sábado, 25 de abril de 2015

A minha " Primeira Vez"

Era uma soalheira manhã de Primavera, que apelava aos sentidos. Estava trajado a rigor e a custo disfarçava o nervosismo provocado pela ansiedade da minha primeira vez . Na sala havia uma fila de homens à minha frente, aguardando. Muitos eram jovens como eu e não tinha dúvidas que para eles também seria a primeira vez. Tal como eu, disfarçavam o nervosismo contando anedotas e algumas histórias de uma vida ainda com muito para desfiar. Alguns, mais velhos, tranquilizavam-no.:
"É natural que estejam nervosos, mas vão ver que vale a pena." -avançou um "Tomara eu que a minha primeira vez tivesse sido assim"- disse um velhote ao passar por nós. Outro, emigrante, afiançava:" Em França é que é bom!"
Todos olhavam para o meio da sala onde ela se expunha, apelativa, aos nossos olhares gulosos. Era linda e deixava-nos em devaneio cada vez que repousávamos o olhar sobre ela.
À medida que me aproximava e lhe percebia melhor os contornos, imaginava o momento emocionante. Assim que depositasse naquela fenda todo o vigor da minha vontade, iria aprender a ser homem!
Finalmente chegou o momento. Aproximei-me, trémulo. Uma senhora aparentando 40 anos olhou-me com um sorriso. Estendeu-me um papel e disse-me:
- "Vá até àquela cabine, preencha o papel e volte cá".
Assim fiz. Quando saí, as pernas tremiam-me. Abeirei-me dela. Olhei-a com enlevo e, num gesto súbito, penetrei-a com vigor, manifestando-lhe o meu desejo e pedindo-lhe para não me desiludir .
Tinha acabado de votar pela primeira vez na minha vida.
Faz hoje 40 anos!

Porque recordar é viver!

Há 40 anos era assim!

Adeus!

Não sei o que o alcagoita vomitou hoje na AR. Não sei se falou de boca cheia, se teve um xilique, se apoiou o governo  e cascou no PS, ou apelou mais uma vez  ao consenso.
Tal como Mário Soares, não tenho pachorra para ouvir  as bacoradas do inquilino de Belém que vive à conta do contribuinte e declarou sentir-se bem enquadrado no regime do Estado Novo.
A única coisa que sei é que foi a última vez que foi à AR mandar uns arrotos no 25 de Abril. E isso é uma boa notícia.
Adeus! 
Aviso: este post, como os de ontem e de amanhã, foram pré agendados. Peço por isso desculpa aos leitores se sua anibalidade excelentíssima tiver proferido alguma bacorada com resiliência e este post estiver completamente fora do contexto. 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Símbolos de resistência

A resistência tem um preço, mas  pode tornar-se um cartaz turístico, ou um negócio. Ora veja como. AQUI

A greve da TAP

Se ainda não me pronunciei sobre a greve dos pilotos da TAP, é porque não tenho mais nada a acrescentar ao que escrevi em 2010:
Chamem-me o que quiserem, mas não posso deixar de dizer isto: a legislação que permite a classes privilegiadas organizar-se em sindicatos para boicotar e destruir uma empresa, equivale a oferecer uma arma a um bandido que pretende assaltar um banco. Há certas classes profissionais a quem o sindicalismo deveria estar vedado. Urge alterar a legislação e proceder à higienização da democracia que o ultraliberalismo selvagem reduziu a um conceito balofo. A greve da TAP não é luta de trabalhadores. É luta de um grupo de privilegiados que conspurcam a democracia, aproveitando de forma ignóbil ( e oportunista)os mecanismos que ela criou para defender os mais desfavorecidos.

Sobre os limites à liberdade de expressão

Pai, quais  são os limites à liberdade de expressão?

( Pai, depois de uma pausa)
Olha, meu filho. O pai do Tóino  bate na mãe dele porque é muito ciumento, mete-se  nos copos e nas drogas e depois não sabe o que faz. Aqui na rua todos o acusam de violência doméstica, não é? E um jornal até escreveu que o pai do Tóino era um animal. Lembras-te?

Lembro.

Pronto, isso é liberdade de expressão. 
Mas imagina tu que um dia o pai do Tóino chega a pm. Achas que alguém aqui na rua vai continuar acusá-lo de violência doméstica ou algum jornal vai escrever que ele é um animal?

Não.

Pois. A liberdade de expressão é isso mesmo. Depois de ser pm o pai do Tóino continua a ser aquele tipo que batia na mulher mas ninguém o acusa disso, porque tem medo de represálias. Entendes?

O benefício da dúvida

António Costa  reduziu o passivo da Câmara  de forma substancial;
Aplica uma das taxas de IMI mais baixas dos país;
Devolve aos munícipes uma fatia substancial do IRS; 
Paga a pronto aos fornecedores;
Não descura a vertente social...
Não merece o benefício da dúvida quando apresenta ao país um conjunto de propostas que visam aliviar a austeridade das famílias e tirá-las da pobreza extrema? 
Não percebo nada de economia, mas leio as opiniões de quem sabe e em cuja seriedade intelectual confio. E o que tenho lido reforça ainda mais a minha convicção de que António Costa merece o benefício da dúvida.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Ainda vai a tempo de confirmar

Eu passo por lá todos os anos.
Se nunca por lá passou,não sabe o que está a perder

Apalpem-me as mamas, que eu gosto!





"A Helena Matos, no Blasfémias, não vê mal em que se espremam as mamas das mulheres como forma de provar que estejam a amamentar. Certamente que o plural é abusivo; ela fala por ela e por pessoas como ela. A Helena, como boa liberal, com certeza não se importa que o patrão lhe aperte as mamas para confirmar se está ou não a amamentar, para poder gozar um direito - o escândalo, um trabalhador com direitos! - que lhe é conferido pela lei. Para a Helena é normal e, confesso, estou curioso para saber como têm sido as entrevistas de emprego de Helena Matos ao longo dos tempos. Se é que alguma vez foi a alguma. Terá feito o teste da virgindade (http://www.hrw.org/pt/news/2014/12/01/onu-oms-condena-testes-de-virgindade)? Será que foi devidamente avaliada, com direito a palpação?

As questões legais já estão mais do que esclarecidas aqui (http://www.hrw.org/pt/news/2014/12/01/onu-oms-condena-testes-de-virgindade) e aqui (http://manifesto74.blogspot.pt/2015/04/espreme-mama-se-nao-der-leite-nao-ha.html). 
Enoja-me esta merda de ser suposto aceitar tudo. Enoja-me neste caso específico a pessoa em causa ser uma mulher, ou qualquer coisa parecida, que eu, nestas coisas, partindo do princípio da Helena, só acredito quando vir.

Comparar exames médicos normais, como faz Helena Matos, a ter de esguichar leite pelas mamas para provar o que quer que seja a um patrão ou a um chefe, consegue ser um nível acima da filhadaputice do César das Neves.

Ser uma mulher a escrevê-lo prova que a imbecilidade não tem género. E voltamos aqui a uma questão central: a luta é de classes, não é de género. A mulher que escreveu aquilo não deixa de ser mulher. Uma mulher de merda, mas uma mulher.

Creio que a Helena estará antes a projectar as suas necessidades - legítimas - na generalidade das mulheres. Ora imaginem lá o José Manuel Fernandes a apalpar as mamas da Helena Matos, antes de convidá-la para opinar no covil de fachos que dirige? Não é uma imagem bonita?"

Ricardo M. Santos, in Manifesto 74

O embuste low cost



Não deixa de ser surpreendente que um governo dito liberal tenha tomado a decisão de obrigar todos os postos de abastecimento a vender combustíveis low cost.
Como era de esperar, o resultado foi prejudicial para os consumidores. Em apenas três dias, os combustíveis low cost  aumentaram mais de 2 cêntimos  e atingiram o preço a que estavam os menos aditivados (95) há uma semana. A partir de hoje pagamos por combustíveis sem aditivos, o mesmo  que pagávamos pelos aditivados. E estes rapidamente se aproximarão dos preços dos combustíveis super aditivados (98) ou Premium.
Claro que a justificação será a do costume mas, a breve prazo, iremos perceber  a amplitude  do embuste. O aumento dos combustíveis low cost  irá reflectir-se  nos postos de abastecimento das cadeias de distribuição, reduzindo a diferença entre estes e os das gasolineiras tradicionais ( BP, Galp ou Repsol). 
Todos ficarão a ganhar, menos os consumidores.
Para compor o ramalhete o governo deu um forte contributo. Como não sabe legislar e faz tudo às três pancadas, "esqueceu-se" de  legislar sobre a informação aos consumidores. Quer isto dizer que as gasolineiras continuam a estar obrigadas  a exibir os preços dos combustíveis de forma visível( uma iniciativa do ex secretário de estado socialista Fernando Sarrasqueiro absolutamente inócua), mas o consumidor não tem informação sobre o tipo de combustíveis a que se referem os preços ( ver foto)
É no que dá tomar medidas - que até acredito serem bem intencionadas- sem  pensar nem prever as consequências. O governo, claro, dirá que é o mercado a funcionar.

Agora sim, estou muito mais confiante neste governo!

As propostas dos economistas convidados pelo  PS são uma fantasia. Onde é que se viu governar para as pessoas?  
Boas são mesmo as do governo que governa para as empresas e para os gajos do guito. Com grande sucesso, há que reconhecê-lo. Depois de tanta austeridade, a nossa troika tuga  continua a cumprir os seus objectivos: fazer crescer  a dívida pública ( aumentou para 234,6 mil milhões em Fevereiro)  e  ultrapassar a Grécia no risco de pobreza.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

É o cú...mulo!

Ouvir o barrica de cerveja dizer que as propostas apresentadas pelos economistas  convidados pelo PS são para enganar o povo;
Ou o oxigenado dos dentes luminosos agitar o fantasma  da troika, caso as propostas venham a ser aplicadas.  
Ou o aldrabão mor  garantir que o governo defende o rigor e a verdade e não faz propostas eleitoralistas. (Como se os portugueses não se lembrassem da campanha vergonhosa de 2011).
Dito isto,  devo esclarecer que não embandeiro em arco. Há propostas em relação à Segurança Social que gostava de ver melhor esclarecidas, porque me parecem padecer do mesmo mal das apresentadas pelo governo, pondo em causa a sua sustentabilidade. Há um contrato social que não pode ser quebrado  e as propostas parecem fazer tábua rasa desse princípio.
Também queria perceber qual o truque de magia que permitirá reduzir a metade os números do desemprego em apenas quatro anos.
Há outros números  no quadro que publiquei no post anterior que me parecem demasiado optimistas mas, como já referi, fico à espera que os especialistas em quem confio esclareçam todas as dúvidas
Agora, não me venham com o argumento de que as propostas apresentam riscos e podem ir por água abaixo, se lá por fora as coisas não correrem bem. Isso pode acontecer com qualquer governo, independentemente do partido que esteja no poder. 
Há três factores positivos inquestionáveis nas propostas:
- Tira o garrote dos trabalhadores e das famílias;
- Obriga a centrar a discussão em termos políticos, o que implica debater o modelo de desenvolvimento que ambos propõem ao pais;
- Apresenta números e não apenas um conjunto de ideias avulsas.
Cabe agora aos partidos do governo contestá-las com seriedade e com argumentos sólidos, não com chicana política.

Adenda: Estou farto de ouvir falar de programa do PS. Por favor, não lancem a confusão. O que está em discussão não é o programa de governo do PS, mas um conjunto de propostas apresentadas por um grupo de economistas a pedido do PS.O programa do governo só será apresentado em Junho.

É mesmo possível uma alternativa? Que decepção!

 O documento ontem apresentado por  António Costa está a ser analisado como se de um programa de governo se tratasse, apesar de o secretário geral do PS ter desde logo alertado que não se devia confundir o documento com o programa do governo. Esse será apresentado em Junho.
Convém à direita estabelecer a confusão. Por distracção, demérito ou aliança estratégica, a esquerda embarcou no jogo do governo. Nada a que não estejamos habituados...
Vale a pena, apesar de tudo, analisar as diversas reacções.
Surpreendentes, as  de diversos economistas engajados com o actual governo, ou apoiantes das medidas de austeridade. Reagiram positivamente admitindo que há uma verdadeira alternativa, consistente e com pés para andar.
Expectáveis as dos partidos do governo mas, mesmo assim, merece especial destaque o facto de o PSD ter reagido com um coro de críticas, apenas 10 minutos depois de o documento de 95 páginas ter sido apresentado. Isto já diz muito sobre a seriedade das críticas do PSD, mas hoje Passos Coelho deu um toque picaresco à coisa, ao pedir uma versão editável das propostas, para poder fazer contas!
O CDS mandou Cecília Meireles- que nem para secretária do estado do turismo serviu- ameaçar com o papão do regresso da troika mas, tal como o PSD, não apresentou nenhuma prova concludente sobre o irrealismo das propostas. O que aliás seria difícil, perante a evidência deste quadro:

Roubado à Câmara Corporativa

PCP e BE também não se impressionaram e alinharam ao lado do governo nas críticas às propostas. Nada de surpreendente no PCP, que na última década não tem regateado apoio ao PSD sempre que se trata de atacar o PS.  Do BE, confesso que esperava um bocadinho mais de sensatez...
Pelo que fui lendo nas redes sociais, também alguns seguristas se mostram descoroçoados. Compreende-se. A sua aposta era um entendimento com o PSD para um Bloco Central e estas propostas afastam qualquer hipótese de isso vir a acontecer. É mesmo possível uma alternativa à fusão PS/PSD? Que decepção!- admitem alguns seguristas enquanto vão roendo as unhas e equacionam votar no PSD nas legislativas do Outono.
Quem sabe se o PSD não lança uma campanha de recrutamento de novos militantes, antes das legislativas, para receber os seguristas desiludidos com as propostas do PS?


Contra o "esquecimento"

Seria popular condenar a escola, mas não alinho nessa. A prova é que a medida permitiu reduzir substancialmente  o número de esquecimentos.

Nunca é demais lembrar



Hoje assinala-se o Dia da Terra.Pareceu-me apropriado recordar o momento em que se começou a olhar para a necessidade de preservar o ambiente e como foi evoluindo a abordagem às questões ambientais desde 1961.
Nesse ano, um livro de Rachel Carson (A Primavera Silenciosa) desperta as pessoas para os problemas ambientais, ao chamar a atenção para a existência de um eco-sistema e a necessidade de o preservar, como forma de garantir um ambiente saudável.
Em causa estavam os efeitos devastadores do pesticida DDT, que Carson descreve da seguinte forma:
“Para acabar com os escaravelhos que estavam a destruir os ulmeiros, a Câmara da cidade de East Lansing (Michigan) pulverizou as árvores com DDT e no Outono as folhas caíram e foram devoradas pelos vermes. Ao regressarem, na Primavera, os tordos comeram os vermes e ao fim de uma semana quase todos os tordos da cidade tinham morrido.”
Anos mais tarde foram encontrados vestígios de DDT em baleias criadas ao largo da costa da Gronelândia situada a centenas de quilómetros das áreas agrícolas mais próximas, e concentrações de insecticida nos ursos e pinguins da Antártida, longe de qualquer área sujeita a pulverização com DDT ou qualquer outro insecticida.
Durante a década de 60, são vários os acontecimentos que vão despertar as pessoas para a necessidade de preservar o ambiente e começa a falar-se da possibilidade de ocorrência de catástrofes ecológicas. Em 1966,enquanto no País de Gales cerca de 150 pessoas ( a maioria delas crianças) morrem sepultadas num monte de resíduos de carvão que desaba sobre uma escola, um novo livro ( “Limites para o Crescimento”) vem alertar o mundo para os sinais de degradação ambiental. 
No ano seguinte, um grupo de cientistas apresenta, na Califórnia, um relatório esclarecedor:os aerossóis estão a destruir a camada de ozono e se a sua utilização permanecer ao mesmo ritmo, o número de cancros da pele crescerá exponencialmente. Só nos EUA, os cientistas prevêem mais oito mil casos anuais. Entretanto, alterações de clima e inexplicáveis acontecimentos metereológicos lançam grandes preocupações na comunidade científica.
A causa ambiental ganha novos adeptos e a ONU decide avançar para a realização de uma Conferência Mundial sobre o Ambiente, marcada para 1972 em Estocolmo.A Cimeira- que conta já com a participação do Greenpeace fundado no Canadá em 1971- decorre em plena guerra do Vietname e os EUA são acusados de estar a perpetrar uma destruição ecológica durante o conflito. O debate entre países ricos e pobres, que há-de ser uma constante quando se discutem problemas ecológicos, é iniciado com uma intervenção de Indira Gandhi que pergunta aos delegados dos diversos países:
“Como podemos nós falar, àqueles que vivem em aldeias e bairros de lata, em manter limpos o oceanos, os rios e o ar, quando as suas próprias vidas são contaminadas desde a origem?”
Maurice Strong, - o secretário geral da Conferência- compreende o que está em jogo e responde nestes termos:“ É o cúmulo do descaramento que o mundo desenvolvido manifeste surpresa quando os países em desenvolvimento identificam chaminés fumegantes de fábricas com progresso. Afinal, é isso que nós temos feito desde sempre!”.

As posições de pobres e ricos mantiveram-se inconciliáveis e no final, para além de promessas (que não serão cumpridas) de ajuda dos países ricos aos países pobres, que permitam reduzir as diferenças que os separam, a única medida palpável foi a autorização para que fosse criado um secretariado permanente para estudar os problemas do ambiente, no seio da ONU.
Em 1987, o relatório da Comissão Brundtland veio deixar claro que os entusiasmos criados em Estocolmo tinham sido refreados e nem o acordo assinado por vários países, comprometendo-se a reduzir para metade a emissão de CFC (clorofluorcarbonetos) responsáveis pela destruição da camada de ozono, dá mais confiança aos ambientalistas numa solução do problema.
Indiferentes aos problemas ambientais e gozando, por vezes, da complacência dos governos, as multinacionais vão explorando os recursos dos países do terceiro mundo, especialmente os asiáticos, e sendo responsabilizadas por desastres ecológicos que provocam número indeterminado de vítimas, como o de Seveso (Itália), Bhopal (Índia) ou Exon Valdez (Antártida). O património histórico também está ameaçado e a UNESCO alerta para os perigos que ameaçam a Acrópole. Em Chernobyl (URSS) – mofando de quem assegurava a impossibilidade de um acidente - explode um reactor nuclear que liberta para a atmosfera uma gigantesca nuvem radioactiva que atinge vários países europeus e, na Alemanha, um incêndio numa fábrica de produtos químicos polui gravemente o Reno.
Em 1990, novos acordos para a eliminação , até ao ano 2000, dos produtos mais perigosos para a camada de ozono e a redução das emissões de gases poluentes são alcançados, chegando-se à Cimeira da Terra que se realizou no Rio de Janeiro em 1992, num clima de grande optimismo. Debalde. Durante a Cimeira, as desavenças entre países pobres e ricos acentuam-se e mesmo no seio dos países da UE as fricções são bem visíveis..
O principal êxito da Cimeira foi o seu mediatismo, que trouxe a temática ambiental para a discussão pública e criou uma maior consciencialização das pessoas para o problema.
A partir daí multiplicaram-se as cimeiras sobre alterações climáticas e o ambiente- quase sempre inconclusivas e com acordos meramente circunstanciais- onde a tónica assenta na necessidade de garantir um consumo e desenvolvimento sustentável. Os resultados foram mais positivos na alteração do comportamento dos consumidores- fruto de uma crescente consciencialização- do que nos modos de produção. Empresas de países emergentes como a China, a Rússia ou a Índia, continuam a utilizar maioritariamente os combustíveis fósseis em detrimento de energias mais limpas.
Quarenta e três  anos após a Cimeira de Estocolmo, mais de  50 desde o livro de Rachel Carlson e muitas Cimeiras depois, embora conhecido o diagnóstico e as possíveis medicamentações para a cura do Planeta, os “médicos” continuam a olhar para a doente com ar grave e, com um encolher de ombros, declarar: “a doente está muito mal, mas não vamos fazer nada para a curar, porque não nos entendemos quanto à medicação a ministrar-lhe”.
No próximo Outono, em Paris, realizar-se-á mais uma cimeira sobre o clima, que está a gerar grandes expectativas. O mais provável é que se consigam alguns acordos circunstanciais pouco significativos  e, daqui a um ano, voltemos a assinalar o Dia da Terra com  muita propaganda informativa, muitas celebrações e assinaturas de programas para o crescimento verde, que apenas servirão para consumir papel. Reciclado?


Uma questão de realismo

Sempre manifestei bastante descrença quanto à possibilidade de o FC do Porto eliminar o Bayern Munique e passar às  meias finais.
Nem o resultado (3-1) alcançado no Dragão me demoveu. Apesar de  permitir sonhar, o amarelo visto por Danilo nos minutos finais do jogo de quarta-feira  refreou-me  de imediato o ânimo. Ir a Munique jogar sem os dois laterais titulares tornava a tarefa ainda mais difícil. E, como se não bastasse, Lopetegui decidiu improvisar, fazendo entrar Reyes para lateral direito..
Alguns acusaram-me de ser pessimista. Estava apenas a ser realista, como hoje se confirmou. A minha paixão azul e branca não me cega e ainda me lembro do desastre de Sevilha na época passada onde ( aí sim...) tínhamos todas as possibilidades de ter êxito, se o treinador fosse outro.
O caminho faz-se caminhando e na próxima época os jogadores terão assimilado melhor as ideias de Lopetegui,  talvez nas mesmas circunstâncias deste ano eu  esteja mais optimista.
Nunca se digere bem uma derrota e uma eliminação na mais prestigiada e difícil competição do mundo entre clubes, mas esta custou-me menos por estar à espera dela. 
Além disso, o FC do Porto continua a ser a única equipa portuguesa que conseguiuivener o Bayern sendo que, uma delas, valeu a conquista  da Taça dos Campeões Europeus.
 Para ser sincero, digo-vos que trocava bem esta eliminação por uma vitória robusta no próximo domingo na Luz. Na qual até cheguei a acreditar, antes de saber que o jogo teria lugar cinco dias depois de Munique e um resultado desastroso na Alemanha poderia ser pernicioso para as nossas aspirações.  Agora é mais difícil mas não tão impossível, como era a tarefa perante os alemães.
BIBÓ PORTO!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Sim, a alternativa existe!


Vale a pena seguir o link e ler este artigo do insuspeito Pedro Santos Guerreiro, para desmistificar a ideia de que PSD e PS são iguais. E talvez seja também altura de perceber por que razão Costa é diferente de Seguro.
A alternativa à austeridade cega existe e a melhor prova disso foi a reacção imediata dos partidos do governo, que se vai ver obrigado a discutir o futuro do país e abandonar os jogos florais do jardim da Marilú Celeste.

Vocês sabem do que estou a falar...

Não sou de roer as unhas mas que começo a ficar impaciente, não há como negar. E vou sofrer muito durante duas horas. 
O que vale é que estou preparado para o pior cenário...

Mudança de táctica

Em 2011 Passos Coelho mentiu aos portugueses, prometendo exactamente o contrário do que viria a fazer quando chegou ao pote.
Agora, como  os portugueses já  conhecem o valor da palavra de Passos Coelho,  utiliza outro argumento. Se aguentarem todas as medidas de austeridade que vos proponho ( cortes nas pensões, salários mais baixos, trabalhadores a pagarem a TSU das empresas, fim do estado social, do SNS e estágios a fingir de empregos), vamos ter um país fantástico.
A muleta  bate palmas, lança uns risinhos nervosos e concorda. Vamos ter um crescimento do camandro

A coligação PSD/CDS é inevitável?

Nem por isso.  
Por vontade de Passos Coelho não haveria coligação nenhuma. Está farto das birras do Portas, o Pires de Lima apesar de dizer que é um soldado disciplinado, às vezes ameaça abandonar o quartel  e, last but not the least, Passos acredita mesmo que pode ganhar as eleições apresentando-se sozinho .
No entanto, não será fácil Passos Coelho desenvencilhar-se dos meninos mimados e impertinentes do CDS.
Dentro do PSD a maioria quer manter a coligação. Por muito que Passos lhes diga que o CDS é um empecilho, só atrapalha e seria muito mais confortável  apostar numa vitória sozinho e  depois  convidar o CDS, fragilizado, a servir de muleta, do que ir a votos em coligação e sujeitar-se às chantagens de Portas.
No grupo parlamentar do PSD poucos são os que compram esta teoria  e argumentam que, caso o PSD  perca as  eleições, Portas irá a correr lançar-se nos braços de António Costa.  Por uma vez, há que dar razão a Passos e elogiá-lo pela  coragem em assumir riscos.
Só que, repito, será muito difícil a Passos  manter esta  posição. O  CDS está disposto a abdicar de todas as suas bandeiras – como já se viu no recuo  em relação à TSU, à extinção da taxa extraordinária do IRS e às pensões dos reformados-  para  manter  um lugar no pote.
 Bem pode argumentar Passos que  Portas não é de confiança  e  dizer que só aceita ir a votos coligado se o CDS assinar um acordo pré- eleitoral, onde fique determinado o número de ministérios que lhe cabem em caso de vitória. Só que ele também sabe que o CDS será exigente, porque acredita valer mais do que efetivamente vale e  isso é um obstáculo a um acordo prévio.
Não tenho dúvidas que se Passos pudesse decidir sozinho,  prescindiria da muleta do CDS.  Não sei é se conseguirá fazer valer a sua tese. Os defensores da coligação não deixarão de esgrimir as sondagens que apontam para a possibilidade de PSD e CDS, coligados, poderem ter maioria absoluta.  Como a seu tempo se verá, este argumento é enganador. As eleições do Outono irão trazer grandes  surpresas, pela dispersão de votos nos “pequenos” partidos que pela primeira vez entram em cena. Se o CDS concorrer sozinho,  ficará reduzido a uma expressão minimalista. Talvez um táxi seja demasiado grande para transportar os seus deputados. Os portugueses penalizarão mais o CDS – que consideram um partido imprestável-do que o PSD. Portas sabe disso. Passos também.  
Por isso mesmo penso que, não sendo a coligação inevitável, acabará por se concretizar por força das pressões internas no seio do PSD e pela vontade de Portas se manter agarrado ao pote.. 
Restará a Passos forçar o CDS a aceitar  um acordo pré-eleitoral que o reduza à sua insignificância. Não será fácil.

A Gaiola das Malucas

Marco António Costa foi o porta voz da indignação do PSD, motivada pelo salário de 10 mil euros atribuído ao presidente da RTP  e pediu explicações ao CGI da estação pública.
A resposta não se fez esperar: o salário foi aprovado por Poiares Maduro e Maria Luís Albuquerque.- esclareceu o CGI
À primeira vista parece que o PSD é uma espécie de Gaiola das Malucas. Mas não é. Eles sabem muito bem o que fazem  e como fingir que se indignam  com uma filha da putice. Como se o chefe do bordel não soubesse de nada!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

E que tal encontrar o ponto de equilíbrio para a idade da inocência?

Há dias, em Inglaterra, um jovem de 13 anos  foi condenado a prisão perpétua por ter assassinado uma mulher.
Hoje, em Espanha ( Barcelona), um outro jovem, também de 13 anos, entrou na escola com material para fabricar cocktails molotov e uma besta, matou um professor, feriu uma professora e três alunos à flechada . Está sob custódia, porque é inimputável

Sarkozy tentou, durante o seu mandato, aprovar uma lei que responsabilizasse os filhos inimputáveis. A proposta gerou forte controvérsia e acabou por não ser aprovada.

Entre uma sentença de prisão perpétua e a inimputabilidade há uma amplitude abissal. A proposta de Sarkozy não contribuirá, certamente, para reduzir a criminalidade juvenil, mas há que encontrar urgentemente um ponto de equilíbrio entre a prisão perpétua e a inimputabilidade.
Não podemos é continuar, impassíveis, a olhar para o aumento da criminalidade juvenil e encolher os ombros ou desculpar os crimes com a idade da inocência.

Lágrimas de crocodilo





As Primaveras árabes  sonhadas pelos EUA e encorajadas, apoiadas e fomentadas pela Europa,  redundaram  num mar de sangue na Síria, no Egipto, no Iraque, ou na Líbia. Derrubaram-se ditadores e favoreceu-se a instalação da Lei da Selva.
 Pior do que dar um tiro no pé, foi abrir mais uma caixa de Pandora de consequências imprevisíveis
A invasão da Líbia ( a pretexto do cumprimento de uma resolução da ONU) foi um dos maiores erros políticos e estratégicos da UE. No tempo de Kadhaffi a Líbia era um tampão que diariamente  impedia a entrada na Europa de milhares de emigrantes.
Derrubado Kadhaffi, instalada a Lei da Salva em toda a região, consumadas as perseguições étnicas e religiosas, milhares de homens, mulheres e crianças fogem do terror que o Ocidente instalou no norte de África e demandam a Europa - já não apenas em busca de melhores condições de vida, mas tentando salvar as suas vidas.
O Mediterrâneo transformou-se num gigantesco cemitério. A invasão de imigrantes e refugiados provenientes dos países do Norte de África está a criar graves problemas à Europa e a pôr a nu a hipocrisia e desumanidade dos líderes europeus que nos governam.
Durante muitos anos a Europa não só tolerou as ditaduras de Ben Ali, Mubarak e Kadhaffi ( para não falar de muitas outras…) como as apoiou. E ganhou muito dinheiro com elas. Só em 2010, vendeu aos ditadores africanos quase 400 milhões de euros em armamento, que hoje está em grande parte nas mãos do ISIS, por causa da tragicomédia da Primavera Árabe.
Hoje, os líderes europeus dizem-se muito chocados com a chacina que está a ocorrer no mediterrâneo mas, como já aconteceu anteriormente, as medidas para impedir este massacre reduzir-se-ão a atirar dinheiro para cima do problema e, quiçá, a mais um pacote de medidas securitárias visando coarctar mais um pouco a liberdade dos cidadãos europeus.
Entretanto, o problema vai agravar-se nos próximos tempos, perante a inércia da UE. Aberta a caixa de Pandora, os lideres europeus não sabem como reagir, porque não sabem o que se está a passar.

Os caras pálidas

Na semana passada escrevi este  post sobre as manifs no  Brasil.
Embora tenha recebido apenas dois comentários de leitores, recebi igual número de mails e um telefonema de familiares brasileiros desmentindo o que eu escrevera. O mais veemente e inflamado, foi o telefonema. Apesar de esse familiar viver em Portugal, garantia-me que amigos em S. Paulo tinham estado presentes e afiançavam que  os manifestantes tinham ultrapassado largamente o milhão. Ou seja, 10 vezes mais do que a Folha de S. Paulo noticiara.
Alexandra Lucas Coelho também estava em S. Paulo e foi ver. E como a considero absolutamente insuspeita, aqui fica o que ela escreveu no "Público" e reforça a minha convicção sobre as manifs anti Dilma

A prova do ketchup

domingo, 19 de abril de 2015

Casal de funcionários públicos aproveita Lei da Natalidade

Ele: Vou aproveitar a proposta do governo  para apoiar a natalidade. Passo a trabalhar apenas  de manhã e fico com as tardes livres.
Ela: Acho uma óptima ideia. Mas eu vou trabalhar só de tarde. Assim não corremos o risco de nos encontrarmos.
Joãozinho: Então isso quer dizer que a tia Lídia vem lanchar cá a casa e o Tio Jacinto vem tomar o pequeno almoço, ou continuam todos a comer fora?

Bibó Porto (46)


 No Largo Actor Dias, entre as ruas do Sol e de S. Luís, está situada a Capela dos Alfaiates ( também conhecida como Capela Senhora de Agosto).
Construída no século XVI, no largo fronteiro à Sé.viria a ser considerada monumento nacional em 1927.
Em 1936 foi desmantelada para proceder à reedificaçãop do largo da Sé. Reconstruída peça a peça, foi instalada em 1953  no local onde ainda hoje se encontra.


Especial destaque merece o retábulo de talha dourada composto por oito peças/tábuas que retratam episódios da vida da Virgem e do Menino.