terça-feira, 24 de maio de 2016

Como as cerejas


Os posts são como as conversas que, por sua vez, são como as cerejas.  Foi assim que, a propósito deste post, me lembrei deste outro escrito em 2008, relacionado com a crendice e ingenuidade dos consumidores.

Estava o país a ser invadido por uma avassaladora onda de empresas de venda de colchões ortopédicos, a que cada uma juntava as propriedades adequadas aos consumidores que pretendiam iludir. Um casal, de idade já avançada, foi atraído a um desses locais de venda pelos processos já sobejamente conhecidos, mas mantinha-se irredutível em desembolsar uns milhares de euros para comprar o colchão. O vendedor, perspicaz, mas sem sucesso no recurso aos habituais argumentos, invocou um novo: aquele colchão produzia efeitos iguais aos do Viagra!. O casal entreolhou-se, trocou em recato algumas palavras e passado algum tempo decidiu-se. Negócio fechado, a troco de cerca de 3 mil euros a pagar em prestações suaves, com recurso ao crédito. O problema surgiu quando o casal constatou que fora enganado e, invocando o prazo de reflexão de 14 dias, pretendeu anular o negócio!...

Em tempo: e  já agora, ainda a propósito de cerejas... alguém as viu por aí?

Momento Boca Doce



Para as /os apaixonadas/os dos éclairs, tenho o prazer de informar que no próximo mês de Julho abre, em Lisboa, a Leitaria da Quinta do Paço.
Agora, quando forem ao Porto, já podem dispensar o tempo para comer o mais famoso éclair do país e aproveitá-lo para conhecer outras especialidades doceiras em que o Porto é muito rico.

Porto Sentido ( um post para perder alguns amigos)



No bar do Hotel D. Henrique


Ontem, à hora do almoço, fui confrontado por pessoa amiga com o post que escrevi sobre o livro de Henrique Raposo, "Alentejo Prometido".
Quem me acompanhava na amesendagem  interpelou-me directamente:
- Se alguém  nascido tripeiro escrevesse um livro sobre o teu tão amado Porto, denegrindo a cidade, reagirias com a mesma fleuma?
A resposta saiu-me espontânea, rápida e sem rodeios:
Sem dúvida que sim. Depois de ler o livro e antes de escrever o post, coloquei-me nessa posição e não demorei muito tempo até encontrar a resposta. Se escrevesse um dia um livro sobre a minha infância e juventude no Porto, não seria meigo.
A minha rejeição à cidade começou aos 12 ou 13 anos. Foi com essa idade que percebi que me tinha de pirar de lá. Apesar dos amigos, da vida feliz que aparentemente levava, sentia-me amarrado a um colete de forças. Sem espaço para respirar e poder ganhar asas para voar.
 Escolhi Direito para vir para Lisboa, porque detestava a claustrofobia do Porto, mais parecido com um bairro grande onde todos se conheciam e intrometiam na vida uns dos outros. Sempre adorei a história e a arquitectura do Porto mas, socialmente, o Porto era uma cidade detestável. Não suportava o bairrismo , a auto contemplação e aquela imagem superlativa que as pessoas   projectavam de si próprias para o exterior, que tresandava a provincianismo- versão pobre de bairrismo bacoco. Como se para além das fronteiras do Porto não existisse vida, ou a cidade fosse o centro de um mundinho onde as pessoas se sentiam estrelas bizarras de uma companhia provinciana.
O Porto visto por CBO
Nos jardins do Palácio de Cristal

 Tive momentos muito felizes na cidade, sem dúvida, mas quando vim para Lisboa suspirei de alívio- apesar das saudades dos amigos.Foi como se me libertasse de um colete de forças e sentisse finalmente a vida a oferecer-se, desnuda, à minha frente. Sabia que Lisboa seria apenas uma etapa. O meu objectivo era saltar além fronteiras e correr mundo como, felizmente, veio a acontecer.
Não é certamente por acaso que hoje em dia os meus melhores amigos do Porto sejam os que tal como eu saíram de lá para estudar, ou logo que terminaram os estudos. Rumaram aos Estados Unidos ou à Europa e só regressaram décadas depois. Alguns estiveram em Macau numa terceira ou quarta experiência além fronteiras.  Como eu.
Alguns reencontraram-se com o Porto depois de uma passagem prolongada por Macau. Foi esse também o meu caso. Apaixonei-me pelo Porto aos 50 anos, mas não pelo Porto que conheci na adolescência. Esse está bem morto e enterrado e se por vezes o recordo neste Rochedo, é para lembrar as reminiscências de coisas boas.
Da varanda do meu quarto no Hotel D. Henrique

A cidade hoje está muito mudada.Para melhor, obviamente. Cosmopolita, aberta, moderna e descomplexada ( apesar de alguns resquícios de bairrismo que se reflectem em notas picarescas). Isso não impediria, obviamente, que escrevesse o que pensava ( e penso) do Porto dos anos 50/60/70. Tal como as pessoas, as cidades também mudam com a idade. Umas pioram, outras tornam-se melhores. Rejeitar isso é iludirmo-nos, ou mesmo mentir. Estás satisfeita com a resposta?
- Estou, mas creio que se escrevesses um post no teu Rochedo ou no FB a relatar esta conversa, ias arranjar alguns inimigos...
- Talvez tenhas razão, mas prefiro ter inimigos a falsos amigos. A frontalidade é uma característica que eu aprecio muito nos tripeiros genuínos.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Dia do Postal Ilustrado ( Informação importante)

Foram vários os leitores que manifestaram interesse em participar na rubrica "Dia do Postal Ilustrado".
Assim, informo que criei um mail destinado exclusivamente a este passatempo, para onde devem enviar o(s) vosso(s) exemplar(es). O número máximo de postais admitidos será de 3 (TRES) por cada participante.
O endereço é o seguinte:

diabilhetepostal@yahoo.com

Entretanto, a quem só agora chegou aqui e não está a perceber patavina disto, sugiro que vá até aqui



E vão pagar as custas com os nossos impostos?

.

Eu não pensava voltar a este assunto, mas a desinformação- a roçar a desonestidade - que grassa na comunicação social, transmitindo a ideia de que estamos perante um ataque generalizado ao ensino privado ( e depois sabe-se lá a que outros sectores), obriga-me a regressar uma vez mais ao tema.  Desta vez, para escrever sobre a decisão de algumas escolas porem o Estado em Tribunal, alegando incumprimento do governo na atribuição de subsídios.
Trata-se de uma acção condenada ao fracasso. Não só porque pretende que o governo viole a Constituição, mas também porque assenta numa falsidade.
Como já escrevi há dias no FB, directores de escola e professores ou são ignorantes, ou andam a enganar os alunos, com a preciosa ajuda de uma comunicação social acéfala e, por vezes, mal intencionada. 
Apesar da actuação dos "lesados"  demonstrar a fraca formação cívica e moral de educadores que assim agem, refuto a hipótese de má fé e inclino-me para ignorância dos seus mentores. O que não deixa de ser grave, porque estão a enganar os seus alunos, invocando uma ameaça que não existe.
As professoras e directoras de escolas deveriam saber que não há cortes nos subsídios.  Como então escrevi, apenas não serão dados subsídios para abertura de novas turmas em escolas privadas, quando haja escolas públicas com turmas disponíveis na mesma zona. Os restantes apoios mantêm-se até final do ciclo. Ou seja, por mais dois anos lectivos.
Só quem estiver de má fé  não vê que o governo apenas pretende acabar com a concorrência desleal que escolas privadas estão a fazer à escola pública  e reduzir gastos desnecessários onde há sobreposição, até porque as turmas nas escolas públicas são muito mais baratas do que nas privadas.
Percebe-se que assim seja, quando os salários dos profs são inferiores aos dos que exercem actividade na escola pública?
E percebe-se que Passos Coelho que sempre exigiu rigor nas contas, combateu o despesismo e defendeu a utilização rigorosa dos dinheiros públicos ande numa campanha desenfreada  a favor da manutenção destes privilégios?
A resposta a ambas as perguntas é SIM, mas por razões que nada têm a ver com liberdade de escolha, qualidade de ensino ou cumprimento da lei. As razões de Passos Coelho nada têm a ver com educação, nem com lei, nem sequer com respeito pela palavra dada. 
Recorde-se a vigília nocturna em Fátima, ou na inauguração do túnel do Marão. Estabeleça-se a ligação com as palavras de D. Manuel Clemente e ficamos esclarecidos.
Há, porém, uma pergunta que eu gostaria de ver respondida: as escolas que apresentaram a acção contra o Estado ( proposta logo na noite de sexta-feira por Pedro Passos Coelho perante os jornalistas)  vão pagar as custas com o dinheiro dos subsídios, ou seja, dos nossos impostos?

Esclarecimento:nada me move contra as escolas privadas. A minha indignação é contra chulos que se alimentam de subsídios do estado e esgrimem crianças para garantir a manutenção da chulice. Há centenas de escolas privadas em Portugal que não recebem subsídios do Estado e funcionam  em concorrência directa com a escola pública. Por outro lado, nem metade das 79 escolas com contratos de associação entraram nesta furiosa onda de intoxicação da opinião pública.






domingo, 22 de maio de 2016

O Dragão voltará a lançar chamas




Acreditem ou não, suspirei de alívio quando o jogo acabou. Claro que uma segunda época sem ganhar absolutamente nada custa bastante a engolir mas, desde miúdo, habituei-me a sofrer pelo meu FC do Porto e aprendi, já adulto, que valeu a pena sofrer para poder celebrar  vitórias impensáveis  a nível europeu e mundial.
Duas vitórias na maior competição europeia entre clubes, duas Taças Intercontinentais, duas supertaças europeias  e duas Taças UEFA (Liga Europa) foram fruto de um trabalho extraordinário de Pinto da Costa, mas também muita qualidade de equipas técnicas e uma mística inigualável de  jogadores. Nenhuma equipa portuguesa conseguiu ( nem conseguirá nos próximos anos) tantos títulos além fronteiras
Em Portugal, os últimos 20 anos foram de domínio avassalador do FC do Porto. Celebrei vários tricampeonatos, um tetra e um  penta, feito que também nunca foi conseguido por outra equipa portuguesa.
Mas, como costumo dizer aos meus muitos amigos benfiquistas, o FC do Porto não pode viver do passado. Se quer ser grande, tem de voltar a ganhar títulos internamente e manter o prestígio além fronteiras. É porque penso assim, que a derrota de hoje na final da Taça de Portugal não me deixou mágoa. Pelo contrário, uma vitória deixar-me-ia preocupado porque, apesar de um título ser sempre motivo de alegria, uma vitória hoje iria mascarar os erros das três últimas épocas e daria espaço à continuidade de José Peseiro como treinador.
Ora, como aqui escrevi quando Lopetegui foi despedido, Peseiro foi mais um erro de casting que em nada iria alterar a época desastrosa do FC do Porto. Se naquela altura não foi possível contratar um treinador que assegurasse um projecto com continuidade, então tinha sido melhor manter Lopetegui até final da época. É que, apesar de o basco não ter perfil para treinar o Dragão, não foi o único culpado de tudo o que de mau se passou nas duas últimas épocas. Nenhum treinador teria possibilidade de corrigir os erros de Lopetegui e da equipa dirigente dos azuis e brancos  a tempo de inverter a situação.
O mal do FC do Porto é profundo mas ainda há tempo para, na próxima época, o FC do Porto voltar a ser a equipa ganhadora que proporcionou a todos os adeptos inúmeras alegrias nas três últimas décadas.
Não é com uma equipa onde abundam mercenários e gente que não sente a camisola, que o FC do Porto  volta a ter tempos de glória. A maioria dos títulos do FC do Porto foi ganha com equipas maioritariamente constituída por jogadores portugueses que transmitiam aos estrangeiros, a mística do Dragão.
Nas últimas  épocas foi penoso ver como se desbarataram talentos "à moda do Porto" substituídos por estrelas pagas a peso de ouro, que entram em campo como se fossem "bailarinas" a dançar em pontas.
Ainda hoje se viu quem foram os jogadores que lutaram à Porto: Danilo, Ruben Neves, Sérgio Oliveira, André André e esse talentoso miúdo que tem brilhado nas selecções jovens e na equipa B, chamado André Silva (autor dos dois golos dos azuis e brancos). Dos restantes, até Helton e Maxi Pereira parecem ter perdido a garra.
A doença do FC do Porto cura-se com vitaminas de "portismo" no balneário. Jogadores e  equipa técnica têm de estar unidos por esse "estímulo" que fez dos FC do Porto uma das equipas mais prestigiadas da Europa.
José Peseiro será uma excelente pessoa, mas não é o treinador que o FC do Porto precisa. Hoje, isso terá ficado definitivamente  claro para qualquer portista. Venha quem "limpe" o balneário e o devolva aos jogadores com aquela mística azul e branca, que nos deu grandes sucessos. Que regressem ao Dragão jogadores como Josué, se mantenham outros que já lá estão mas  a quem não têm sido dadas oportunidades e se polvilhe aquilo com alguns ( poucos) estrangeiros de qualidade, mas também com perfil para integrar o plantel.
Como muitos outros adeptos, estou farto de negociatas, do provincianismo de quem só pensa em contratar vedetas e do laxismo que se instalou a nível dos órgãos dirigentes e alastrou do futebol às modalidades. O meu clube precisa de reaprender a ganhar com a prata da casa. Foram jogadores assim que nos deram tantas alegrias nos últimos 30 anos.
Foi por acreditar que o meu clube ainda sabe aprender com as derrotas, que suspirei de alívio quando o jogo terminou no Jamor.
Entretanto, parabéns ao Braga. Jogou muito pouco, mas soube aproveitar as ofertas da defesa azul e branca e, apesar de se ter deixado empatar depois de ter uma vantagem de dois golos, a equipa não se desconjuntou. Limitou-se a esperar que o FC do Porto voltasse a errar, como fez ao longo de toda a época.

sábado, 21 de maio de 2016

Dia do Postal Ilustrado (4)


Este postal foi-me enviado de Heidelberg pela minha amiga Petra W.  Dedico-o às minhas amigas portuguesas, a viverem na Alemanha,  Ematejoca e  Helena.
Aproveito para informar os leitores que em 2009 não seguiam o CR, que nesse já longínquo ano lancei aqui um passatempo de férias  que se intitulava " Postais de Férias". Na altura os leitores eram muito menos do que agora, mas houve alguma participação interessante - e interessada.
Lembrei-me, por isso, de recuperar para esta rubrica os postais que me foram enviados pelos leitores para esse passatempo / desafio.
Uma vez que vários leitores manifestaram  especial agrado por esta rubrica, sugiro que me enviem postais ilustrados antigos para abrilhantar esta rubrica e a tornar mais variada e participativa.
Fica a proposta à vossa consideração.
Votos de uma excelente semana que tem um feriado a meio, a pedir fim de semana prolongado.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

O que nos separa da Alemanha...

... é uma questão de escala. Falta-nos ambição, na hora de oferecer aos consumidores as escolhas certas.
Por cá  temos a BIC laranja, BIC cristal, duas escritas à sua escolha. Isso faz alguma diferença, quando toda a gente usa computadores para escrever?
Os alemães vão ao âmago da questão: o importante mesmo é ter a possibilidade de escolher a cerveja certa. O resto vem por acréscimo. Vai daí, oferecem aos consumidores duas opções cervejeiras, tão distintivas como as da BIC, mas qualquer uma delas de grande utilidade para matar a sede:

OU....


Tenham um excelente FDS. Aproveitem o calorzinho para beber umas cervejolas

Banco de Portugal tem um problema com números

Já não é a primeira vez que o Banco de Portugal se atrapalha com números.
Hoje, o país ficou a saber que a entidade presidida por Carlos Costa  identificou uma conta de 17 milhões de euros de um organismo público, numa offshore, mas mais tarde veio a admitir que se tratou de um erro e afinal a conta é de apenas 171 mil euros.
Quando o BP se engana em coisas tão comezinhas, como o montante de uma conta offshore, como é que um comum mortal pode confiar na sua capacidade de supervisão?

Da canalha na latrina

O PSD já não é um partido político. É uma latrina onde desaguam as laranjas depois de defecadas. Um grupo de canalhas e malfeitores. Uma trupe de bandalhos que metem nojo. Uma tribo de pulhas falhados  que destilam ódio e são capazes de tudo. O chefe da pandilha, um cobardolas, manda os capangas fazer o trabalho sujo e esconde-se como se não tivesse nada a ver com o assunto.
Quando se chega a este ponto, só há uma coisa a dizer. Tenham vergonha e vão p'ró c.....!

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Isso é chulice, pá!

Hoje ouvi a oposição, na AR,  criticar  o ministro da educação e acusá-lo de estar a defender os interesses do sector público.
Eu sempre pensei  que a obrigação de qualquer governo era zelar pela defesa do sector público mas, nos quatro anos e meio de governo da cambada mafiosa  pafiosa, percebi que estava enganado.  Agora, com a polémica sobre os contratos de associação,  fiquei totalmente esclarecido. PSD e CDS não só defendem os interesses do sector privado, como ainda exigem que a iniciativa privada seja paga com o dinheiro dos contribuintes.
Eu não sei se a cangalhada de direita conhece o significado da palavra CHULICE, mas esclareço os ignorantes que o apoio indiscriminado aos contratos de associação é um belo exemplo. E já agora, como eles não sabem quem são os chulos que estão a alimengtar, eu  volto a sere claro:
- São dirigentes e/ou quadros do PSD, CDS e também do PS que abrem escolas privadas ao lado de escolas públicas e depois movem as suas influências, junto das cúpulas dos partidos, para  conseguirem contratos de associação.
O colégio de Coimbra ontem falado na AR é apenas um exemplo. Há muitos mais. E também já se conhecem alguns nomes  dos três partidos que andam a chular o contribuinte, mas a investigação que iniciei há uma semana sobre esta matéria "diz-me" que muito em breve vai haver novidades.

A Domadora de Camaleões


Acabei de ler o livro de Helena Ferro Gouveia. Sendo um conjunto de crónicas,  li-o da mesma forma que leio todos os livros de crónicas e de contos. Devagarinho, para saborear melhor e reflectir um pouco sobre cada texto.
E há muito para ler.
Seguindo a ordem  escolhida pela Helena, o livro começa com  Crónicas de viagens (  do Brasil da Copa ao Sudão do Sul em guerra, passando pela Bolívia, Egipto ou EUA e  histórias de aeroportos onde se inclui um  stop over em que "aparece" Drummond para uma conversa inesperada).
Segue-se um conjunto de crónicas sobre a geografia dos afectos que parece dividi-la ( esta é a sensação que eu tenho desde que comecei a seguir o blog da Helena): Alemanha e Portugal.  Se a ordem é arbitrária, ou meramente circunstancial, só ela saberá responder.
O capítulo sobre as filhas é composto de crónicas enternecedoras, por vezes  hilariantes. Depois de uma curta viagem gastronómica,seguem-se Crónicas Avulsas, Crónicas sobre Mulheres,  Crónicas à volta dos livros e, a terminar, dois curtos contos e uma série de poemas.
Durante a leitura de  "Domadora de Camaleões" dei por mim a pensar esta mulher escreve com o coração!
Na verdade, na escrita simples, directa e coloquial de Helena Ferro Gouveia, não se descortinam subterfúgios, meias palavras, frases dúbias. Tudo é directo, simples e cristalino, confirmando o que a autora disse na apresentação do livro na Livraria Ferin: uma enorme vontade de comunicar.
Leiam esta Domadora de Camaleões, saboreando cada crónica, para tirar mais partido do prazer da leitura que a Helena nos proporciona com a sua escrtita despretensiosa.



Como reduzir o desemprego

Há já muito tempo que defendo a redução do horário de trabalho, como forma de combater o desemprego. Reconheço, porém, que o facto de ter ficado demonstrada essa minha tese, não invalida a minha convicção de que tal medida em Portugal não teria os mesmos efeitos que teve na Suécia
E nem vale a pena estar aqui a explicar porquê, pois não?

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Com todo o respeito

Não me espanta se algumas pessoas pensarem que o aparecimento de  Catarina Martins nesta cena fictícia foi combinado. Há gente a quem custa aceitar que  na política  haja pessoas só com uma cara.
E também não me espanta a indiferença das outras pessoas que assistiram a tudo sem agir,  mas isso faz parte de outra história já aqui abordada por mim.
Dito isto, aquele programeca "E se fosse consigo" é uma boa trampa. Chamem-lhe "Apanhados", "Ficções" ou o que quiserem, mas não vendam aquilo como informação, ok?

A Europa é um embuste

Hoje, a Europa deveria ter  discutido eventuais sanções a Portugal.
Por razões estratégicas, relacionadas com as eleições de 26 de Junho em Espanha, a discussão foi adiada para Julho.
 Berlim e Bruxelas andaram quatro anos a elogiar o governo PSD/CDS por seguir escrupulosamente as suas ordens. Agora, que esse governo foi apeado pelo voto popular, a pandilha eurocrata  ameaça o povo com sanções porque o ex-governo afinal era um cábula e não cumpriu os mínimos exigidos. Isto é, no mínimo, sabujice, mas pior ainda é ver Passos Coelho apoiar o líder do PPE,  que pede mão pesada para os incumpridores. Isso aí já não é apenas sabujice. É traição ao país  e demonstra que Passos, Marilú e toda a corja de bandidos laranjas estão mais interessados em servir Bruxelas do que Portugal.
Se a liderança europeia é o adubo que  favorece a ascensão da extrema  direita na Europa, a corja laranja alimenta-se  como as moscas. Nascida na lama,  vicejou  com as poias que  Bruxelas lhe colocou no prato.
Parece-me pois oportuno recordar, a uns e a outros, as críticas que o Tribunal de Contas Europeu fez, no dia 26 de Janeiro deste ano, à actuação da  Comissão Europeia em relação aos cinco países europeus que foram sujeitos a resgate.

Os negócios da saúde (que a PUB patrocina e avaliza)





Ministra da Justiça quer combater produtos milagre

Quando se fala de negócios da saúde, somos normalmente "levados" para o campo dos hospitais privados onde, não raras vezes, se paga por serviços  e cuidados médicos desnecessários, ou são cobradas exorbitâncias por serviços menores ( ainda há dias, soube do caso de um hospital que cobrou 15€ por uma pesagem...)
Os negócios da saúde não se restringem, porém, às práticas de alguns hospitais privados. A saúde é um manancial de bons negócios, a maioria das vezes explorando a crendice popular ou a ignorância.
Se a venda de alicamentos ( produtos alimentares com alegadas "propriedades medicinais")  e medicamentos contrafeitos é um crime facilmente  detectável e punível por lei, já no negócio dos  produtos de emagrecimento, anti envelhecimento ou similares, nem sempre é fácil separar a vigarice científica da vigarice comercial. Quero com isto dizer, que há produtos à venda no mercado cujas propriedades a publicidade promove, mas cujas "virtudes" uma leitura minimamente atenta desmonta facilmente, enquanto outros se apresentam no mercado envoltos numa "credibilidade científica"  mais difícil de desmontar.
(Em 1995 fiz um trabalho de investigação  centrado na  publicidade a estes produtos que me valeu um prestigiado prémio de jornalismo.
Recordo bem as dificuldades e os muros de silêncio em que esbarrei para o produzir. 
O trabalho foi publicado numa revista especializada mas, apesar do mérito reconhecido pelo júri que o avaliou, a imprensa generalista não lhe fez referência.
Como poderia fazê-lo, se o artigo denunciava produtos que os jornais e as televisões publicitavam?)
 Uma das grandes fontes de negócio na área da saúde  é a venda  dos"produtos milagre". Não é só o creme que transforma a Bruxa Má em Bela Adormecida, ou a pílula que reduz a desmesurada  cintura de Obélix ao  universo unidimensional de Olívia Palito.
É também a pulseira que alivia as dores nas costas e cura o reumático, ou o amuleto que trata a espinha bífida, o pé de atleta ou a unha encravada. Todos estes "produtos milagre" ficaram a dever o seu sucesso a uma publicidade que  explorava a crendice popular, a superstição, o medo e a fé dos consumidores. 
Para dar mais credibilidade aos produtos, a publicidade recorria a  testemunhos "verídicos" (leia-se a troco de muitos milhares de escudos)  de vedetas televisivas ou do mundo do espectáculo. Esta prática só foi estancada por uma alteração ao Código da Publicidade em 1998.
Com essa alteração,o Código da Publicidade  passou a referenciar  de forma muito clara a proibição de publicitar bens ou serviços milagrosos  e fez recair sobre o anunciante a obrigatoriedade de provar as alegações científicas invocadas, bem como comprovar os benefícios  para os consumidores  anunciados.
Com uma pequena alteração legislativa que "matava" o mensageiro, foi possível (quase) acabar  com o negócio dos produtos-milagre que ludibriou milhares de consumidores portugueses e encheu os bolsos de algumas vedetas da televisão e do mundo do espectáculo.
Só que, como em tudo na vida, o tuga põe e o Parlamento Europeu dispõe. Assim, em 2008, os deputados europeus aprovaram a Lei das Práticas Comerciais Desleais cujo efeito prático foi a revogação da norma do Código de Publicidade Português que fazia recair sobre o anunciante a obrigatoriedade da prova. 
Graças ao brilhante contributo dos deputados europeus, as alegações de que um bem ou serviço tem propriedades curativas de doenças, malformações e disfunções, passaram a ser enquadradas no âmbito da publicidade enganosa desde que... sejam falsas!
Exigir que seja o queixoso a provar a falsidade das propriedades  curativas dos produtos milagre, em vez de obrigar o produtor e/ou o meio publicitário a provar a sua veracidade, estimulou os anunciantes que se  sentiram desobrigados de cumprir o que o Código da Publicidade lhes exigia.
Por um lado, os "testemunhos" passaram a ser considerados apenas um mero ilícito de ordenação social, passível de uma coima entre os 3 mil e os 45 mil euros. Ou seja, face aos montantes pagos pela publicidade, o crime compensa.
Por outro lado,  compete à ASAE a fiscalização e instauração de processos de contra ordenação nesta matéria mas, diligentemente,  o governo anterior ( graças ao prestimoso empenho de Adolfo Mesquita nunes e Pires de Lima)  decapitou aquele organismo, reduzindo quase a zero a sua capacidade operacional no terreno.
Conseguirá a ministra da Saúde, com todo o seu empenho e conhecimento técnico, convencer os seus colegas do governo a restituir  à ASAE  a capacidade fiscalizadora e interventiva, que lhe permita acabar com o forró que se instalou em Portugal?
Tenho as minhas dúvidas... 
Mesmo que devolvida à ASAE a sua capacidade operacional,ainda falta superar a inércia dos tribunais e a habitual condescendência dos juízes em matéria de direitos do consumidor.
Seja como for, fico a torcer pelo sucesso da ministra.