quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Preocupado com o futuro?

Partilho, com milhões de portugueses, preocupação quanto ao futuro. No entanto, ao contrário da maioria dos meus compatriotas o que mais me preocupa não é o futuro do país. Habituado que estou ao desenrascanço tuga e à habilidade que temos para ultrapassar dificuldades, a minha primeira preocupação não é com este minúsculo país. É com o mundo que se desenha diante dos meus olhos
Não vou aqui voltar a dissertar sobre o problema dos refugiados, ou a ameaça terrorista na Europa. São problemas que o tempo resolverá de forma mais ou menos violenta, dependendo do interesse das grandes potências .
Tampouco vou insistir na tecla da degradação ambiental que de Cimeira em Cimeira se vai agravando, não obstante as múltiplas manifestações de preocupação debitadas pelos líderes mundiais para os órgãos de comunicação social. Se nem  as inúmeras catástrofes naturais que já vitimaram milhares de pessoas, nem o ar irrespirável que obriga com crescente frequência a encerrar cidades aos automóveis são suficientes para que os governos se ponham de acordo na tomada de medidas que travem a degradação ambiental, qual é a esperança de um dia se virem a tomar medidas à escala global para preservar o planeta?
O que realmente me preocupa é o modelo económico e social que está a ser construído sem que se dê grande relevância ao assunto. A anunciada quarta revolução industrial é um verdadeiro filme de terror, mas ninguém está interessado em amenizar os seus efeitos. A alguns deles. como o aumento da pobreza e das desigualdades, já fiz referência aqui.
Mas há mais...
Nos próximos  cinco anos, a Inteligência Artificial será responsável pela destruição de cinco a sete milhões de desempregados. Logo, os felizardos que tiverem trabalho, vão ser pagos  a preço de escravo. O mundo será gerido pela finança. manipulada em luxuosos gabinetes, de luxuosos edifícios, por gente sem escrúpulos. Mas, porreiro, vamos ter as máquinas a falar todas entre si, automóveis a circular sem condutor, mergulharemos entusiasmados na Internet das Coisas, enquanto lamentamos os milhões de  sem abrigo.
Teremos a iniciativa privada a expandir-se sem regras, contestada por quem cumpre as regras ( como acontece neste momento entre taxistas e UBER). A hotelaria será aberta à iniciativa de uns tipos que, tendo herdado a casa dos pais, a transformam em alojamento para turistas.  Os transportes urbanos serão geridos e manipulados como os comboios eléctricos da infância dos bisavós.
 Estaremos cada vez mais dependente das tecnologias, seremos cada vez mais vigiados e controlados por elas e alguns dos que ainda pensam, porque não se deixaram manipular pela globalização do pensamento único, sairão à rua para exigir liberdade e democracia. Talvez até sejam conduzidos ao local da manif por um táxi da UBER sem condutor, ou um transporte público programado a partir de uma central, por um operador que manipulará várias composições em simultâneo.
Mas, pobres coitados, não perceberam que ambas começaram a ser perdidas no início do século XXI, quando ainda eram jovens e tinham a obrigação de ter lutado para as preservar, evitando que 99% da riqueza global  ficasse na mão de apenas 0,3% da população mundial. Os mesmos 0,3% que terão o poder de controlar o mundo, como um tabuleiro de Monopólio electrónico onde as pessoas serão meras peças de xadrez.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Os defensores do contribuinte ( rico...)



Enquanto a coligação de direita esteve no poder, os portugueses pagaram em média mais 28% de impostos. Só que  todas as estatísticas são traiçoeiras e esta não é excepção.  Amanhã a revista Visão explica porquê: afinal, o brutal aumento de impostos não atingiu os  milionários tugas, que pagaram apenas mais 5%. , ou seja, cerca de um sexto dos aumentos que afectaram os portugueses honrados.
A Visão revela, ainda, que em Portugal as grandes fortunas pagam 50 vezes menos impostos que nos países desenvolvidos e que o fisco apenas “ conhece” 240 das famílias mais ricas do país. Mesmo assim, nem todas pagam os impostos devidos.
Certamente que os deputados da cambada Pafiosa já conheciam esta notícia e foi isso que os levou a ter comportamentos típicos de símios na Comissão de Finanças. É verdade que  Leitão Amaro ( na foto) e Cecília Meireles zurraram, mas a direita é prodigiosa a revelar comportamentos anormais da Natureza. Logo, ver macacos a zurrar na coligação de direita, deve ser encarado como perfeitamente normal.
Quanto ao resto, apenas lamento andar a pagar a deputados/as que se comportam como animais, para defenderem os interesses dos  gajos do guito que, no fundo, são quem lhes complementa os já chorudos vencimentos com assessorias, consultorias e outras prebendas.

Não será altura de escolherem outro inimigo?


Há dias, Angela Merkel disse estar horrorizada com o sofrimento causado aos sírios, por causa dos bombardeamentos russos.
Ontem, essa figura sinistra que dá pelo nome de Donald Tusk juntou-se ao grupo de carpideiras que lamentam o massacre na Síria e acusou a Rússia de estar a ajudar o regime assassino de Assad.
Eu, que apesar de todas as vicissitudes, vou tendo alguma memória, lembro-me da euforia que percorreu o mundo inteiro quando o pm  português  aceitou servir chá e bolos nos Açores  a três terroristas ( Bush, Blair e Aznar)  enquanto eles inventavam um pretexto para a invadir o Iraque. Sabemos a gorjeta que Durão Barroso recebeu pelo servicinho e conhecemos os efeitos dessa invasão. Não só no Iraque, mas em toda a região.
Também ainda me lembro da euforia de comentadores e jornalistas idiotas que glorificaram a Primavera Árabe como a redenção dos bárbaros às virtudes da democracia. Os resultados estão à vista e os mesmos sem vergonha que celebraram a Primavera Árabe agora estão calados ou, como meros seguidores acéfalos de quem lhes paga, enfileiram no coro dos que culpam a Rússia pelo que se está a passar na Síria. Não tarda nada, vão acusar Putin de estra a armar o Daesh, esquecendo-se que foram países como Alemanha, França, Inglaterra e Estados Unidos que sistematicamente armaram terroristas, com o intuito de combater ditadores que não se vergavam aos interesses do Ocidente.
Não tenho qualquer simpatia por Putin. Considero-o mesmo um tipo perigoso. Estou, no entanto, farto de ouvir desde a infância, a lenga lenga  de que a Rússia é a causadora de todos os males do mundo. Era altura de os países ocidentais que andaram a semear guerras no Médio Oriente, a financiar terroristas e a cometer actos terroristas, assumirem os seus erros, em vez de persistirem na posição bacoca de se armarem nos bonzinhos que andam a lutar contra os maus que querem destruir a Humanidade.
Deixem de ser ridículos!

Não vale a pena insistir..

Tentar explicar aos Pafiosos que este OE é mais justo do que os dos últimos quatro anos é uma tentativa tão infrutífera, como colocar uma vela na cabeça de um porco e ficar à espera que ele tenha ideias luminosas.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Ingenuidade carnavalesca

A tolerância de ponto na terça feira de Carnaval foi reposta. Uma excelente notícia, principalmente nas regiões onde o Carnaval é vivido intensamente e constitui um cartaz turístico que atrai muitos visitantes e anima as economias locais.
Lembro que em muitos contratos colectivos a terça feira de Carnaval está consagrada como dia de descanso, pelo que a medida abrange, essencialmente, os funcionários públicos. Nomeadamente os da administração central, porque a nível autárquico a maioria das câmaras   se marimbou para o governo e mandou Passos Coelho bugiar. Logo, a lengalenga de que a tolerância de ponto nesta terça feira vai ser prejudicial para o país, não passa disso mesmo: uma cretinice da charanga direitolas
A eliminação da tolerância de ponto deste dia foi apenas mais um castigo e uma vingança de Passos Coelho  sobre os funcionários públicos. Aconselho-os a gozarem o dia, porque PPC promete voltar a ser primeiro ministro. O que não me custa nada acreditar, com o povinho que temos.
Entretanto, ia escrever " espero que Passos Coelho, por uma questão de coerência, esteja hoje a trabalhar". Depois apercebi-me da minha ingenuidade. Alguma vez esse gajo trabalhou? Bem... se roubar os portugueses, ou dirigir empresas que fazem formação de faz de conta à custa do dinheiro do Estado é trabalho, então Passos Coelho é um grande trabalhador.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Passos Coelho tem razão!

Passos Coelho acusa o governo de aumentar impostos para dar a uns o que tira a outros. Não deixa de ter razão, mas esqueceu-se de um pequeno pormenor. Quando era pm, fez exactamente o mesmo, só que roubou quem trabalha para dar aos bancos. O que António Costa está a fazer é a tentar restituir a quem trabalha o que a dupla Passos/Portas lhes roubou, mas vai demorar tempo. Os bancos espatifaram tudo num instante. 

KUNG HEY FAT CHOI

Terminou o Ano da Cabra ( um dia, no Porto, chamaram-lhe Murcona)  sejam bem vindos ao Ano do Macaco que hoje se iniciou.
Votos de boas macacadas. Aproveitem, porque este Macaco de 2016 é o Macaco de Fogo e traz muita energia!

Não sejam piegas!

Anda aí um borburinho, porque o aumento dos impostos sobre os combustíveis vai asfixiar as empresas de transportes, provocar o aumento dos produtos e arruinar o orçamento das famílias.
Pus-me a pensar sobre o assunto, fui confirmar umas suspeitas e constatei que nos últimos três anos o preço da gasolina oscilou sempre entre 1,48 e 1,65€, chegando a atingir 1,77€
Actualmente, o preço médio é de 1,32€.
Quanto ao gasóleo, que atingiu o preço máximo de 1,547€ e teve um preço médio de 1,21€, está actualmente a 1,04€ (preço médio)
Diz a comunicação social que, com os impostos previstos no OE para 2016, o gasóleo subirá cerca 3/4 cêntimos e a gasolina, 5 a 7.
Faço as contas e concluo que, mesmo com uma brutalidade de impostos ( que ninguém pode negar) o preço da gasolina e do gasóleo ficará abaixo da média dos últimos três anos. Pergunto então: como faziam as empresas quando o preço do gasóleo era superior a 1,20€? E como se desenrascavam as famílias quando o preço do litro de gasolina era superior a 1,65€?
Então, agora é fazerem exactamente o mesmo, com a vantagem de o preço dos combustíveis, mesmo com impostos, ser muito mais baixo do que nos três últimos anos.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Bibó Porto (62): Amadeo Souza Cardoso passou por aqui




No número 145 da Rua de Santa Catarina, mesmo ao lado do Grande Hotel do Porto que por aqui passou no último domingo, abriu em 1883 a Camisaria Confiança. Este modesto estabelecimento viria a tornar-se um requintado ponto de encontro dos portuenses e um nome indissociável da história da cidade..  
Nos anos 60 do século passado era vulgar marcar encontro à porta da "Confiança" , ponto de partida para um périplo pela Baixa da cidade do Porto. À época, já  a  "Confiança" era um nome intimamente ligado à história da cidade. Mas não nos adiantemos...
Quando abriu a Camisaria Confiança, o industrial António Cunha e Silva não pretendia apenas vender camisas. Conhecedor do ramo, era seu objectivo criar uma indústria capaz de abastecer o mercado nacional e estrangeiro, especialmente o Brasil, mas também com um olho nas "colónias".
Foi assim que, adquirindo terrenos anexos ( entre os quais o edifício do Teatro Santa Catarina) o empresário  ampliou as instalações e abriu, em 1894, a Fábrica Confiança.  Equipada com mais de uma centena de máquinas, a Fábrica dava emprego a mais de mil mulheres.
A sua dimensão e o movimento por ela gerado, despertou a atenção de Aurélio Paz dos Reis. Em 1896, este comerciante  realizou e produziu o primeiro filme português. Intitulado " A Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança", este pequeno documentário de apenas 1minuto   ( veja aqui) era uma réplica do filme dos irmãos Lumière e viria a ser exibido pela primeira vez  no dia 12 de Novembro  de 1896 no Teatro do Príncipe Real, actualmente denominado Teatro Sá da Bandeira.
No início do século XX a Camisaria e Fábrica Confiança já tinham cimentado o seu nome a nível internacional e, em 1907, abriu uma sucursal em Lisboa, na esquina da Rua Augusta com a Rua da Betesga.  Foi também no início do século ( 1903) que trabalhou na Camisaria Confiança durante algum tempo, como caixeiro, um amarantino que viria a tornar-se num dos mais famosos pintores portugueses: Amadeo de Souza Cardoso.
Foi ainda nas instalações da Fábrica Confiança que funcionou durante muitos anos o Teatro Experimental do Porto.
A Camisaria Confiança foi acompanhando a evolução dos tempos e, nos anos 60, era um estabelecimento multifacetado, onde as noivas compravam o enxoval  e, posteriormente, as roupas para os filhos porque na "Confiança", de roupa branca se vestiam desde os avós até aos bebés.
Era, então, ponto de encontro obrigatório, conhecido como o "El Corte Inglês" tripeiro. Além das secções do espaço comercial,  despontava no primeiro andar um salão de chá de grande qualidade que se tornou moda e rivalizou com  conceituadas casas de chá  da baixa como a Arcádia, Ateneia, Costa Moreira ou Confeitaria do Bolhão.
Não assisti ao desaparecimento da Camisaria Confiança nem consegui, nas minhas pesquisas, determinar a data exacta do seu encerramento. De momento, também não sei que estabelecimento está ali instalado. Se alguém me puder ajudar nestas tarefas, agradeço.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Passos Coelho vai ser preso?

A direita anda toda feliz porque a senhora Merkel fez rasgados elogios a Passos Coelho.
Eu, se fosse de direita,  não estaria eufórico mas sim preocupado. Porquê? Porque Merkel também se fartou de elogiar Sócrates e ele acabou preso...

O exemplo da segunda circular

Lembram-se da polémica que andou por aí, por causa das árvores na segunda circular? Dos terríveis desastres de avião provocados pelos pássaros?
A comunicação social fartou-se de dar corda aos do contra, mas nunca li nada sobre quem se manifestava a favor. Na segunda-feira esperava-se discussão acesa na Assembleia Municipal  convocada para discutir a segunda circular. Surpresa! Toda a gente esteve de acordo com o projecto - à excepção de Carlos Barbosa, presidente do ACP, por razões óbvias. As obras avançam em Junho.
Com o OE passou-se algo semelhante. Muito alarido, muita emoção mas, no final, o OE recebeu o agreement de  Bruxelas.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Valha-nos Nossa Senhora da Agrela!

Isto é o fim do mundo!
Onde é que já se viu aumentar impostos sobre a banca, obrigar os fundos imobiliários a pagar IMI, ou aumentar o imposto sobre o crédito ao consumo?
Onde é que se viu atacar assim, sem mais nem menos, quem tem poder, dinheiro e estatuto de intocável e restituir os salários aos mandriões que fingem que trabalham e devolver as pensões aos velhos?
Onde é que já se viu um governo ter a ousadia de negociar com Bruxelas?
Onde pode  chegar o atrevimento? Onde é que já se viu um governo de esquerdalhos demonstrar aos patriotas de direita que afinal, a TINA ( There Is No Alternative) era uma excrescência  e bastava acreditar na TIA? ( There Is Alternative)
Este país está a ser governado por comunistas. Qualquer dia a populaça vem para a rua fazer distúrbios. Valha-nos Nossa Senhora da Agrela!

Laranja é a cor da moda primavera/verão?


O PSD marcou o início do 36º Congresso para 1 de Abril (Dia das Mentiras). Sabendo que não se trata de mera coincidência, porque no PSD tudo é pensado ao pormenor, fica a dúvida: trata-se de uma homenagem ao grande líder, ou um lapso (in)voluntário?
Seja qual for a resposta, é imperioso reconhecer que a data assenta que nem uma luva na turma dos mentirosos laranja.
O chefe da corja laranja já veio dizer que espera voltar a ser primeiro ministro em breve e, sabe o CR, até já tem música para a campanha ( ver foto)
Giro, giro, é ouvir Passos Coelho, em estilo moda Primavera/Verão, dizer que sempre foi social democrata e as medidas do seu governo também.
Como se não nos lembrássemos dos que, durante quatro anos, andaram a renegar a social democracia, que consideravam obsoleta e só apreciada por jarretas.
Ouvir agora esses ( incluindo Passos) afirmar que a social democracia é que é bom não me mete nojo. Dá-me apenas vontade de os mandar dar uma volta ao bilhar grande.