quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXIII)


Porque já estava com saudades dos Doors..
Boa noite e boa semana

O juiz e a mulher de César




O facto de Paulo Vistas (presidente da Câmara de Oeiras) ser amigo pessoal e padrinho de casamento do  juiz Nuno Cardoso, pode não ser  condição suficiente para que o magistrado peça escusa na apreciação de uma causa em que Paulo Vistas é parte interessada.
Acontece, porém, que  o presidente da Câmara de Oeiras contratou a mulher do juiz há poucos meses para trabalhar na autarquia.  Ora esse emprego pode estar em perigo, se Paulo Vistas perder as eleições em Outubro. Logo, além da amizade, existe uma evidente comunhão de interesses entre o juiz e o presidente da câmara: ambos gostariam que Paulo Vistas fosse reeleito. 
Ora este facto já me parece ter relevância bastante, para que Nuno Cardoso tivesse pedido escusa na apreciação de um caso envolvendo candidaturas de adversários de Paulo Vistas.
Não pediu. O único pedido que fez foi para estar de turno em Oeiras, na primeira semana de Agosto. Pedido concedido, coube ao juiz Nuno Cardoso apreciar duas candidaturas independentes  à CM de Oeiras (uma delas de Isaltino Morais).
Como é sabido, o juiz chumbou ambas. 
Os candidatos  recorreram e o tribunal de Oeiras  deu-lhe razão. 
Se Nuno Cardoso fosse político já toda a comunicação social lhe teria chamado corrupto. Como é juiz, ninguém se atreve sequer a colocar em causa a sua honestidade.
Nenhum jornalista ousa sequer lembrar ao senhor juiz a história da mulher de César? Pois eu acho que estando envolvida a mulher do juiz, seria muito oportuno levantar a questão.
Eu até acredito que o juiz Nuno Cardoso seja a pessoa mais honesta do mundo. O problema não está aí, mas sim no facto de não se ter lembrado que a um juiz não chega ser honesto. Tem de parecê-lo. Perdoará o senhor juiz, mas eu analiso este caso e vejo que a honestidade e a justiça ficaram muito mal na fotografia.
Compete agora ao Conselho Superior de Magistratura, retocá-la no photoshop.

Não há almoços grátis...



Macron continua a descer nas sondagens. Nada que me espante. Eu previra  a hecatombe ainda antes das legislativas francesas.
Em França, em Portugal, como em todo o mundo a viver em  democracias subjugadas às regras de mercado e ao garrote das finanças, as pessoas adoram ouvir gente que lhes prometa políticas novas, fora do círculo mental padronizado pelos partidos tradicionais e correm para as urnas a votar neles.
 O problema é quando percebem que isso tem um preço, que não estão dispostos a pagar...

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXII)

Esta é  a "Minha História"
Boa noite!

"O que faria o Papa Francisco"?

"Um dos meus filhos andava na catequese quando foi convocado para fazer a primeira comunhão,com os outros meninos da sua turma. Ficou, como todas as crianças de 9 anos, entusiasmado com a com a ideia e preparou-se com um afinco inédito ( e até surpreendente para mim) para o acontecimento:decorou todas as orações, preparou-se para a conversa da Primeira Confissão, convidou toda a família para o evento solene. Na véspera da cerimónia, camisa branca engomada, vela do baptismo recuperada e tudo apostos para o grande dia, estava ele a terminar o ensaio geral quando a catequista lhe diz que afinal não podia participar. Tinha havido uma confusão com a papelada e, como ele não tinha tido dois anos de catequese, afinal não podia comungar.Se não tivesse sido baptizado, a coisa era diferente e poderia fazer logo tudo no mesmo dia. Assim, nem pensar, ditavam as regras.
Dito assim- a uma criança e na véspera- depois de meses de preparação. O rapaz ficou genuinamente desolado, não queria acreditar. Ligou-nos em pranto. Fui falar com o pároco e a catequista (...) Foi um diálogo infrutífero- falei com uma parede da burocracia, intolerância e incompreensão. Até que em tirada de despedida me saltou a tampa e questionei:
Tem a certeza que era isto que faria o Papa Francisco no seu lugar?
Meia hora depois recebo um telefonema a dizer que afinal tinham conseguido dar a volta à questão e que o miúdo poderia comungar. Fez a Comunhão, mas a relação esfriou.Ele nunca mais quis ouvir falar de catequese e eu também não(...)"

O texto acima é um excerto de um artigo da autoria de  Mafalda Anjos,  publicado há cerca de um mês na Visão.
Reproduzo-o pela acuidade do tema e também pela proposta  de  Mafalda  Anjos  na sequência deste episódio.
"O que faria o Papa Francisco no meu lugar devia estar afixado em todas as sacristias"-, argumenta a directora da Visão
Eu arriscaria  alargar a experiência e colocaria  a frase " o que faria  meu chefe no meu lugar" em todas as repartições públicas. Nos gabinetes dos directores gerais, presidentes de institutos, empresas públicas  e equiparados,  deveria estar "O que faria o ministro no meu lugar?"
Em vez de sermos pequenos ditadores, comportemo-nos antes como servidores do Estado. Logo, dos portugueses que com os seus impostos  lhes pagam os salários e garantem a manuteção do posto de trabalho.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXI)


Conheço muitos casos assim...
Boa noite e bom feriado para quem o tiver.

Aceleras e transgressores




No primeiro semestre deste ano registaram-se mais 44 mortes na estrada do que em igual período de 2016. Nunca, nos últimos 20 anos, houve tantas mortes nas estradas portuguesas.
Não tardou a oposição a exigir explicações ao governo que, obviamente, não soube responder.
Ora como o governo não sabe explicar, apareceram logo especialistas a apontar as causas do aumento da sinistralidade. 
Há explicações para todos os gostos mas, inevitavelmente, o excesso de velocidade é que recolhe o maior número de adeptos. 
A opinião mais original é a do ACP que "descobriu" que a introdução de portagens nas ex-SCUT aumentou a sinistralidade. 
Existindo tantos opinadores, também me sinto no direito de avançar com a minha, baseada exclusivamente na minha observação pessoal: 
- Conduz-se cada vez pior em Portugal e os condutores cometem infracções e  transgridem, porque sabem que, com a excepção dos excessos de velocidade e dos controles da alcoolemia em horas e locais que todos conhecem,  a impunidade é generalizada.
Algumas transgressões tornaram-se banais:
Conduzir enquanto se fala ao telemóvel; mudar de faixa de rodagem pisando risos contínuos; ignorar os sinais vermelhos; entrar nos acessos a auto estradas e vias rápidas sem respeitar a sinalização horizontal; estacionar em locais que condicionam a visão dos outros condutores.
Só uma análise detalhada das características da sinistralidade, com o cruzamento de dados, permitirá conhecer a causa dos acidentes, mas espanta-me que a polícia não aproveite este filão para aplicar multas e, por via indirecta, disciplinar os  condutores tugas.
Enquanto a "balda" continuar, não vale a pena introduzir novas regras no Código da Estrada.E, muito menos, criar normas de eficácia muito duvidosa, como a que condiciona a circulação na faixa central das auto estradas. Gostaria que a ANSR divulgasse quantos acidentes ocorreram relacionados com essa polémica regra.
O aumento da sinistralidade não pode ser encarado com displicência pelo governo. Até porque há um dado que merece muita reflexão: apesar de ter aumentado o número de mortes nas estradas, diminuiu o número de acidentes.

Marques Mentes



O comentador residente  mais minorca ( não me refiro à estatura física...) da televisão portuguesa  todas as semanas lança umas atoardas com o selo de verdades irrefutáveis.
Têm sido inúmeras as ocasiões em que a realidade desmente Marques Mendes, como ainda recentemente aconteceu com os números do desemprego.
Apesar de sucessivamente desmentido, MM insiste em dar saltos em frente e, na última intervenção, terá dito  que Marcelo Rebelo de Sousa se tinha afastado definitivamente de António Costa e que se acabara o tempo de idílio.
Não vejo os comentários de MM mas, pelo que li e ouvi, terá dado a entender que a sua afirmação estava fundamentada em informações vindas de Belém.
Na última quinta feira, MRS e AC passearam juntos pelas ruas de Tavira, com a deliberada intenção de desmentirem MM. A comunicação social deu algum relevo ao passeio mas, curiosamente, muito menos do que dera às palavras do comentador da SIC.
Não deixa de ser estranho que a opinião ( não confirmada) de um comentador televisivo  tenha  mais espaço noticioso do que um facto real ( o passeio) mas isso diz muito sobre o jornalismo que se vai fazendo em Portugal.
Marques Mendes é conselheiro de Estado, mas isso não faz dele uma fonte privilegiada de informação. Até porque, como a realidade mostra, a especialidade de MM são as fake news.

domingo, 13 de agosto de 2017

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (66)



Muito criativo e com uma grande dose de (bom) humor este postal enviado pelo Rogério.
Dizia ele, nesse já longínquo Verão de 2010, "este postal é  uma invenção".
Na altura seria mas, desde que entrou no domínio da blogosfera, passou a fazer parte da realidade virtual.
Feita a apresentação, sugiro-vos que vão ler  o que o Rogério escreveu

sábado, 12 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCX)

Boa noite de sábado. Divirtam-se e tenham um excelente domingo

Leituras de Verão (9)



Autor: Ana Margarida Carvalho
Editora: Teorema
Primeira edição: 2016

Número de páginas: 352

Esta semana volto a sugerir um livro que ainda não li.
Desta vez, porém, a minha sugestão é ancorada em várias críticas que li e no conselho da  Graça ( cuja leitura recomendo) que o escolheu como leitura de início de férias.
Desta vez tenho a certeza que não haverá razões para vos pedir desculpa por vos ter induzido em erro.

Lição da semana

Esta semana aprendi que tenho uma mente tacanha e  às tantas até sou homofóbico e não sabia. A verdade é que este filme me deixou um bocadinho revoltado e não sei bem explicar porquê...

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCIX)

Bom fim de semana e cuidado com a ventania que leva tudo pelos ares

A selfie do macaco Adriano



Lembram-se daquele macaco que há meia dúzia de anos surpreendeu o mundo ao tirar uma selfie com a máquina fotográfica de um jornalista?A fotografia tornou-se viral e o fotógrafo fartou-se de ganhar dinheiro com ela.
Segundo o próprio, dinheiro bem merecido, porque passou dias a tentar ensinar o macaco a usar a máquina.
Opinião diferente tem um grupo de activistas dos direitos dos animais.  Na opinião destes  activistas, os lucros da fotografia  devem reverter para um fundo de preservação dos macacos.
Será um tribunal  indonésio a decidir, a quem pertence o dinheiro, já que o macaco vive na Indonésia. Não será, porém, um julgamento justo pois, enquanto o macaco terá advogado à borla, o jornalista está falido e sem dinheiro para pagar um advogado, nem deslocar-se à Indonésia para assistir ao julgamento.
Quando li a notícia, a minha primeira reacção foi de riso, mas depois pensei melhor e fiquei preocupado.

Segredos de Verão






Adoro o Verão, os dias longos, os jantares tardios. Não gosto é de grandes ajuntamentos. É por isso que me irritam aqueles artigos de jornais e revistas anunciando aos leitores a descoberta de paraísos escondidos.
Na verdade, a maioria dos lugares indicados já não são assim tão secretos, mas aqueles que ainda permanecem afastados dos roteiros turísticos das hordas de veraneantes, rapidamente se tornam locais insuportáveis, a abarrotar de curiosos.  E lá tenho eu de partir à descoberta de um novo local secreto. Como aconteceu há dias, aqui na Linha. Com as praias a abarrotar, descobri um local onde posso estar tranquilo a ler, sem o incómodo dos cãezinhos, das gritarias e dos jogos de praia. Queriam saber onde? Isso é que era bom!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCVIII)

Que me desculpem os que preferem as loiras...
Boa noite!

Mais do mesmo...

Cumprida a  Supertaça e terminada a primeira jornada da Liga, confima-se aquilo que eu previra: o video árbitro não vai eliminar os erros de arbitragem, nem acabar com as polémicas  nos programas desportivos.
Não, não estou a insinuar nada. É apenas uma constatação.

Uma questão de berço(s)



Quando a vi a servir às mesas num modesto restaurante, arregalei os olhos de espanto. O que estaria ali a fazer, em tempo de férias, uma miúda que pertence a uma das famílias mais ricas da Linha?
A resposta veio pronta e com um brilhozinho nos olhos:
- Quero tirar a carta de condução, mas quero ser eu a pagá-la.
De imediato me lembrei dos miúdos que exigem tudo dos pais, obrigando-os a fazer sacrifícios para lhes comprar ténis, telemóveis e tudo o que o consumismo mimético reclama.
E não podia deixar de recordar aquele miúdo, filho de uma vizinha da minha irmã que vivia com muitas dificuldades desde a morte do marido. Na véspera de  fazer18 anos disse à Mãe:
- Se amanhã não me deres dinheiro para eu tirar a carta, mato-te.
Não matou, mas deu-lhe uma tareia. A mãe, como sempre, desculpou-o:
"É um miúdo muito nervoso, mas é muito bonzinho!"
Palavras para quê?

O Estado Novo já acabou?...É só fazer as contas...

O PSD apresentou um projecto de Lei que tinha, como objectivo, retirar poderes à Liga Portuguesa de Futebol. 
A Liga condenou de imediato a iniciativa e alguém na agremiação laranja, com mais do que um neurónio, avisou que o partido se estava a meter num imbróglio. A proposta foi retirada.
Dias depois, o presidente de um clube que sempre denegriu a Liga  veio reclamar a intervenção do governo e pedir a criação de uma entidade independente para gerir o futebol português.
Várias coisas ficam esclarecidas com a intervenção do presidente daquele clube de um bairro lisboeta:
1- Percebe-se quem encomendou o diploma ao PSD
2- O clube convive mal com a democracia ( não é novidade, pois era o clube do regime fascista) , não aceita órgãos eleitos pelos clubes e pede a protecção  (intervenção) do governo, porque sem colinho pode não conseguir os seus objectivos
3- O PSD está sempre a louvar a iniciativa privada e a exigir menos Estado mas, quando se trata de assuntos da bola, os seus dirigentes perdem o tino. Combatem as instituições e querem o estado a decretar o seu clube campeão por decreto.
4- Os órgãos disciplinares da Liga e da FPF, sempre tão céleres a punir treinadores e presidentes de outros clubes, ( 24 horas depois de o treinador do Boavista ter dito que teria sido mais ajuizado não nomear um árbitro algarvio para o jogo com o Portimonense foi multado pelo CD) são insultados pelo presidente do clube que manda nisto tudo e acagaçam-se.
Eu sei que o presidente do clube em causa ( que também quis ser presidente dos clubes rivais, mas não conseguiu porque os sócios desses clubes não são parvos) e o próprio clube ainda vivem das glórias alcançadas à sombra do Estado Novo. Daí que queira controlar todos os organismos que regulam o futebol, como fazia no tempo de Salazar.
Alguém lhe diga, porém, que o Estado Novo já acabou há mais de 40 anos e que, em democracia, os títulos conquistam-se sem necessidade de  colinho.