sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

Bibó Porto (23)



Vai um cafezinho no Magestic?

No Dia das Bruxas, as vedetas foram os palhaços



Somos um país muito singular.
 No Dia das Bruxas, quem tomou conta do palco foram os palhaços e, em vez de abóboras, houve nabos  a boiar nas sanitas de S. Bento.
Aqui ficam alguns exemplos:
Que um ministro faça criticas à oposição é normal. Agora quando um indigente , cuja única actividade conhecida é vender notícias  para a comunicação social, vem fazer piadas a despropósito apetece-me logo mandá-lo bardamerda!
Cavaco é perito em descobrir coisas. (Deve ser a reincarnação do Vasco da Gama!).  Não é qualquer um que consegue descobrir  serviços de extraordinária relevância numa bola de sebo  e transformá-la em herói nacional.  Cavaco consegue.  Consta-me que no próximo Dia das Bruxas Luís de Matos vai convidá-lo para sócio honorário  do Clube dos Ilusionistas Mortos.
Mas, neste Dia das Bruxas, os palhaços quiseram manifestar a sua força, fazendo um desfile em S. Bento.
Mais de uma centena de palhaços que há mais de três anos andam a chular os contribuintes portugueses, aprovaram o OE 2015. 
O único governante que levou a sério este Dia das Bruxas e da Poupança, foi Paulo Portas.  Dando provas de  patriotismo e grande responsabilidade institucional,não foi andar de avião.  De manhã foi até S. Bento ver a performance dos palhaços, tendo no final feito um discurso alusivo. Seguiu-se um almoço com aquele célebre benemérito do CDS/PP que dá pelo nome de Jacinto Leite Capelo Rego. 
À tarde foram os dois jogar  ( mini) golfe num hotel de Lisboa. No final, Jacinto oferecerá mais um donativo ao Portas CDS/PP.

Lições do Dia Mundial da Poupança



Em tempos acreditava que o Dia Mundial da Poupança servia para incentivar os consumidores a fazerem economias , evitarem os consumos supérfluos e elucidá-los sobre os cuidados que devem ter na aplicação das suas poupanças.

Agora percebi que estava enganado. O Dia Mundial da Poupança é apenas uma forma de cativar as poupanças dos consumidores e enfiá-las nos bolsos dos agentes dos mercados financeiros, para que eles se possam divertir a jogar à roleta  com o nosso dinheiro.

Queres fiado? Toma!


Se não me estás a entender, Marilú...


... talvez o Portas seja mais explícito

quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Sim, senhor ministro! Obrigado, senhor ministro!




Nuno Crato foi um dos cinco membros do governo convidados para discursar no aniversário da UGT. ( Nunca tinha visto uma central sindical celebrar um aniversário tendo como convidados de honra  governantes  e um PM que  achincalha os trabalhadores, mas nunca é tarde para aprender a conviver com estas modernices. Bem aventurado sejas, Carlos Silva, por já teres esquecido que Passos Coelho  elegeu como uma das suas prioridades de governo “vergar os sindicatos”. És um herói, pá! Bem mereces que o Cavaco te condecore e o Passos mande erigir uma estátua em S. Bento).
Incentivado pelos aplausos dos sindicalistas ( serão mesmo? Não serão patrões travestidos?)  Nuno Crato fez mais um dos seus números de malabarismo circense. Depois de há dias  ter pedido desculpa aos portugueses pelos atrasos  no início do ano escolar e pelos prejuízos causados a milhares de pais, professores e alunos, Crato aproveitou o momento para dizer, perante os holofotes das câmaras, que o caminho traçado por este governo para a educação é o correcto.
Pouco importa que haja professores por colocar, alunos sem aulas há quase dois meses, professores tratados como lixo, famílias gravemente lesadas ( moral e financeiramente) pela incompetência da equipa ministerial. 
O palco oferecido por esse sindicalista proveniente da escola de virtudes que é o BES, foi o local ideal para Crato se purificar, perante a opinião pública desatenta, ignorante e desinformada. Carlos Silva e a sua trupe aplaudiram, Crato agradeceu, deu uma volta ao palco em ombros e os trabalhadores  ficaram a perguntar para que raio hão-de descontar para um sindicato de  vendidos.

Onze minutos ( ou a promiscuidade entre os coelhos)



Onze minutos é o título de um livro de Paulo Coelho, cuja protagonista é uma miúda que vai viver para Genève , porque acredita que ganhar a vida na horizontal é fixe. 
Onze minutos é o tempo que ela demora a abrir e fechar as pernas em camas de pensões esconsas, a troco de umas centenas de francos suíços.
Esta manhã,  Pedro Passos Coelho resolveu reescrever o livro de Paulo Coelho, substituindo a protagonista pelo papel de um aldrabão treslouicado que ele próprio fez questão deinterpretar.
Durante o debate na AR, o PM anunciou, às 11h 53m que iria propor a reposição de mais 20% dos salários dos funcionários públicos em 2016, o que contraria a decisão do TC que obriga à reposição integral dos salários .
Onze minutos depois, às 12h04m, o PM anuncia que irá repor integralmente os salários dos funcionários públicos em 2016.
Confrontado por Luís Fazenda com a contradição, Passos Coelho acabou por confirmar, uma hora mais tarde, que será coerente e só reporá 20%.  Pelo menos a violar a Constituição e contrariar as decisões od TC. Passos Coelho é coerente. 
Já todos sabíamos que Passos Coelho é um aldrabão compulsivo, mas nunca  tinha visto uma prova tão rápida  da incoerência, falta de palavra e canalhice, como a que hoje protagonizou  Se este homem não está louco, vai rapidamente a caminho. 
Se em Belém estivesse um PR na posse plena das suas faculdades, já teria demitido PPC, por insanidade mental. 
Se tivéssemos um povo que se desse ao respeito, já estaria há muito tempo à porta de Belém  a reclamar a demissão do governo e só de lá sairia quando fosse satisfeita a sua exigência. 
Infelizmente, em Portugal, não temos nem PM, nem PR, nem Povo.

As promessas de Alice


Hoje, assinala-se o Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama.  Não deixe para amanhã, o que pode fazer hoje.

Vêm aí os russos?

Putin resolveu divertir-se um bocadinho. Espalhou uns aviões pelo espaço europeu e deixou a NATO e as instâncias europeias em polvorosa.
Quem pensava que Putin  ficava quieto depois   da ofensiva europeia na Ucrânia e das ameaças a Moscovo, desenganou-se.
Não foi uma provocação, nem uma ameaça. Foi apenas uma manobra de diversão. Pelo menos, por agora, mas se os EUA e a UE persistirem na tentativa de isolar a Rússia e a vergar aos seus interesses, podem vir por aí grandes amargos de boca.
É sempre muito insensato provocar um leão ferido. 

quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Os homofóbicos da S. Caetano



Lembro a algum leitor mais desmemoriado, que a alimária da foto se chama Hugo Soares, é líder da JSD e afirmou há tempos, na Universidade de Verão dos laranjinhas, que os pais e avós são um estorvo e uma despesa.
Chamo este tema à colação, porque Hugo Soares parece ter evoluído um bocadinho nos últimos tempos. Perante a indignação dos deputados laranja, na sequência da proposta apresentada pelo PS para a criação do Dia Nacional contra a Homofobia, o Hugo foi mais moderado do que lhe é habitual. Considerou que “todos os projectos que tenham como objectivo combater a discriminação são bem vistos por todas as bancadas”. À primeira leitura, até me pareceu uma resposta acertada, mas depois fui ler a notícia em jornal mais credível e verifiquei que o Hugo também disse que “ tem de se avaliar se tem de haver algum critério na criação de dias nacionais”. 
Ora aqui é que a porca torce o rabo! Se bem me lembro, foi o PSD que apresentou a proposta de criação do Dia do Cão! Se esse dia é mais importante, para o PSD, do que o Dia Internacional contra a Homofobia, parece-me legítimo concluir que na S. Caetano os animais são muito mais importantes  do que os homossexuais. 
Compreende-se que um partido liderado por um coelho queira defender os  direitos dos animais, mas considerá-los mais importantes do que os seres humanos parece-me manifestamente exagerado.
Esta confissão homofóbica do líder da JSD foi, aliás, apoiada por outro ex-lider dos laranja sub-35. Duarte Marques, o homem que não teve dúvidas em afirmar que o combate ao desemprego é uma  questão de fé, reagiu à proposta do PS com esta frase lapidar:
“Só um louco é que pode achar que este tema é uma prioridade. Quando se está a discutir o OE,  a prioridade ( de António Costa) é criar um dia contra a Homofobia?”
Não vale a pena perder tempo com a falta de seriedade desta resposta. Misturar alhos com bugalhos sempre foi próprio da JSD. Presumo mesmo que na Universidade de Verão haja uma disciplina  sobre essa temática, tal é a profusão de líderes da agremiação das laranjas que recorrem à técnica do discurso mixordeiro, para confundir a opinião pública.
O que importa agora salientar é a aversão do PSD a discutir, durante meia hora, a criação do Dia Nacional Contra a Homofobia, que coincidiria com o Dia Internacional Contra a Homofobia.
Só encontro duas explicações. Ou estes jotinhas têm medo ( e vergonha) de reavivar aventuras homossexuais vividas na adolescência, para não manchar a sua reputação, ou foram educados nesta Escola de Virtudes dos Macho Man.

Uma questão de (in)coerência



Sinceramente, não considero isto um acto de censura. Trata-se de uma revista científica e os leitores têm a legítima expectativa de aí encontrarem artigos fundamentados.
No entanto, se fosse director do ICS, não retiraria o artigo. Apenas incluiria uma chamada de atenção aos leitores, para o facto de não se tratar de um artigo com fundamentação científica, mas sim um exemplo do descontentamento popular, atrvés de formas de expressão urbana.
O que me causa perplexidade é constatar que,  no tempo de Sócrates, este acto seria veeementemente condenado pelo grupo dos camisinhas brancas, como acto de censura inqualificável. 
Agora, curiosamente, consideram normal (e até aplaudem) a decisão do director do ICS.

Roubo por esticão



Quando, poucas semanas depois de tomar posse, o governo começou a dizer que vivíamos acima das nossas possibilidades e tínhamos de recuperar hábitos de poupança, torci o nariz. Não só manifestei aqui o meu desagrado pela ingerência do governo na gestão das minhas finanças, como alvitrei a hipótese de o apelo à poupança ser uma estratégia do governo para depois se apropriar de parte das economias dos portugueses, aumentando os impostos.
Três anos depois, confirmou-se a minha suspeita: o governo decidiu agravar os impostos sobre os PPR., apropriando-se de mais uam parte substancial das poupanças dos portugueses.
Como adivinhei que isto iria acontecer?- perguntarão alguns leitores.
É simples. No início da minha actividade profissional, na área da psicologia, exerci na cadeia de Paços de Ferreira. Aí contactei com inúmeros criminosos e aprendi a compreender o seu raciocínio e modus operandi. Impressionou-me, particularmente, o modelo comportamental de um recluso especialista em se insinuar junto de velhinhas, para ganhar a sua confiança e depois as roubar. 
Foi só aplicar o que aprendi com eles a esta gente que nos governa e rouba com o despudor de um qualquer assaltante de velhinhos indefesos, para prever o que iria acontecer. 

terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Do Céu caiu uma excêntrica



A missão do Euromilhões é criar excêntricos, essa espécie de milionários de aviário que, graças a umas cruzinhas marcadas nos números certos, entram para o reduzido grupo de eleitos dos beneficiados pela sorte. 
Na última sexta-feira nasceram mais dois excêntricos "made in Portugal". A identidade de um deles  é desconhecida. Sabe-se apenas que arriscou alguns euros e, por ter acertado nos números mágicos, vai receber 152 milhões de euros. O que vai fazer com o dinnheiro? Problema dele...
O outro excêntrico é do sexo feminino. Vai receber 38 milhões de euros, mas não teve sequer de registar o seu palpite. Basta-lhe aproveitar-se da sorte dos outros, para reclamar o seu quinhão. 
Maria Luís Albuquerque bem podia partilhá-lo com os mais desfavorecidos, mas irá usá-lo  para pagar seis meses de ordenados aos boys dos gabinetes.Ou para algumas excentricidades, que a campanha eleitoral reclame.

O Respigador

Um leitor pediu-me, na caixa de comentários, para dar a minha opinião acerca das declarações de Passos Coelho  sobre os jornalistas.
Como andei desligado das notícias durante a minha ausência, não sabia nada sobre o assunto e fui investigar.
Devo dizer que patético é o pm acusar os jornalistas de não assumirem os erros. Não o digo pelo facto de Passos Coelho ser incapaz de admitir um erro- e ele próprio ser um erro da natureza- nem por ignorar que os erros do matemático Crato e da loira Paula  prejudicaram milhares de portugueses. Para Passos Coelho, as pessoas são  um entrave que não o desviam do caminho da loucura alucinada. O que me parece patético é PPC acusar de preguiçosos os jornalistas, quando foi ele o primeiro a explorar essa fraqueza de alguns.
Durante a pré campanha eleitoral  convidava  jornalistas e blogueiros de grande audiência para almoçaradas, onde debitava uma série de mentirolas e fazia promessas que sabia nunca iria cumprir, no caso de ser eleito. Sem qualquer espírito crítico, os referidos jornalistas  publicavam as declarações de PPC  em tons elogiosos, por vezes tão pacóvios, que dava pena.
 O DN foi o viveiro onde o então líder do PSD foi colher o maior número de jornalistas venerandos. Tão descarados no apoio ao grande líder, tornaram o DN numa célula do PSD. A todos Passos recompensou com lugares  em gabinetes, direções gerais,  institutos públicos e, em pelo menos um caso, com um lugar de secretário de estado.
Compreendo ( e até concordo) que PPC chame preguiçosos a esse tipo de jornalistas . Se fossem jornalistas a sério, na altura teriam confrontado PPC  sobre situações do seu passado que já eram conhecidas ( a ligação à Tecnoforma, o escândalo das verbas do FSE e a ONG Lusófona). Optaram por servir de amplificadores  das palavras de PPC, em vez de investigarem e aprofundarem alguns factos  da sua vida, sussurrados baixinho na noite lisboeta frequentada por jornalistas.
Se tivessem sido conhecidos na altura, PPC nunca teria sido  primeiro ministro. Agora, com PPC na mó de baixo, vai ser fácil fazer dele saco de pancada mas, mais uma vez, os preguiçosos e oportunistas vão aproveitar o trabalho de jornalistas laboriosos, que investigaram a fundo as ligações perigosas do então deputado Passos, para cavalgarem a onda do repúdio a um pm inconsciente, incompetente e impertinente..
Por sorte, a imprensa de hoje tem vasta escolha de opiniões sobre o assunto, muito assertivas e certeiras, com as quais me identifico. Não vou, por isso, alongar-me em mais considerações. Está lá  (quase) tudo.
Apenas como exemplo, deixo estas duas:
Patético e preguiçoso me confesso- João Miguel Tavares
Uma cábula de Passos para jornalistas preguiçosos- Pedro Tadeu

Sei que estás em festa, pá!..

Não foi uma Revolução.
Não foi mudança.
Foi voto de confiança.
Os mais pobres tiveram voz e Dilma ganhou. À pele, mas ganhou, graças ( em parte) ao grande contributo de Lula na parte final da campanha. Dilma não vai ter tarefa fácil. Como não teria Aécio. Acabar com a corrupção, no actual quadro multipartidário, é tarefa ciclópica.
Agora é a nossa vez de pedir ao Chico que nos mande um cheirinho de alecrim e um sinal de esperança. Daqui a um ano queremos festejar na rua a derrota desta coligação que destruiu o país, perante a passividade e abulia do povo..

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Just arrived

Regressei a Lisboa ao princípio da noite. Como não levei comigo nenhum aparato tecnológico, para além do velhinho telemóvel, quando cheguei a casa, liguei-me à Net.
Agradeço a todos/as amigos/as que me enviaram os parabéns aqui, no On the rocks no FB e no Twitter. Amanhã visitarei cada um de vocês para agradecer individualmente a vossa simpatia e amizade. Bem hajam!

Ajuste de contas




Em 1990, estava eu numa conferência sobre Direitos Humanos em Montreal quando, após ter feito uma intervenção sobre os direitos das minorias autóctenes, fui interpelado por um representante  do Suriname que queria saber a minha opinião sobre a pretensão de alguns países das Caraíbas em receber indemnizações dos países europeus colonizadores , por causa do tráfico de escravos e o genocídio de indígenas naqueles países.
Respondi que se a pretensão dos países caribenhos  tivesse qualquer viabilidade, à luz do direito internacional, então também deveria ser equacionada idêntica reparação para os países africanos, onde os países europeus perpetraram atrocidades similares. Lembrei, também, que haveria que colocar nos pratos da balança o Deve e o Haver resultante dos Descobrimentos. É que, embora reconhecendo os erros e os actos de selvajaria  ( seria mais apropriado falar em barbárie) dos Descobrimentos, os países colonizados também extraíram benefícios  que teriam de ser contabilizados.( Felizmente ninguém me perguntou quais…)
Terminei dizendo que, em qualquer caso, não me parecia que uma reivindicação desse teor tivesse qualquer viabilidade se desencadeada por um ou dois países, devendo antes  ser discutida no seio da  Comunidade  das Caraíbas (CARICOM).
( A CARICOM é uma organização criada em 1973, por ex-colónias de países europeus que se juntaram após a independência, para resolver problemas comuns)
No ano seguinte, em Manila,  tive oportunidade de ouvir uma intervenção inflamada de um representante  da Jamaica que reclamava uma acção concertada dos países do CARICOM no sentido de ser estabelecido, com urgência, um caderno reivindicativo, para que as indemnizações fossem pagas até final de 1999.
Ainda ouvi algumas  intervenções sobre o tema em Port Moresby, Soufriere e Paramaribo( talvez em mais um ou outro lugar que não recordo)  mas, meses depois  da Cimeira do Rio, em 1992, novos desafios exigiram a minha dedicação exclusiva a um programa sobre  desenvolvimento sustentável. 
Reduzi a pegada ecológica e mudei de interlocutores( embora sem perder contacto com o programa dos Direitos Humanos). 
Em 2001, em Durban, durante o jantar de encerramento de uma conferência sobre sustentabilidade, tive oportunidade de conversar durante alguns minutos com o representante da CARICOM e não resisti a perguntar-lhe  qual era o ponto da situação sobre o pedido de indemnizações pretendido por alguns países caribenhos. Evasivo, respondeu-me apenas que  teria de ser uma decisão tomada a nível de governos e não havia sequer consenso para avançar. Ainda tentei sacar mais algumas informações mas, perante as evasivas, senti que se erguera um muro que não quis ultrapassar. Até porque já era conhecido, nessa altura, o pedido de indemnização de quase 700 mil milhões de euros, feito em 1999 por vários países africanos, alegando razões idênticas às invocadas pelos países caribenhos.
Ao longo dos últimos anos fui tendo notícias da realização de  conferências intergovernamentais ( com a presença de instituições da sociedade civil) no intuito de ser alcançado um consenso para a elaboração de um documento  onde sejam definidos os montantes das indemnizações a reclamar aos países colonizadores. Sei, também, que a grande dificuldade de consenso, reside nos termos em que essa reparação deverá ser feita , de molde a não afrontar os países europeus.
Em Junho  houve uma reunião com a UE, onde o assunto foi debatido e há duas semanas, em Antigua, teve lugar mais uma dessas conferências. Em cima da mesa esteve a discussão de uma proposta da CARICOM que poderá conduzir à abertura de negociações com os países colonizadores ( Portugal, Espanha, Holanda, França e Inglaterra ).
Os 15 países presentes acusaram os países colonizadores de serem responsáveis pela situação sócio-económica  da região, por causa da escravatura. Exigem, por isso, ser recompensados, através de investimentos dos ex- colonizadores na região, nomeadamente construindo infra-estruturas (escolas, centros de saúde, hospitais e estradas) e defendem o não pagamento de dívidas aos antigos colonizadores.

Não vou pronunciar –me sobre a justeza da reivindicação. Pretendo ir bastante mais longe: a possibilidade de reescrever a História.
Se um dia as negociações forem encetadas, é inevitável que se reabra a discussão sobre o papel dos países colonizadores durante os Descobrimentos. Nessa altura, os contos de fadas que nos ensinavam na escola primária deixarão de fazer sentido e Oliveira Martins talvez seja mais lido, do que alguma vez foi, pelos portugueses.  
Durante séculos, esse período da nossa História foi-nos apresentado  como uma epopeia e Os Lusíadas como Bíblia.  Os historiadores davam uma ajuda e a maioria dos professores de História omitiam o lado sangrento desse período, onde foram cometidos crimes ignóbeis por aqueles que endeusamos como heróis. ( Vasco da Gama, por exemplo, era um sanguinário impiedoso que cometeu crimes bárbaros que nos dias de hoje o levariam  ao Tribunal de Haia, onde seria condenado sem remissão, por crimes contra a Humanidade).
Será a oportunidade de nos conhecermos melhor e de tirar algumas teias de aranha das nossas imaculadas cabecinhas. Como, por exemplo, a glória de termos sido pioneiros da globalização. Porque os Descobrimentos, meus caros, é uma página da nossa História que nos enobrece pela ousadia, mas também nos envergonha pela barbárie que lhe esteve associada.