quarta-feira, 29 de março de 2017

Povo que lavas no rio...

Num  jogo de futebol infantil, os pais invadiram o campo, insultaram e ameaçaram o árbitro.
Noutro jogo entre jovens, um árbitro de 14 anos foi agredido por...adultos!
É este o povo que temos, por isso, não se queixem mas, com exemplos destes, que se estão a multiplicar, começo a duvidar que o futuro de Portugal esteja nos jovens...

terça-feira, 28 de março de 2017

Memórias em vinil ( 92)



Melanie Safka é um dos "produtos" de Woodstock. Embora o seu primeiro grande sucesso tenha sido "Beautiful People", foi com  o single "Lay Down" ( "I believe" na face B) que começou a fazer sucesso na Europa.
Envolvida politicamente na luta contra a guerra no Vietname nunca se deixou engajar politicamente e costumava dizer que não era socialista, nem republicana, nem democrata. Apenas Libertária

Mas se "Lay Down" ( clip acima ) é uma canção colada à pele de Melanie, seria imperdoável não trazer às memórias em vinil  este "Beautiful People"


Boa noite!

Bombinhas de mau cheiro


A noite já tinha caído quando entrei no Metro. Estação de Telheiras, onde começa a Linha Verde. Já é noite cerrada.
Abro o livro que trago comigo e me fará companhia no percurso até ao Cais do Sodré e a partir dali no comboio que me levará ao Estoril. 
Tinha lido apenas meia dúzia de linhas, quando três jovens bonitas e bem aperaltadas entram e se  sentam ao pé de mim. Duas ficam no banco em frente, outra senta-se ao meu lado. É quinta-feira e pela toilette e ar festivo, deduzo que vão jantar fora e depois "curtir" a noite. 
Por breves instantes faço rewind ao tempo em que preparava as noites com mil cuidados e muita excitação à mistura, por isso, não estranhei as vozes alteradas, debitando um volume de decibéis acima da média.
Recuperei de novo a leitura  de "A Rapariga que Roubava Livros". 
O comboio iniciara o seu percurso vagaroso, debitando um ruído intenso, provocado pela fricção de ferros em conflito. As jovens  tiveram de elevar ainda mais o tom de voz, para encurtarem a distância sonora entre os bancos que as separavam. Foi então que fui obrigado a distrair-me da leitura e ouvir a conversa. A jovem ao meu lado era a mais faladora e animada. Tinha uma voz delicada e doce, mas conspurcava o ar com as palavras que lhe saíam da boca. Em cada cinco palavras que dizia uma tinha de ser a conjugação do verbo "cagar".
Outras duas eram  palavrões mais elaborados e coloridos, relacionados com a genitália masculina. 
Quando não era ela que se "c...." era uma terceira pessoa. O pai, por exemplo, para cujos conselhos ela declarava estar-se c......, também se "c....." se ela não dormia em casa. A cota da Mãe é que era a má da fita ( anotei com espanto este caso raro)
Ainda pensei sugerir à minha companheira de viagem que em vez de utilizar verbo tão escatológico, recorresse às expressões similares da minha juventude. Nesse tempo "estávamos nas tintas" ou "borrifando", expressões mais  coloridas e higiénicas do que "estar-se a c...."
Não o fiz, porque já sabia a resposta, por isso esforcei-me por me concentrar na leitura. Debalde. Até ao Chiado- onde as jovens saíram sorridentes e me desejaram boa noite educadamente- continuei a ser inundado por palavras de m.... 
O mais curioso é que, apesar de o vocabulário ser escatológico e a roçar o hardcore, a conversa não era de m..... Bem pelo contrário. Falavam de telenovelas e da alucinação que provocam nos adultos. Percebi que detestavam telenovelas para jovens, como " Morangos com Açúcar" que carinhosamente rotulavam de "punh.... ideológicas".
Foi fraco o consolo por essa constatação, embora compensado com o facto de ter registado a posteriori que aquelas três jovens não pegaram nos seus telemóveis durante o percurso. Reconfortante.
Não sou  avesso ao palavrão contextualizado e por vezes também o utilizo, normalmente como catarse para as minhas fúrias. Detesto, porém, o palavrão gratuito.
Pousar numa esplanada para ler um livro tranquilamente e ter um grupo de jovens por perto é, hoje em dia, uma actividade de risco.
Quando era jovem também tinha conversas acaloradas  em esplanadas, onde o vernáculo entrava com frequência mas, assim que se aproximavam  adultos, o tom da conversa baixava de tom e se alguém largava um palavrão, fazia-o sempre num sussurro, de modo a que os decibéis não ultrapassassem o perímetro das nossas mesas.
Hoje em dia, o palavrão tornou-se democrático e, porque não admiti-lo, um instrumento de coesão social.
Nas conversas entre jovens, em cada três palavras entra um palavrão. Os jovens parecem gostar de o exibir como prova de maturidade. Pior do que isso, quem o profere faz gala nisso.
 Não estou a generalizar. Há jovens educados e respeitadores mas seja em Camarate, na Picheleira, no Parque das Nações ou na marina de Cascais, o palavrão não escolhe lugares nem classes sociais.
Pelo contrário. Se noutros tempos foi  estigmatizante e vinculado a pessoas rudes das classes sociais  mais baixas, hoje em dia o palavrão é integrador.
De qualquer modo, não é preciso democratizá-lo ao ponto de se tornar linguagem de salão...

Caramelos Vaquinha (17)




A frase:
"Há um conjunto de snobes que acha que devemos dar sempre os nomes dos aeroportos a mortos. É o choradinho à portuguesa, mas a malta nova não está para isso"
( Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira)

Desculpará a franqueza, Miguel, mas  você já não vai para novo e quanto a snobeira, prefiro a genuína àquela que você professa.
Dar o nome de Cristiano Ronaldo ao aeroporto do Funchal não  é  só piroseira inaudita. É mesmo terceiro mundista.
Se quer dar um nome ao aeroporto ( eu sou de opinião que os aeroportos devem ter os nomes das cidades que servem), porque não chamar-lhe João Gonçalves Zarco, ou Tristão Vaz Teixeira? 
Qualquer destes nomes terá a vantagem de promover a  História da Madeira, porque despertará a curiosidade dos turistas que a visitam.
Pense nisso, Miguel.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Memórias em vinil (91)


É provável que muitos dos leitores do CR não tenham conhecido Jimi Hendrix (1942-1970) em vida, mas é bastante improvável que não o tenham ouvido e ficado extasiados com os seus solos de guitarra.
Foi muito curta a vida de Hendrix, mas foi enorme o seu legado. Quem não se lembra de  "Hey Joe", "Voodoo Child", ou  "American Woman", apenas três dos muitos temas com que Jimi Hendrix continua a deixar muitos jovens em transe.
Entre os três, optei pelo primeiro, mas foi uma escolha aleatória, porque no imenso reportório daquele que foi, provavelmente, o melhor guitarrista de sempre, não é possível escolher o tema ideal.

 Tenham uma boa noite e BOA SEMANA!

Uma semana nas quintas



A minha madrinha vivia na Avenida 5 de Outubro em Lisboa, mas tinha uma casa no Lumiar para onde ia nas férias. Fui lá apenas umas duas ou três vezes, porque no Verão as minhas paragens eram outras, mas recordo-me da imensidão de verde  que a rodeava.
Quando vim viver para Lisboa, o Campo Grande ainda era uma fronteira de Lisboa e o  Lumiar era uma zona limítrofe onde apenas ia para passar uma noite no Caruncho ( quantas noites percorremos a pé a Alameda das Linhas de Torres depois de o Caruncho encerrar, por volta das 2 da manhã), para estudar com uma colega de Direito que vivia num lar ali para as bandas da Rainha D. Amélia ou para ir a umas festas a casa de uma prima do meu melhor amigo de infância.
Tal como a minha madrinha, ela vivia num casarão enorme e as festas eram muitas vezes animadas com sessões fadistas, pois a Teresa Tarouca era da família e levava muitas vezes amigos que, com ela, cantavam o fado. Era uma maneira de entreter os adultos e permitir que a malta nova se divertisse em paz, mas eu e mais alguns amigos com frequência abandonávamos a "malta" e íamos para junto dos "velhotes" ouvir cantar o fado.
Em 1974, o Lumiar seria a minha residência durante os três meses em que estive a cumprir serviço militar na EPAM,  mas foi por mero acaso que um dia comprei aí casa. 
Nada tinha que lá me ligasse nos anos 80, mas razões profissionais obrigaram-me a arrendar uma casa em Lisboa ( quem se lembra das greves de comboios nos idos de 70 e 80 perceberá porquê) e a oportunidade  mais célere e económica foi na Quinta de Santa Clara, perto do Caruncho, já então em declínio. Mais tarde viria a comprar a casa num "negócio de ocasião" a que se sucedeu um outro anos mais tarde. E embora a viver  fora do país a maior parte do tempo, por lá fui ficando. De quando em vez lembro-me da quinta da minha madrinha ( hoje transformada em condomínio privado) e das famosas festas em casa da Amália ( não a fadista, mas sim a prima do meu amigo de infância)

Vem isto a propósito da Lisbon Week que está a decorrer desde sábado e até 2 de Abril na freguesia do Lumiar.
É uma oportunidade excelente para conhecer melhor um bairro que mantém algumas características de urbanização periférica e onde o betão em altura  substituiu muitas  quintas e palacetes da zona. Continua, no entanto, a ser uma zona com história muito rica, que justifica as actividades e visitas culturais organizadas pela Junta de Freguesia em colaboração com a Gray Line.
Ficará certamente a saber muitas curiosidades. Como, por exemplo, que a origem do nome da contígua freguesia da Ameixoeira, nada tem a ver com ameixas, mas sim com amêijoas. É que em tempos o mar chegou ao Lumiar e o lugar onde as amêijoas  eram mais abundantes deu o nome à extinta freguesia da Ameixoeira. 


Visitar o Palácio Angeja (onde se alojam actualmente os museus do Traje e do Teatro), um passeio terapêutico pelos jardins, do Parque do Monteiro Mor, conhecer as obras de  Arte Urbana da autoria de Vhils, Ad Fuel ou  Felipe Pantone, entrar em igrejas e conventos centenários, ou ter a possibilidade de desfrutar de um fim de semana no templo hindu Radha Krishna, com visitas guiadas e actividades, são algumas das propostas desta Lisbon Week.


Para mim o prato forte será, porém, a visita às Quintas do Paço do Lumiar. Muito especialmente à Quinta dos Azulejos ( onde hoje está instalado o colégio Manuel Bernardes) que abrirá excepcionalmente ao público durante os dois fins de semana. Dizem-me que a azulejaria é fantástica mas, as histórias que as quintas encerram, não o são menos.
A Lisbon Week  inclui também uma exposição de fotografia, serões musicais e um ciclo de cinema. Espero ter despertado o vosso interesse, mas o melhor é visitarem o site da Lisbon Week para ficarem melhor informados sobre o que se irá passar no Lumiar durante esta semana e, se for caso disso, fazerem as vossas escolhas.

A alternativa europeia




Na véspera dos 60 anos do Tratado de Roma escrevi este post, cuja leitura sugiroo antes de avançarem mais na leitura  de hoje.
Eu gostaria muito que a UE tivesse salvação mas, sinceramente, receio que  tal seja impossível sem uma purga que extermine a trupe bafienta que governa a Europa a partir do Norte. No fundo são fascistas encapotados que se esforçam por disfarçar a sua ideologia. Mascarados de democratas defendem a integração de refugiados e a Europa multicultural, mas não tardará muito até que comecem a rejeitar os turcos, com a mesma veemência com que o seus súbditos o fazem diariamente.
No final de 2016, muitas vozes se levantaram a defender que a salvação da Europa estava em Merkel, Eu não consigo entender  que haja gente tão  crédula nessa possibilidade e expliquei então porquê.
Hoje, no rescaldo das comemorações do Tratado de Roma, reitero a opinião de que a Europa precisa de ser refundada e isso só é possível com outros protagonistas e outros modelos de governação que extirpem os vírus que o Centrão Europeu espalhou pela Europa.
Não sei se esse modelo será a implosão europeia proposta pela extrema-direita em cujas potencialidades  Rentes de Carvalho acredita e o levaram a explicar as razões de votar na extrema direita nas  vésperas das eleições holandesas.
Não sei se as eleições  deste ano em França, Itália e Alemanha  proporcionarão resultados que façam surgir um outro modelo ainda não ensaiado.
Não sei tampouco se o modelo salvador da Europa será uma espécie de geringonça, mas não deixa de ser esperançoso constatar que  o modelo português irá ser objecto de estudo em Harvard está a merecer grande curiosidade por toda a Europa, trazendo candidatos da esquerda espanhola, francesa e italiana a Portugal para perceberem melhor as razões de comunistas e extrema esquerda apoiarem  um governo de um partido social democrata.
Já ouvi dizer que se os europeus conhecessem o sofrimento  que o anterior governo infligiu aos portugueses, rapidamente perceberiam a razão do entendimento entre os partidos de esquerdas. Há alguma verdade nisso, mas não explica tudo. Se  o povo português estivesse  realmente farto de sofrer, não teria dado a vitória nas eleições ao PSD, confirmando a tendência  de povo resignado, habituado a reagir como um rebanho perante as circunstâncias.
O que realmente uniu os partidos de esquerda foi a consciência nacional. Era preciso salvar o país de um bando de retornados criminosos, sedentos de vingança, que além de vender a interesses estrangeiros a riqueza nacional , estava apostado  em  acabar com a nossa independência e transformar Portugal numa colónia europeia, em troca de alguns cargos de burocratas na Eurolândia.
O modelo português da Geringonça não é repetível noutros países europeus, mas pode ser inspirador para a criação de outros modelos inovadores, adaptados às realidade locais  que provoquem um abanão na Europa e a façam despertar da letargia em que mergulhou, por força da submissão aos interesses do mercado, mas também pelas tendências hegemónicas da Alemanha e de outros países calvinistas do Norte da Europa. 
É por isso que ver em Merkel  a salvadora da Europa, é acreditar que uma raposa é a melhor guardiã do galinheiro.

domingo, 26 de março de 2017

sábado, 25 de março de 2017

Chazinhos da Paróquia (10)



Esta semana começo os chazinhos com um aviso aos leitores que vivem em Portugal: não se esqueçam que na próxima madrugada devem adiantar os ponteiros do relógio 60 minutos. Apesar de o tempo continuar chuvoso, vai ser dia até mais tarde e isso já é uma boa razão para nos sentirmos felizes.
E é felizes e contentes que eu vos quero ver este fim de semana, por isso incentivo-vos  a começar o fim de semana em São João da Madeira.
Perguntarão porque vos sugiro um fim de semana numa terrinha "tão sem graça", mas podem crer que há pelo menos três boas razões para lá irem
1-  Visitar  o Museu do Calçado 

Instalado na Torre da Oliva,  o Museu do Calçado proporciona uma extraordinária viagem no túnel  do tempo, que nos transporta através  da História,  contando a evolução do calçado.
 Além disso, vai encontrar no museu   sapatos de famosos como os de Manuela Azevedo ou  "do" Feiticeiro de Oz e sapatos com história ( não se admire se à saída lhe perguntarem qual é a história dos sapatas que usa nesse dia).
Antes de deixar o museu visite a exposição de arte  temporária, onde pode ver obras de vários artistas, entre as quais Joana Vasconcelos
Mesmo ao lado, também na Torre Oliva, fica o Museu da Chapelaria, a segunda boa razão para visitar São João da Madeira. Todos nos lembramos da frase de Vasco Santana na "Canção de Lisboa" ( Chapéus há muitos, seu palerma!) mas asseguro-vos que não é nenhuma palermice visitar este Museu.
O chapéu  é uma peça de vestuário que durante muito tempo caiu em desuso, mas de que eu há muitos anos não prescindo. 
Nos dois ou três últimos anos, aumentou  consideravelmente o número de pessoas que usam chapéu, mas muitas não conhecerão as muitas histórias que o chapéu esconde. Mais uma oportunidade para revisitar a história e ver  os rostos ligados à sua concepção e confecção.

Visite a exposição "90 Anos, 90 Factos" e ajude o Museu da Chapelaria a eleger o ano mais importante da História do Chapéu na cidade
Vamos agora à terceira razão que justifica uma viagem a S. João da Madeira: a Oliva Creative Factory.  Instalada no interior da antiga Fábrica Oliva,  a OCF é um projecto mesclado, com uma forte componente empresarial, ligada à cultura e ao lazer.
Além de um business centre para empresas consolidadas e de uma incubadora de empresas da indústria criativa, na Oliva Creative Factory encontra um espaço destinado à Arte, onde cohabitam uma escola de dança, uma sala de ensaios  de artes performativas, uma oficina de restauro e espaços para "brainstorming", onde os empresários ( ou potenciais empresários) podem reunir-se para discutir projectos.
Eu sei que foi um dia cheio, provavelmente almoçou na Fábrica dos Sentidos ( restaurante do Museu da Chapelaria) mas, para rematar o dia faço-lhe uma proposta ousada. Vá jantar à casa  do meu avô,
onde eu cresci e passei momentos inesquecíveis.
Fica na Rua Oliveira Júnior, bem perto da zona dos museus. Apesar do nome pouco apelativo (Quinta dos Teixeiras siga o link para ver as fotos ), asseguro-lhe que come bem e o proprietário é muitíssimo simpático.
Se ainda estiver dia passeie pelos jardins ( infelizmente já não o posso convidar para uma louca corrida de bicicletas na vereda, nem para uma partida de ténis ou um banho na piscina, mas sugiro-lhe que tome um aperitivo no caramanchão ou junto ao lago) e no final do jantar pergunte se pode visitar a casa. Se tiver sorte, ainda vai conhecer o quarto onde eu dormia e ver a sala de jogo onde ainda há pouco tempo permaneciam algumas belíssimas fotos do meu avô .
Esta semana ficamos por aqui, pois escrever  estes chazinhos  num roteiro que me traz tantas recordações fragilizou-me.
Há ainda tempo, porém, para sugerir uma dormida tranquilizante em Espinho no hotel Solverde. Mas se pretende mesmo reboliço então vá até ao Porto, que fica apenas a 30 quilómetros e onde não faltam locais onde se divertir. Da Ribeira aos Clérigos, passando pela Foz, é só "movida.

O Livro: Na semana em que se assinalou o Dia da Felicidade, o livro do Hygge ( ou o segredo dinamarquês para ser  feliz) parece-me uma boa proposta


O Filme:  Aquarius é um filme brasileiro surpreendente. Oportunidade para rever Sónia Braga ( em grande forma) revisitar o Brasil e perceber a razão porque Temer decidiu  impedir que esta alegoria à política brasileira tenha sido candidata  ao Óscar para Melhor Filme estrangeiro. É certo que em determinadas alturas senti falta das legendas, mas o problema é meu, que não vejo telenovelas.
E pronto, tenham um bom fim de semana. Com emoções fortes,  mas não tanto como as que eu tive enquanto escrevia estes chazinhos.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Memórias em vinil (90)


Ainda se lembram destes espanholitos?
Boa noite!
Cá vos espero amanhã para o Chazinho semanal.

The Go-Between




Só uma vez escrevi aqui sobre Julian Assange. Foi para esclarecer os leitores que desconfiava das suas motivações. Condenei a actuação do governo inglês em relação ao Equador, por ser uma prepotência, mas sempre considerei Assange um fascista e nunca um democrata que quisesse desmascarar quaisquer desvios das democracias.
As investigações do FBI e as  últimas revelações sobre a influência da Rússia nas eleições americanas  tiraram-me quaisquer dúvidas. 
Resta agora saber quais as ligações entre Assange e Snowden e qual o papel deste ao serviço de Putin.

Sexagenária, mas nada sexy


Amanhã assinala-se o 60º aniversário do Tratado de Roma, fundador da União Europeia. Muito provavelmente iremos assistir a muitas celebrações nos gabinetes, mas muitas críticas nas manifestações populares.
  Os leitores que me acompanham sabem o que penso: sou adepto da UE, mas não lhe auguro grande futuro. A falta de solidariedade e a crescente hostilidade dos países do norte, em relação aos do sul, está a matar o projecto europeu. Acreditar que a Europa  pode manter-se solidária caminhando a várias velocidades é tão utópico como acreditar que o fim da UE e do Euro se pode fazer sem um conflito de grandes proporções. Acresce que a  Europa está doente e não falta quem deseje a sua morte. O crescimento do populismo e da extrema direita são prova disso.
Na semana passada, o professor Timothy Garton Ash escreveu um artigo no Financial Times, onde fazia o diagnóstico dos males que afectam a Europa:
" O mais recente exame médico revela que uma mão tem de ser amputada (gangraena brexitosa) um pé está terrivelmente inflamado ( putanismo ukrainico) uma doença de pele alastrou a várias partes do corpo e está a provocar perigosas reacções alérgicas (xenophobia populistica) uma úlcera está a corroer-lhe o estômago ( eurozonitis) além de padecer de logorreia e perda de memória".
O diagnóstico é  assertivo e preocupante. No entanto, estão a fazer-se  muitos estudos e testes a um medicamento que poderá curar a Europa. Sobre isso, escreverei na segunda-feira. 
.

Isto é uma vergonha!



Lamento voltar ao tema da justiça, mas  o livro de Sofia Pinto Coelho  sobre erros judiciais que levaram para a prisão inocentes (Condenados: a justiça também pode errar) em alguns casos por mera negligência dos agentes da justiça, noutros por teimosia e arrogância,  fez crescer ainda mais, dentro de mim, um sentimento de revolta face à impotência para lutar contra as injustiças de que a Justiça (quase) diariamente dá provas.
Preocupa-me a impunidade dos juizes, revolta-me a justiça selectiva, a indiferença com que se deixam prescrever prazos nuns casos e a celeridade com que se prende e acusa noutros. 
Já o escrevi várias vezes: a justiça em Portugal é uma roleta russa e quem tiver o azar de ser apanhado na sua perversa teia corre sérios riscos de ficar para sempre refém das suas contradições, vinganças e prepotências.
Não conheço os contornos deste caso mas - a ser verdade- é demasiado grave e envergonho-me com o silêncio da comunicação social e a indiferença das redes sociais. 
Uma justiça que manda para a prisão, durante 3 anos, uma cidadã por delito de opinião, mas frequentemente mostra a sua condescendência  com os autores de violência doméstica e nunca conseguiu prender um corrupto ( quando o fez não conseguiu encontrar provas ou "deixou" prescrever os prazos ) tem de levantar dúvidas nos cidadãos.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Memórias em vinil (89)


Palavras para quê? É  com "I wish you were here" (Pink Floyd) que vos dou as boas noites hoje.  Tenham bons sonhos!

Noor e a Felicidade

NOOR é uma jovem iraquiana que conheci aqui no Estoril no início do ano. 
No dia em que a conheci, explicou-me  que o seu nome  significa LUZ. Respondi-lhe que tinha uma prima que também se chamava LUZ e vi estampado no seu rosto uma alegria imensa, como se essa circunstância fosse um qualquer sinal que determinara o nosso relacionamento fortuito
 De uma simpatia ímpar  a Noor é, além de bonita,  muito comunicativa e conversadora. À segunda  conversa já sabia  que tinha nascido em Portugal, onde morava e  a razão da vinda dos pais para Portugal.
Há dias contei-lhe a minha paixão pela América Latina e em especial Argentina e ela respondeu-me:
- Compreendo que goste desses países. São países menos desenvolvidos, onde as pessoas dão mais valor às coisas e são mais felizes.
Concordei.
Hoje lembrei-lhe que há dias se tinha comemorado o Dia Internacional da Felicidade e que a ONU  elaborara um ranking dos países mais felizes do mundo.
Ela não sabia de uma coisa nem de outra, desvalorizou ambas e perguntou-me qual era o país mais feliz do mundo
Quando lhe disse que era a Noruega, ficou calada por uns momentos e perguntou-me: 
- Como é que as pessoas podem ser felizes sem sol?
Lembrei-lhe a conversa que tivéramos há umas semanas sobre a felicidade e acrescentei:
- Como os noruegueses não sabem o que é o sol nem a praia, não sentem a falta. Depois, contei-lhe a história de uma sueca, casada com um meu homólogo do PNUD. Viviam aqui no Estoril, mas ela estava horrorizada com a obsessão dos portugueses pela praia. Chegou mesmo a dizer que éramos um povo primitivo e ignorante, porque nos estendíamos ao sol "o ano inteiro" sem  cuidar das consequências para a saúde. Ainda hoje recordo o seu ar reprovador, quando um dia fomos ao Algarve e os levei a conhecer algumas praias. Foi durante uns feriados de Junho e as praias estavam a abarrotar. De portugueses, mas também de turistas. Muitos deles nórdicos. 
Inabalável, ela insistia:
- É de uma irresponsabilidade e de uma ignorância deprimente! 
Foi então que lhe respondi: 
- Somos ignorantes, mas somos felizes
A NOOR riu-se com a minha resposta  e  perguntou em que lugar estava Portugal nesse ranking.
89º- respondi
O quê? Há 88 países mais felizes do que Portugal? Não é possível. E o Iraque, em que lugar está?
- 117º, se não me engano
Encolheu os ombros e respondeu:
- Pois, a Felicidade é muito subjectiva. Não consigo perceber como é que se consegue medir.
Eu também não, NOOR, mas os tipos que fazem estes rankings devem andar felizes por terem trabalho e por pensarem que são úteis ao mundo. 
Mas devem ter uma técnica qualquer, não estabelecem o ranking à sorte...
Pois não, NOOR. Fazem  uma única pergunta a mil pessoas em mais de 150 países:

"Imagine uma escada, com degraus numerados de zero na base e dez no topo.O topo da escada representa a melhor vida possível e a base  a pior vida possível. Em que degrau você acredita que está?"
O resultado médio é a nota do país - que, neste ano, variou de 7.54 (Noruega) a 2.69 (República Centro-Africana).
NOOR sorriu uma vez mais e disse em tom irónico:
- Muito científico, sem dúvida. Vou medir o grau de felicidade da minha família. Palpita-me que devemos andar entre os 9 e os 10, porque todos nos sentimos muito  felizes por viver em Portugal e estarmos longe da guerra. Até eu e a minha irmã, que nascemos em Portugal e nunca fomos aos Iraque sentimos que somos mais felizes aqui.

Adenda:(O relatório também analisa as estatísticas para explicar por que um país é mais feliz do que o outro.
Entre os dados observados, estão o desempenho da economia (medido pelo PIB per capita), apoio social, expectativa de vida, liberdade de escolha, generosidade e percepção de corrupção.

Um homem sem qualidades




Cada dia que passa, Cavaco tona-se um ser mais desprezível.
Cada vez que abre a boca exala um cheiro a podridão.
Cada vez que dá uma entrevista para promover o seu livro, enterra-se mais e mais no lodaçal do "Vamos Contar Mentiras".
A última entrevista ao Público é simplesmente asquerosa.
Na impossibilidade de a reproduzir, encaminho-vos para este texto muito esclarecedor, de um jornalista insuspeito de ser de esquerda...