quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Sempre a inovar

A UEFA costuma ter mão pesada com os clubes cujos adeptos têm comportamentos racistas durante os jogos. Desde derrotas na secretaria, a jogos à porta fechada, já se viu de tudo. Terá sido essa a razão que levou Platini a inovar no castigo  aplicado ao Bate Barisov, obrigando a encerrar apenas parte das bancadas no jogo da Liga dos Campeões de ontem? Ou será  porque o clube bielorusso recebeu uma equipa portuguesa  e Platini considera que insultos a jogadores de equipas portuguesas não são  merecedores de respeito idêntico ao dos dirigidos às equipas do norte da Europa?
A propósito: 
O FC do Porto venceu o Bate Borisov (3-0) e assegurou o primeiro lugar do grupo.
O Sportng, depois da vitória sobe o Maribor (3-1) subiu ao segundo lugar e tem grandes possibilidades de também seguir em frente.
Se hoje o Benfica vencer o Zenit, também fica com boas hipóteses de passar aos 1/8 de final. 
Era bonito ( e creio que inédito) termos 3 equipas portuguesas nos 1/8 de final!

terça-feira, 25 de Novembro de 2014

Pela eliminação da violência




Assinala-se hoje o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. 
Ontem, o presidente da Turquia, antecipava as comemorações  discursando numa assembleia de mulheres  (Women and Justice) afirmou que prefere a equivalência à igualdade de géneros. Na opinião de Erdogan “Não se pode colocar homens e mulheres em pé de igualdade. É contranatura. Eles foram criados de forma diferente. A sua natureza é diferente”. 
Não se indignem já, por favor. Por cá,  também temos exemplos dignos de registo. Como o deputado Mendes Bota que em 2010 dizia que quando um homem bate numa mulher a culpa é da crise. Ou o daquele juiz que  considerou que bater numa mulher na medida certa não é crime  e ainda aquele outro, envolvendo uma turista de férias no Algarve,  que se queixava de assédio e tentativa de violação e ouviu o juiz insinuar que, pela maneira como ia vestida, “estava a pedi-las”.
Momentos dignificantes, que me pareceu oportuno recordar neste dia.  Como igualmente importar lembrar que desde 2004 ( data em que começou a haver registos) já morreram em Portugal 398 mulheres vítimas de violência doméstica. 
Se não há campanhas de sensibilização, nem leis, que combatam este flagelo, talvez valha a pena experimentar esta velha receita promovida pela publicidade de antanho. 

Muro de Berlim à portuguesa

Para quem ainda não olhou para o calendário, lembro que hoje é 25 de Novembro. Para uns é uma data que assinala o fim do 25 de Abril, para outros o dia que marca o início da democracia.
Não vou aqui relembrar a minha opinião sobre  esse dia.  Lembro, apenas, que o 25 de Novembro continua a dividir profundamente os portugueses. 
Este ano, dois acontecimentos acentuaram essa clivagem: a prisão de Sócrates e a aprovação do OE 2015.
Em relação ao primeiro há os que rejubilam com a decisão do juiz que determinou a prisão preventiva e os que  consideram a decisão infame. Pelo que constaei através das redes sociais, não é a ideologia que divide as opiniões dos portugueses. É a  consciência cidadã. Ninguém gostaria de ver um familiar  ou amigo preso, sem conhecer as razões que o fundamentam. Só que alguns lembram-se disso neste momento e outros, cegos de vingança, esquecem-no. Um padrão comum os une, porém: desconhecendo os fundamentos que sustentam a prisão de José Sócrates, ninguém pode fazer juízos de valor sobre a decisão do juiz, A falta de informação foi, por isso, determinante para extremar posições. Como aconteceu no dia 25 de Novembro de 1975.
Quanto ao OE hoje aprovado na AR, as divergências entre os portugueses são essencialmente de carácter ideológico. Essencialmente, há divergências sobre a receita a adoptar para recuperar a economia, combater o desemprego e diminuir as desigualdades. 
São divergências que nunca se diluirão na sociedade portuguesa e nos separam de forma inequívoca desde 25 de Novembro de 1975. Trinta e nove anos depois, a maioria que nos governa fez questão de o lembrar, com a aprovação deste OE. Inadvertidamente, a Justiça  também deu o seu contributo.
Não tenho dúvidas que se tratou de mera coincidência mas, como sou um bocadinho supersticioso, tenho estado o dia inteiro a pensar que o 25 de Novembro é a data simbólica que assinala a conflitualidade entre portugueses. 

Em tempo: Hoje assinala-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres mas, sobre isso, escreverei mais tarde.

O azar de Sócrates

Não tenho a veleidade, nem a presunção, de me pronunciar sobre a decisão do juiz Carlos Alexandre. Lamento, porém, que não tenham sido divulgados os fundamentos para aplicação da pena de coação mais grave prevista no Código Penal. Algo muito grave terão feito Sócrates e o seu motorista para ficarem sujeitos a pena de prisão preventiva. O que eu desejava era não conhecer esses fundamentos através da comunicação social - que não me merece qualquer crédito - mas sim através da Justiça que tinha o dever de os divulgar.
Devo dizer que, apesar de tudo, não me surpreendeu minimamente a decisão do juiz. Desde o momento em que foi permitida a filmagem da detenção de Sócrates e a Justiça favoreceu a mediatização do caso, pelo silêncio face às notícias veiculadas pela comunicação social, esta era a decisão mais provável.
Todos nos lembramos da forma como foram tratados os casos Casa Pia e Maddie. Não há duas sem três. Sócrates já está condenado pela opinião pública e, como aconteceu no processo Casa Pia, será difícil encontrar um juiz capaz de o ilibar. 
O azar de Sócrates é não ser banqueiro. Nesse caso, estaria agora em liberdade, porque os banqueiros têm sempre direito à presunção de inocência, mesmo quando condenados pela vox populi.



Muito mal vai a democracia...

... quando a Justiça aplica a três cidadãos medidas de prevenção preventiva e não divulga os fundamentos dessa decisão.
Era bom que aqueles que estão a abrir garrafas de champagne, celebrando a prisão de Sócrates, meditassem um bocadinho sobre o assunto.

segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

Cavaco, o Puro





Ontem, num discurso aos pastorinhos em Vila Real, Pedro Passos Coelho fez questão de salientar que os políticos não são todos iguais. O líder do PSD, circunstancialmente pm, está cheio de razão. Os políticos dividem-se em castas,  formando uma pirâmide em cuja base se encontram os empreendedores.
Pertencem a este tipo os políticos que criam empresas com amigos para desempenhar uma qualquer actividade, que nunca chegam a exercer. Quando alguma suspeita recai sobre essas empresas, os políticos empreendedores abrem a boca de espanto, porque não sabiam que as empresas que tinham criado ainda estavam a funcionar. O político empreendedor raras vezes vai além de ministro, ou presidente de partido.
Seguem-se os políticos “pica no chão”. São pés rapados que se especializaram no aproveitamento de verbas comunitárias.  Inventam cursos para profissionais que não existem, como pessoal ligado à aeronáutica, para receberem verbas do Fundo Social Europeu. Com sorte e o apoio de especialistas na área da jardinagem, podem chegar a primeiros-ministros.
Temos, na parte superior da pirâmide, os políticos topo de gama. Têm a mania das grandezas e acabam acusados de lavagem de dinheiro. Só no momento em que se equiparam a Al Capone  ou Alves dos Reis se sentem realizados.Também chegam a pm, passando entre os pingos de chuva. Tal como Al Capone, são muito populares na comunicação social que propagandeia todo o tipo de acusações existentes no cardápio, para os incriminar. Um dia, acabam por ser descobertos, por não terem pago os impostos da lavandaria.
No topo da pirâmide temos os políticos puros. Em Portugal, infelizmente, só temos um: Aníbal Cavaco Silva.
O PR não é apenas uma pessoa de uma honestidade à prova de bala. Ele pratica o bem e esforça-se por desviar dos maus caminhos alguns vigaristas, convidando-os para o seu governo no intuito de os regenerar. Oliveira e Costa e Dias Loureiro são apenas dois exemplos de um vasto conjunto de pessoas que Cavaco tentou regenerar sem sucesso. Alguns, como Oliveira e Costa, ficaram-lhe eternamente gratos pela tentativa e, como reconhecimento, ofereceram-lhe umas acções do seu prestigiado banco que, pasme-se!, acabou por ir à falência, mas não sem que antes, Cavaco Silva tenha sido generosamente compensado.
Ergamos pois a este Deus da Pureza um santuário e veneremo-lo em profundo  recolhimento, agradecendo-lhe os altos serviços prestados ao país na tentativa de regenerar vigaristas. Mesmo sem sucesso nessa tarefa, Cavaco fez milagres. Um dia,certamente, todos ficaremos a saber quais foram. Se formos crentes e acreditarmos nos cheques do Espírito Santo.

Não digam que não avisei (3)

Quem quiser dar um abraço ao Henrique, está convidado!

Qual é a pressa?

Como alguns leitores fizeram questão de escrever na caixa de comentários de um post anterior, o mais importante é saber se Sócrates sairá desta inquirição acusado, ou ilibado. É à justiça que compete decidir.
Há no entanto, neste momento, uma questão que me parece igualmente importante e não se cinge a este processo. É urgente termos a garantia de que as absolvições, ou condenações, se façam na justiça e não nos media. 
O que se tem passado, nestes dois casos mediáticos é uma mediatização indesejável de situações que envolvem e colocam em causa a dignidade e idoneidade do Estado. Só por isso, deveria ter havido, em ambas as situações, mais tino e mais prudência em todo o processo. Mas vamos aos factos:
Na semana passada, durante a inquirição dos vistos gold, os arguidos estiveram detidos durante quatro dias antes de saberem as medidas de coacção que lhe seriam aplicadas. Para todo os efeitos, estiveram 96 horas em prisão preventiva. Eu sei que é legal, mas não me parece razoável.
Mas se na semana passada, ainda pode ser invocado o facto de terem sido ouvidos 11 arguidos, esta semana só havia quatro detidos dois dos quais, segundo afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, já foram ouvidos na quinta-feira, é mais difícil de compreender que os arguidos continuem detidos ao fim de 48/72 horas.
Haverá, certamente, razões muito fortes para que isso aconteça, mas estas detenções demasiado prolongadas não prestigiam a justiça portuguesa. Algo tem de mudar urgentemente, para evitar que casos destes se repitam e os interrogatórios sejam mais céleres.
No caso de Ricardo Salgado, por exemplo, apesar de a  forma como foi efectuada a detenção ter tido contornos vergonhosos, a decisão foi célere.
No caso dos vistos gold e neste caso envolvendo José Sócrates, estão em causa altas figuras do Estado e um ex-pm. É natural que a opinião pública fique mais expectante e mais dividida, dando azo a que se exacerbem e extremem posições.
Também por isso, seria expectável e desejável que a justiça fosse mais célere. E , por agora, mais não digo, embora haja ainda muito para dizer.

Já que não há pão, dêem-lhes circo!

Gosto de circo, sei que estamos perto do Natal e é normal as companhias de circo aproveitarem a época para levar a sua arte aos mais distantes pontos do país. Ver, na última semana, a justiça transformado num circo permanente é, porém, algo que não me agrada.
Quando era miúdo, tinha medo dos palhaços. Agora, tenho medo de dos que parecem apostados em transformar a justiça numa arena onde se desencadeiam lutas na lama.
Alguém tem de pôr cobro a isto mas é difícil, quando esse parece ser o desporto favorito da ministra da Justiça, a comunicação social está apostada em servir-lhe o espectáculo à borla e os agentes da justiça se mostram cooperativos.

domingo, 23 de Novembro de 2014

Momento Zen

A Convenção do Bloco terminou sem se saber quem vai ser o futuro líder. João Semedo garante que o partido (literalmente dividido ao meio) saiu mais unido.
Não sei qual vai ser a argamassa que irá usar para colar  os cacos, mas se ele acredita que a divisão é um sinal de união, tudo bem... na próxima semana, durante a Mesa Nacional,  estaremos cá para ver.  

Ligações perigosas




Soube da detenção de José Sócrates quando cheguei a casa ao início madrugada de sábado. Liguei o televisor para ver o "Governo Sombra" e  fui surpreendido  com a notícia.
A minha primeira reacção, enquanto via as imagens do aeroporto, foi escrever no Facebook este comentário: 
Não há coincidências? Há há... No momento em que Sócrates foi detido, estavam na Portela duas estações de televisão. E logo na porta por onde Sócrates saiu!
Ontem, não pude ver notícias durante todo o dia mas, quando cheguei a casa,  vi o Eixo do Mal e fiquei ainda com mais dúvidas sobre estas ligações espúrias e perigosas entre a comunicação social e a justiça.
Aparentemente, há os que inventam notícias sobre o caso, os que vão a reboque das notícias dos outros e os que manifestamente dão notícias com base em informações recolhidas junto de fontes que violam , com toda a impunidade, o segredo de justiça, providenciando fugas para os órgãos de comunicação que generosamente lhes pagam a informação, sem cuidarem de saber se são verdadeiras ou falsas.
Hoje, um dos pasquins que fabrica noticias entre lençóis, fez uma edição especial, Na capa, a letras garrafais, escrevia:
"TODA A VERDADE"
Sinceramente, não consigo perceber como é que um jornal consegue fazer uma edição especial e garantir aos leitores  "Toda a Verdade", sobre um assunto que, alegadamente, está em segredo de justiça.  
Faço rewind, regresso à madrugada de sexta-feira e percebo um bocadinho melhor. A detenção de um ex-pm , na manga de um avião, quando regressava de Paris, a ser televisionada em diferido é segredo de justiça.
Só não seria se a detenção fosse filmada em directo e as imagens emitidas em tempo real.
Esta relação conspícua entre justiça e comunicação social é mais uma pedra sobre o túmulo da democracia portuguesa. O importante, agora, era saber quem são os coveiros

Le premier bonheur du jour

Esta semana deixo-vos na companhia de 13 admiráveis patifezinhos.
Tenham um excelente domingo!

sábado, 22 de Novembro de 2014

Sinta-se seguro

Esta sugestão chegou-me dos EUA, mas pode ser aplicada em qualquer pais ocidental. 
Sinta-se seguro em sua casa, como eu. 
Como o consegui:
1º - Retirei o sistema de alarme que tinha na minha moradia e cancelei a minha adesão na Milícia de Vigilância entre Vizinhos;
2º - Coloquei as seguintes três bandeiras no jardim, à frente da casa, em postes de 5 metros de altura: no canto direito, a bandeira da Síria; no canto esquerdo, a bandeira do Paquistão; e bem ao centro, a bandeira preta do Estado Islâmico.
Resultado: A PSP, a GNR, o SIS, os Bombeiros, a EUROPOL, a INTERPOL, a NATO, e várias agências de espionagem anti-terroristas internacionais, têm a minha casa sob vigilância 24 horas por dia, 7 dias por semana!
Nunca me senti tão seguro na vida! Até o MNE, o Rui Machete, foi visto a espreitar da esquina, a fingir que estava a falar com o Xanana...

Bibó Porto (26)



O mercado do Bolhão não é só fachada...

Não digam que não avisei (2)






Já se percebeu que este governo não é especialista em xadrez. Confundem rainhas com bispos, reis com peões, torres com cavalos e não sabem que o jogo acaba quando um dos jogadores dá xeque mate ao adversário. Pensam que o objectivo  do jogo é andar a passear as peças pelo tabuleiro e ver se encaixam umas nas outras.
Não espanta, por isso, que depois de nomear um jornalista para dirigente de uma sociedade financeira, tenha nomeado uma especialista em recursos humanos para dirigir a LUSA.
Um dia destes ainda escolhem Katia Guerreiro, a fadista do cavaquismo, para dirigir a  coudelaria de Alter.

Se eu fosse o Portas

Já se percebeu que os vistos gold são uma chulice, para sacar dinheiro a cidadãos estrangeiros.
Os chineses , ao que parece, só perceberam agora. Palpita-me que não vão gostar.  Se eu fosse o Portas, não estava tranquilo...

sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Oh, happy days!




O Happy Planet Index  pegou no mapa mundo e pintou os países de acordo com o índice de felicidade que proporcionam aos seus cidadãos. O resultado é o que está na imagem.
Sem surpresas, ficamos a saber que Portugal não proporciona grande felicidade  a quem cá vive e que a América Latina é a região do globo onde  se encontra  a maioria dos países cujos habitantes vivem felizes.
Percebem agora, porque sempre estive certo quando defendia que, apesar da crise, a Argentina é o meu país de eleição para viver?
A Argentina não é só Buenos Aires e há muita vida para além do tango!
Para mais informações sobre a interpretação do mapa, leia aqui

Exercício para o fim de semana: resolver equações à esquerda

A convenção do BE irá marcar a agenda políticia deste fim de semana. Uma vitória da tendência UDP, liderada por Luís Fazenda e Pedro Filipe Soares, será a última brecha no BE que conduzirá à sua  definitiva implosão.
Quando foi criado, em 1999, o BE  constituiu um sinal de esperança no eleitorado de esquerda. O crescimento dos anos seguintes cimentou a ideia de que o BE era o partido que a esquerda desejava para evitar alianças do PS com a direita. Em 2009, o BE atingia uma votação histórica e parecia embalado para se transformar no quarto partido português, quiçá com aspirações a ser um partido de charneira que contribuísse para obrigar o PS  a governar à esquerda. 
Só que, a partir daí, começaram a ser mais visíveis as divisões dentro do Bloco, que passou a ser uma amálgama de pequenos grupos onde as diferenças ideológicas se manifestaram.  O apoio do BE a Manuel  Alegre foi considerado um erro pelos  mais radicais que, meses depois, obrigaram o BE a corrigir esse pretenso erro com outro ainda pior: apresentar uma moção de censura ao governo PS e aliar-se à direita para o derrubar. 
Muitos eleitores do PS situados mais à esquerda e que terão mesmo votado no BE em 2009, contribuindo assim para o seu crescimento eleitoral, não perdoaram essa “traição”. Internamente, o BE perdeu ( por razões diversas)  os seus elementos mais carismáticos ( Louça, Miguel Portas e Daniel Oliveira) em grande parte responsáveis pela unidade do Bloco.
A liderança bicéfala (João Semedo/Catarina Martins) também nunca foi bem vista por  algumas tendências, gerando fricções internas difíceis de sanar. O BE começou a perder expressão eleitoral e apoio nas ruas. O movimento Que se Lixe a Troika  conseguiu promover algumas das maiores manifestações das últimas décadas, mas o BE não conseguiu capitalizar o descontentamento popular, parecendo aceitar esse falhanço com o mesmo  conformismo com que a sociedade portuguesa acabou por acatar a austeridade.
A saída de Rui Tavares e Ana Drago foram a mais recente machadada no BE, tendo a tendência UDP encontrado aí a força para afrontar a actual liderança do BE e tomar as rédeas do partido.
O equilíbrio de forças  não permite vaticinar vencedores mas, se  a tendência UDP sair vencedora, começar-se-á a assistir à ultima fase na vida do BE já amanhã. Poderá ser uma boa notícia para o LIVRE de Rui Tavares( agora reforçado com a Renovação Comunista e o Forum Manifesto, onde despontam como figuras de maior destaque Ana Drago e Daniel Oliveira) que irá certamente buscar os votos de alguns descontentes do Bloco. Também poderá ser uma boa notícia para António Costa e todos aqueles que dentro do PS querem um entendimento com a esquerda. 
Não sei é se será uma boa notícia para a esquerda e para o país. É que em 2015, dificilmente o LIVRE conseguirá ter uma expressão eleitoral que lhe dê força para colocar exigências ao PS. Desaparecido o BE e engolido o LIVRE ( ou diluído numa tendência de esquerda dentro do  PS), a esquerda deixará de estar representada por um partido com expressão eleitoral que lhe permita obrigar o PS a fazer as mudanças, claramente de esquerda, de que o país necessita. 
Adenda: Este fds servirá também para aquilatar se os militantes do PS continuam empolgados com a vitória de António Costa, ou começam a esmorecer. A afluência às urnas será um bom indicador.

Querida, mudei de distribuidor!






A recusa da GALP e da REN em pagarem uma taxa de 0,85% sobre o valor dos seus activos regulados não é apenas uma ofensa aos contribuintes trabalhadores, obrigados pelo governo a pagar uma sobretaxa de 3,5% sobre os seus cada vez mais reduzidos salários. É também-  direi mesmo acima de tudo- uma hipocrisia.
Ambas as empresas publicam anualmente realtórios de responsabilidade social, onde afirmam o seu compromisso com a sociedade. Mas qual compromisso? Recusarem-se a pagar impostos que os seus trabalhadores ( ah, desculpem, colaboradores!) são obrigados a pagar?
Face a esta hipocrisia tomei uma decisão:
- A partir de hoje não absteço mais o automóvel na  GALP e, no início do mês, mudarei de distribuidor de gás. GALP, jamé! ( como não consumo gás de bilha (botija), não ficarei privado de receber a visita da simpática jovem da foto.
Quanto à REN, nada posso fazer. Apenas manifestar a minha revolta escrevendo cartas e emails em que lhes chamo aldrabões, por propagandearem uma responsabilidade social que não cumprem,  e apelar aos leitores que façam o mesmo. 

Late night wander (107)

Quando o administrador de um hospital pergunta a um médico o que é mais barato ( amputar uma perna ou colocar uma prótese), nos concursos do SNS se pergunta a uma médica se pretende engravidar e  faltam medicamentos para tratar  várias doenças, entre as quais o cancro da bexiga, estamos conversados.
Mas hoje, também ficamos a saber que há muitas mortes evitáveis em Portugal. Lisboa, Porto e o sul do país lideram 

quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

Como manipular a informação em 10 palavras ( ou a evocação de Miguel Relvas)




Quando Miguel Relvas chegou ao governo, uma das primeiras decisões que tomou em relação à RTP, foi proibi-la de concorrer à transmissão dos jogos da liga dos Campeões, cujos direitos então detinha.
A TVI concorreu sozinha, garantindo sem opositor os direitos de transmissão durante três anos, pelos quais pagou 4 milhões de euros.
Nessa altura ninguém acusou o governo de distorcer as regras do mercado, mas eu continuo até hoje sem perceber quais as razões que impedem um canal público de televisão de concorrer em iguais circunstâncias com os concorrentes privados. ( Se é pelo argumento de que são os contribuintes a pagar, esqueçam: essa é a maior mentira da direita, que desmontarei num próximo post).
Três anos depois a RTP, liberta da canga de Relvas, concorreu novamente e, de acordo com as notícias veiculadas pela comunicação social, terá ganho o concurso, batendo a oferta da TVI.
Helena Forjaz, directora de comunicação da Media Capital, foi a porta voz da indignação da estação de Queluz.   “ Números são absurdos, sendo 40% superiores aos oferecidos pela TVI”. ( 10 palavrinhas apenas)
A imprensa económica  ( nomeadamente o Jornal de Negócios) saiu em defesa da TVI, adiantando que a RTP terá ganho o concurso, com uma oferta de 18 milhões de euros.
Este valor tem sido repetido à exaustão pela comunicação social que, em concubinato com alguma blogosfera situacionista e comentadores encartados, realça o facto de serem os contribuintes a pagar este “desvario” da RTP. 
Basta fazer contas, para se perceber que o número avançado pelo Jornal de Negócios (JN) não corresponde à realidade. Se o valor oferecido pela RTP foi 40% superior à oferta da TVI( 4 milhões), quer dizer que a televisão pública  ofereceu pouco mais de 5,5 milhões.
Tendo como correcta a informação prestada por Helena Forjaz ao “Público”, o JN está a mentir quando fala de uma oferta de 18 milhões da RTP. O seu objectivo é intoxicar a opinião pública e obter apoios na campanha contra a RTP.
Acresce, ainda, que de acordo com a informação até agora conhecida, a RTP irá transmitir 16 jogos em canal aberto, enquanto a TVI tem transmitido apenas 13. A transmissão de mais três jogos por época justifica, por si só, um aumento do custo dos direitos de transmissão a pagar pelo canal que vencer o concurso.
A notícia, porém, não acaba aqui. Merecerá um outro post ( a propósito do argumento de que são os contribuintes a pagar as transmissões, se for a RTP a vencer o concurso)quando a UEFA anunciar qual foi o canal que garantiu a transmissão dos jogos  da Liga dos Campeões em canal aberto.
Por agora, deixo apenas um registo: como se percebeu, é muito fácil desinformar as pessoas, manipulando números. Se isto acontece no desporto, imaginem só como somos manipulados quando se trata de notícias sobre política, economia, ou finanças.

A mensagem da minoria silenciosa ( à atenção de António Costa)

Eu já vi isto em qualquer lado e sei ao que nos conduziu: desemprego, aumento de impostos, falências, caos económico, emigração forçada.
Ao aliar-se  mais uma vez à direita, o PCP  condena a escandalosa taxa de 1€ a pagar pelos turistas que visitam Lisboa e parece preferir que sejam os lisboetas a pagar mais IMI e IRS, para garantir a sustentabilidade da cidade.
António Costa já sabe o que o espera se for PM em 2015, mas os portugueses mereciam um PCP mais consciente e responsável, que  se preocupasse com os problemas de quem cá vive e não em fazer política demagógica rasteirinha. É uma pena que tenham perdido a memória sobre a liberdade de circulação das pessoas, nos países do Leste Europeu.
Esteja onde estiver, Álvaro Cunhal não aprovaria uma política tão mesquinha. 
Se é verdade que a direita está assustada com António Costa, o PCP não está menos e nós já sabemos o que isso significa, se o PS não vencer as eleições com maioria absoluta em 2015. 

Só uma pedra ficou indiferente

Vasco Palmeirim teve  a ideia e a Rádio Comercial concretizou-a. No dia em que Carlos do Carmo recebeu o Grammy,  convidou 35 personalidades do mundo da música e cada uma cantou um verso de "Lisboa Menina e Moça" em vários pontos da cidade.
Até as pedras da rua se emocionaram quando o Carlos recebeu o Grammy. Excepto uma, em Belém. Não conseguiu ouvir, porque estava tapada por uma poia coberta de moscas.

Azar de chinês

O empresário chinês  Chan Ba Li Ang  candidata-se a receber o prémio do mais azarado, nesta cena dos vistos gold.
Pagou 500 mil euros para ter um visto gold e agora, além de estar proibido de sair de Portugal, vai ter de pagar mais 500 mil euros de caução como garantia de que não sai mesmo!
Digam lá se isto não é o cúmulo do azar!