a estratégia deste Banco?
Hoje fui levantar dinheiro a uma caixa multibanco, mas não tive sorte nenhuma!

quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Bentos com rajadas fortes

Regressado à Ibéria, faço uma pausa para visitar amigos em Marbella, desfrutar este sol maravilhoso e as águas cálidas destas paragens. Ao final do dia pedi emprestado um computador e naveguei durante uma hora na Internet.
Surpreendo-me com a demissão de Vítor Bento do BES ( ele não tinha aceite o lugar por dever patriótico?) mas rapidamente percebo que o patriotismo tem limites, ao ler as explicações sobre as razões que levaram à sua demissão. Vítor Bento cansou-se de ser moço de recados de Carlos Costa e Passos Coelho que estão com pressa em vender o Novo Banco. A propósito, apetece-me perguntar como Seguro: qual é a pressa? 
Igualmente surpreendente, foi a notícia do despedimento de Paulo Bento. Portugal conseguiu a proeza de perder com a Albânia e despedem o homem? Não me parece justo. O homem vai ficar na História e, já que não o despediram no fim do Mundial, deviam obrigá-lo a ir até ao final da fase de apuramento e depois exigir-lhe responsabilidades.
 Depois de nos fazer passar  tantas vergonhas, Paulo Bento ainda recebe um milhão de indemnização?Felizmente para ele, em Portugal a incompetência continua a ser premiada.
Fico também a saber, pelos comentários de alguns leitores, que o debates entre Seguro e Costa têm sido combates de wrestling e fico aliviado por não estar aí para ver.
As férias estão a chegar ao fim e desconfio que, quando regressar, ainda me vou surpreender com muitas mais coisas mas, nos próximos dias, prefiro voltar a ignorar o que se passa em Portugal. 
Confesso, no entanto, que há uma notícia que desperta a minha curiosidade: as medidas anunciadas sobre a fiscalidade verde. Por agora, abstenho-me de me pronunciar porque não tenho dados suficientes mas, logo que chegue a Lisboa,vou documentar-me para escrever sobre um assunto a que sou particularmente sensível.
 Assim que souber o resultado do referendo na Escócia, volto a passar por aqui. Até já!

A brincar, a brincar...

Estamos quase a chegar lá...

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Viegas e Marilú: a mesma luta



As férias levam-nos por vezes ao baú das recordações, repescando memórias que pensávamos esquecidas.
Hoje , voltei a lembrar-me do sr Viegas, merceeiro da rua de Costa Cabral, no Porto,  onde a minha mãe fazia uma boa parte das compras mensais.
O sr. Viegas – pensava eu - era uma pessoa pouco simpática, mas generosa. Todas as semanas passava por lá com mais quatro amigos, para comprar os “cromos da bola”. Às vezes, quando saía da escola sozinho, passava pela mercearia que distava escassos metros. Entrava, perguntava se a minha mãe estava lá e o sr Viegas, fingindo não perceber o meu estratagema, metia a mão numa daquelas caixas de vidro onde guardava os rebuçados e oferecia-me uma mão cheia deles. Melhor: no princípio era assim, mas quando eu passei a fazer a visita semanalmente, o sr. Viegas começou gradualmente a diminuir a oferta, até chegar o dia em que pegou em dois rebuçados, estendeu-mos e disse:
- Não voltes cá tão depressa, porque a vida está má. Se quiseres rebuçados, pede à mãezinha que os compre.
Determinado, recusei os rebuçados. Sem uma palavra saí da mercearia encanitado com a prédica e cheguei a casa cabisbaixo e carrancudo, originando de imediato um bombardeamento de perguntas sobre as causas da má disposição que, perante a minha recusa em responder, a minha mãe entendeu atribuir a mau comportamento na escola, ou briga com algum colega. 
Devia ter-me calado e deixá-la convencida de que acertara no vaticínio, mas acabei por confessar o meu procedimento- que se arrastava há alguns meses - e contar a reacção do sr. Viegas naquele dia, que me deixara envergonhado e ofendido.
Para minha surpresa, em vez de receber o apoio da minha mãe, ouvi uma forte reprimenda e fui proibido de ir brincar, nessa tarde, para o jardim. Peguei nos meus carrinhos da Dinky Toys, refugiei-me na sala onde devia estudar e fazer os trabalhos de casa e, inconformado com a impossibilidade da competição diária com os meus primos, organizei corridas solitárias, à volta do tapete da sala, onde Juan Manuel Fangio ganhava sempre a Stirling Moss. Aprendi, nessa tarde, a fazer batota. Para garantir a vitória de Fangio, despistava propositadamente todos os adversários que ameaçavam impedir o sucesso do meu ídolo.
À noite, depois do jantar, o meu pai chamou-me ao seu escritório. A minha mãe tinha-lhe contado o meu pecado e tive de ouvir nova reprimenda, seguida de ameaça de medidas mais drásticas, se voltasse a visitar o sr. Viegas, para lhe pedir guloseimas. Bem insisti que nunca pedia nada, ele é que me dava, mas de nada valeu a minha argumentação.
No dia seguinte, quando cheguei à escola, os colegas com quem repartia a oferenda semanal vieram ter comigo, na expectativa de receber o seu quinhão. Contei-lhes o que se tinha passado. Tão descoroçoados quanto eu, os meus amigos fizeram uma proposta de boicote à mercearia do sr. Viegas. Ninguém mais iria lá comprar “os cromos da bola”, passaríamos a fazer a compra na recentemente aberta mercearia do sr. Óscar.
Assim foi. O Viegas perdia cinco clientes que, de uma assentada, transferiam a sua semanada para as mãos do sr. Óscar, em troca dos “cromos da bola”. Quando íamos comprar os cromos, ficávamos nas imediações da mercearia abrindo nervosamente as carteiras de cromos, na esperança de encontrar o carimbado. Depois da decepção reuníamo-nos para fazer as trocas dos repetidos, em animados leilões.
Um dia, durante uma destas operações, ouvimos algumas empregadas domésticas ( na altura chamavam-lhes criadas) conversar animadamente sobre a mercearia do sr.Óscar. Estavam encantadas com os seus dotes físicos e comparavam a sua delicadeza com a arrogância do sr. Viegas. Uma delas queixava-se que sempre que lá ia ele tentava apalpá-la, outra afirmava peremptoriamente que ele era um ladrão. Roubava no peso do fiambre e em tudo o que podia, enganava-se nas contas sempre a seu favor, mas para as patroas era só mesuras e vénias. “ E depois, no Natal, oferece-lhes sempre uma caixinha de bolachas e outra de bombons e assim as vai enganando”- alvitrou uma anafada. Outra, exaltada, garantia que tinha sido despedida por causa do sr Viegas:
“ Um dia, quando ele começou com os avanços dei-lhe uma chapada. No dia seguinte, foi dizer à minha patroa para ter cuidado comigo, porque sempre que ela estava fora de casa, eu metia um homem lá em casa. Chorei de raiva, porque a senhora não acreditou em mim e despediu-me. Estive um mês na Casa das Zitas* até encontrar outro emprego, porque a patroa nunca me passou uma carta de recomendação e dizia a toda a gente que eu era uma desavergonhada”.
 Em uníssono, lamentavam-se das patroas que não lhes davam ouvidos sobre as virtudes do sr. Óscar, encantadas que andavam com as mesuras do sr. Viegas e desconfiadas quanto às qualidades que elas exaltavam ao proprietário do novo estabelecimento.
Selámos um acordo secreto. Iríamos apoiar as criadas e convencer as nossas mães que o sr. Viegas era um ladrão e o sr. Óscar um homem muito honesto. Todos os dias encontrávamos um pretexto para convencer as nossas mães a trocar o sr. Viegas pelo sr. Óscar que, quando íamos lá comprar as cadernetas de cromos nos oferecia sempre uma guloseima.Não posso agora afiançar se a nossa estratégia deu resultado. Em relação à minha mãe, lembro-me que ela apenas trocou o sr. Viegas pelo sr. Óscar, quando eu já andava no liceu. A causa foi uma caixa de bombons estragados que ele lhe ofereceu num Natal. Anos mais tarde, quando o sr. Óscar já era o fornecedor de lá de casa, a mercearia fechou. O sr. Óscar foi preso por vender produtos adulterados!


Neste momento, muitos leitores já terão perguntado, enfadados, o que tem o título deste post a ver com  esta história. Sem mais delongas, passo a explicar.
Quando Maria Luís Albuquerque  foi ocupar o posto deixado vago por Gaspar, a comunicação social ( nomeadamente a económica) não se cansou de veicular a mensagem que o governo "vendeu" às redacções: é uma pessoa competente, justa e honesta. 
Não resistiu muito tempo a imagem construída pela imprensa. O caso dos swaps foi a primeira prova de fogo.  Marilu chumbou rotundamente, deixando perceber que é um Pinóquio de saias.
Em apenas um ano fartou-se de acumular mentiras, que a comunicação social, complacente, foi sempre desvalorizando.
Nem mesmo a biografia da ministra das finanças publicada no Expresso, que arrasa por completo a sua imagem, teve a repercussão que teria se, durante o governo de Sócrates, coisa idêntica sobre um qualquer ministro tivesse sido dada à estampa.
Além de aldrabona, Marilú revela uma frieza desumana perante as medidas de austeridade. Quando diz que  o maior corte tem sido feito pelo lado da despesa e não dos salários está a ser trapaceira. Qualquer funcionário público sabe que isso não é verdade.
Maria Luís Albuquerque é como o sr. Viegas. Lixa os trabalhadores, enquanto distribui véneas ao patronato. Nunca lhe compraria uma caderneta de cromos!
Há quem defenda que- apesar de ser loira oxigenada- é bem parecida como o sr. Óscar e até talvez  suscite muitos suspiros das sopeiras de serviço que a  apaparicam nalguns blogs, mas o mais provável é que o seu fim seja igual ao do sr. Óscar. Está a vender produtos adulterados e fora de prazo, que garante serem de óptima qualidade. Um dia vão fechar-lhe a loja. Se não for a ASAE, será a justiça popular que, a também loira de contrafacção, Paula Teixeira da Cruz parece querer implantar em Portugal.
Mas, se numa mercearia enganar o cliente é inadmissível, muito pior é na farmácia, de que Passos Coelho se proclama proprietário. Avia-nos receitas de placebos, dando garantias de acabar com a doença, mas as dores e os sintomas persistem, porque os medicamentos que nos vende apenas servem para enriquecer os laboratórios.
É urgente e encontrar uma alternativa às mercearias e farmácias geridas por gente sem  ética. Não queremos as mercearias  Marilú, nem as farmácias Coelho. E, muito menos, os hipermercados Coelho & Portas.
 Chegou a altura de voltar a dar crédito às cooperativas de consumo. Porque só essas são do Povo.


domingo, 14 de Setembro de 2014