segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (46)



Acabámos a semana com uma canção italiana e por lá continuamos no início desta.
Na primeira metade dos anos 60, a canção italiana rivalizava com a francesa e o Festival de Sanremo marcava os sucessos da época estival.
Em 1962, uma italiana sardenta e minorca lança-se no meio musical com uma canção sensaborona (La partita di pallone - O jogo de futebol) mas no ano seguinte  cativa os adolescentes com esta canção " Come te non c'e nessuno" ( vídeo acima)
Em 1964 tem outro grande êxito (Cuore, no link abaixo) mas nos anos seguintes não obtém grandes sucessos fora de Itália. Em 1968 casa e vai viver para a Suíça, desaparecendo praticamente do meio musical, embora vá aguentando a carreira até 2005, ano em que anuncia o abandono e se candidata ao Senado. Sem sucesso


Digam lá se não valeu a pena

Foto de Nuno Correia


Quando se iniciaram as obras do eixo central, entre o Marquês de Pombal e a rotunda de Entrecampos, assistiu-se a uma avassaladora onda de protestos.  Medina foi acusado de  estar a transformar a vida dos lisboetas num Inferno por razões meramente eleitoralistas. Ninguém acreditava que os prazos fossem cumpridos ( o final das obras estava previsto para Março)  e a direita avisava que as obras se iam prolongar até ao Verão.
A histeria da direita acabou por provocar um adiamento das obras da Segunda Circular, essenciais para tornar aquela via mais transitável.
Ontem ( com mais de dois meses de antecedência) as obras do Eixo Central estavam concluídas. A praça do Saldanha está com o belíssimo aspecto que se vê na foto, as avenidas da República e Fontes Pereira de Melo estão mais arejadas e quando as árvores crescerem e as esplanadas se encherem de gente, ainda vão ficar mais apetecíveis. 
As obras devolveram aquela zona da cidade aos cidadãos e faço votos que o mesmo aconteça noutras zonas. As cidades devem ser cada vez mais para as pessoas e não para os automóveis.
Ficaria bem à direita ( nomeadamente a Assunção Cristas, que tanto criticou as obras e tanto dinheiro gastou em cartazes de protesto) reconhecer a qualidade da intervenção efectuada e admitir que o Eixo Central está agora muito melhor do que antes. 
Pessoalmente, espero que as obras da Segunda Circular arranquem o mais depressa possível. E, já agora, que a polícia cumpra o seu dever de ser intransigente com os automobilistas que estacionam em segunda e terceira fila, em cima de passeios e noutros locais onde prejudicam o trânsito e os peões.
Lisboa é linda, mas pode ser muito mais apetecível, se os automobilistas forem mais educados e, sobretudo, mais civilizados.

Os Extraordinários




Roubei o título ao novo programa da RTP 1 das noites de domingo, mas não é sobre isso que vou escrever.
Os Extraordinários a que me refiro são o casalinho da foto de quem muito ouviremos falar nos próximos tempos. E não será por boas razões... (Já foi entregue  no Congresso um pedido para saída dos EUA da ONU).
Anda toda a gente muito preocupada com  Trump, mas mesmo aqui à porta há uma senhora capaz de trazer mais instabilidade à Europa do que o americano. Chama-se Theresa May e ameaça transformar a GB num paraíso fiscal se a UE não aceitar as condições que ela impõe para o Brexit. 
Como se isso não bastasse, parece estar fascinada com Donald Trump, o  homem que além de adorar muros, já decidiu apoucar 55 milhões de cidadãos americanos,falantes da língua espanhola, ao eliminar a página em espanhol da Casa Branca.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Dia do Postal Ilustrado (37)



Este postal foi-me enviado em 1972  por uma prima que vive em Porto Alegre e estava de visita a  S João Del Rei (MG) . Já visitei a minha prima várias vezes, mas nunca fui a S. João del Rei, cidade onde nasceu Tancredo Neves.  
Muito provavelmente, a cidade já nada terá a ver com o que está retratado neste postal. Se algum(a) leitor(a) brasileiro/a me puder dar uma ajuda, agradeço.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Chazinhos da Paróquia *




Começo com uma pergunta: Já sabia que Lisboa é capital ibero americana da cultura desde dia 7 de Janeiro?
Então saiba e que até final do ano haverá muitas coisas para ver. Exposições, espectáculos de dança, teatro, conferências , etc.  No total serão 150 eventos  ap longo do ano e passarão por Lisboa cerca de 400 artistas  convidados latino-americanos. Não  faltarão momentos para animar a nossa vida, com aquele toque latino-americano sempre caloroso.  
Sugiro, pois, que planeie o que pretende ver durante o ano, para não (se) perder.Destaque especial para a exposição Testemunhos da Escravatura
que decorre em vários espaços de Lisboa e para o concerto Canções para Revoluções no 25 de Abril. Um concerto ao ar livre, onde serão interpretadas canções de intervenção de Zeca Afonso, Mercedes Soza, Violeta Parra e Chico Buarque   Mas há muito mais.De quando em vez eu  virei aqui lembrar-vos, mas  o melhor é estar atento ao programa, para garantir que não perde o que mais lhe agradar.
Para esta manhã recomendo-lhe um passeio por esta Lisboa. Pode estar frio, mas  caminhar por aqui aquece a alma.
Não lhe vou sugerir onde almoçar ou jantar ( a variedade é tanta que nem me atrevo) mas deixo-lhe outras sugestões para alimentar o espírito. À tarde deixo-lhe duas sugestões: se aceitou a proposta de passeio, aproveite e vá ao CCB assistir ao primeiro filme do ciclo Belém Cinema. Em exibição está Lawrence da Arábia. Boa oportunidade  para recordar um grande filme, com um grande elenco ( Peter O' Toole,Anthony Quinn, Omar Sharif e Alec Guiness).
Em alternativa sugiro-lhe uma visita ao Museu do Chiado para ver a exposição de Amadeo Souza Cardoso. 
Há quanto tempo não vai ao teatro?   Já que está no Chiado, aproveite para jantar nas imediações e depois  ir  ao S. Luiz ver  " A Noite de Iguana". Garanto-lhe que esta peça de Tennesse Williams é imperdível. Oportunidade também para ver Nuno Lopes, numa interpretação sensacional.
Depois do teatro, que tal acabar a noite a ouvir jazz no Hot Club?
A noite de sábado prolongou-se pela madrugada e levantou-se tarde no domingo? Não se preocupe. Junte o pequeno almoço com o almoço  num brunch. Em casa, ou num dos muitos lugares que os servem em Lisboa, para todos os gostos e preços.
À tarde  fique por casa a ler "O Evangelho Segundo Lázaro" de Richard Zimmler e ao final da tarde, ou princípio da noite vá ao cinema. Como acontece sempre nesta época do ano, há por aí muitos e bons filmes em exibição. Para este fim de semana  sugir. Manchester by the sea.  Quase aposto que vai gostar. Mas, como sempre, o mais importante é que tenha um excelente fim de semana. Descontraído e, se possível, divertido.

* Decidi dar um nome a esta rubrica com sugestões de fim de semana. À falta de melhor ideia, recuperei o nome de uma rubrica que escrevi durante dois anos no semanário "Tribuna de Macau": Chazinhos da Paróquia.
Por agora está frio, tome-se bem quentinho. Lá mais para o Verão, o chá gelado também é uma óptima escolha. E, para que não lhe falte nada, também hei-de trazer aqui algumas sugestões de Casas de Chá.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (45)


Esta noite  trago um grande sucesso do italiano Nico Fidenco, porque tenho a sensação de que a partir de hoje a Casa Branca ainda se vai parecer mais com a Casa de Irene do que no tempo de Bill Clinton.

Boa noite e bom fim de semana.
Amanhã (sábado), bem cedinho , publicarei as minhas sugestões.

Chico Gordinho



Era previsível que, repostos salários e pensões, BE e PCP iriam aumentar o nível de exigências. Absolutamente normal. Dispensava-se era a intervenção do Chico de Amarante a pedir eleições antecipadas, com argumentos de filosofia de café. Para destruir a geringonça, basta uma aliança BE/ PCP, que reedite o tiro no pé de 2011. Já estive mais confiante, mas ainda tenho esperança que esse erro não se repita e Assis continue a ser, simplesmente, o Chico Gordinho de Amarante.  Irrelevante.
Só não consigo  perceber porque é que o Chico Gordinho  continua no PS. Para fazer uma aliança com Passos Coelho? Vade retro!


Chico Gordinho



Gingando pela rua
Ao som do Lou Reed
Sempre na sua
Sempre cheio de speed
Segue o seu caminho
Com merda na algibeira
O Chico Gordinho
O freak de Felgueiras

Chico Gordinho
Uuuuuuh uuuuuuh (x4)

Aos sss pela rua acima
Depois de mais um shoot nas retretes
Curtindo uma trip de heroína
Sapato bicudo e soquetes

A noite vem já e mal atina
Ele é o maior da trupe de Bruxelas
Patchuli borbulhas e brilhantina
Cólica escorbuto e olheiras com remelas

Chico gordinho
Uuuuuuh uuuuuuh (x4)

Sempre a domar a cena
Fareja a judite em cada esquina
A vida só tem um problema
O ácido com muita estricnina

Da  Bruxelas baixa
Da baixa de Bruxelas
Conhece todos os felizardos
Que comem da ( mesma) gamela

Chico Gordinho
Uuuuuh uuuuu(x4)

O governo de Trump visto à lupa

O da segurança interna era o responsável por Guantanamo. Garante que todos os que passaram por lá são culpados.
O ministro da defesa é um tipo que tem como alcunha Mad Dog. Não é ironia. Foi despedido por insistir diariamente em invadir o Irão.
O VP é um fanático evangelista. E é tido como o são.
Há um attorney general – PGR equivalente a ministro da justiça, a quem foi recusado um cargo como juiz federal por ser racista.
Há o sec do ambiente, figura máxima do lobby anti-EPA (a agência que fiscaliza o ambiente) que propôs fechá-la.
Há o neurocirurgião que recusou ser ministro da saúde por não ter competências administrativas e aceitou ser o ministro do urbanismo.
Há a bilionária encarregue das pequenas e médias empresas, mulher do Vince McMahon da WWE (Wrestling) e maior doadora da campanha.
Para combater Wall Street, o SEC do Tesouro, um dos responsáveis máximos da Goldman Sachs em 2008, CEO de um banco especializado em lucrar com o subprime.
O SEC - equivalente a ministro dos negócios estrangeiros – trabalhava na EXXon e era responsável pelas relações /subornos na Rússia.
O cérebro político é o Steve Bannon, primeiro entre iguais, racista, xenófobo, misógino,homofóbico. E estas são qualidades para ele, o nazi.
E depois há o Trump. Que continua produtor executivo do The Apprentice, porque “gosta de trabalhar nos tempos livres”.


( Recebido por e-mail)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (44)


Todos se devem lembrar que amanhã é o dia em que Donald Trump se torna inquilino da Casa Branca.
Pareceu-me por isso bastante oportuno trazer para a noite da véspera esta canção de Barry  Mc Guire
Podia recordar "Sins of a  Family ", mas este "Eve of Destruction"parece-me ainda mais apropriado ao dia e às ameaças que o mundo enfrenta em 2017.
Esperemos que , tal como em 1965, esta canção seja apenas  um alerta e não se transforme em hino.
Tenham uma boa noite. Sem pesadelos.

Conversas com o Papalagui (73)

- Olá tuga! Estás a tremer? 
- Estou com frio!
- Estás com frio? Mas isso não existe! O frio  e o calor são psicológicos
- Não digas disparates, Pa. Se o frio fosse psicológico os meteorologistas eram licenciados em Psicologia

E estamos nisto...


Estamos nisto: o governo conseguiu fixar o défice de 2016 em 2,3%. É uma boa notícia para toda a gente, menos para a direita que acusa Costa de só ter conseguido atingir esse valor porque utilizou o plano B.
A comunicação social afecta aos pafiosos faz coro com Passos e Cristas, nas críticas a Costa. Não haverá por aí ninguém que lembre a Ana Sá Lopes e companheiros da alegria que o governo de Pedro e Paulo não conseguiu baixar o défice, apesar de todos os anos recorrer a orçamentos retificativos e ter utilizado tantos planos que esgotou todas as letras do alfabeto?

Desculpa, Pedro. Desculpa!



Andei eu a gozar contigo durante meses, por causa do Diabo, e afinal ele anda mesmo por aí. Pelo menos aqui no Estoril, estou farto de ouvir as pessoas dizerem " está um frio dos Diabos!".

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (43)


Roberta Flack não precisa de apresentações, mas trazer aqui "The First Time Ever I saw your face" (1972), em vez da mais conhecida "Killing me softly" (1974), ou " The closer I get to you" (1979)talvez mereça uma explicação.
Ambas receberam o Grammy para "Disco do Ano",  mas   escolhi  " The first time...", cantado originalmente por Peggy Seeger  (1957) por se tratar de um tema belíssimo que provavelmente se teria perdido na voracidade do tempo, se Roberta Flack não o tivesse recuperado. E seria lamentável não o poder recordar agora, não vos parece?
Pelo menos a mim, parece, pois esta canção leva-me a Península Valdez e a uma discoteca em Georgetown. Isto está tudo ligado...

As vantagens da privatização dos transportes

PSD e CDS tentaram vender à pressa os transportes públicos de Lisboa e Porto, alegando que a entrega ao sector privado traria vantagens aos consumidores, porque o transporte seria mais barato.
Eu não sei se Sérgio Monteiro acreditava mesmo naquilo que dizia, ou estava apenas a olhar para eventuais vantagens pessoais da privatização dos transportes. Também não sei se aquele grupo de deputados que suportava o anterior governo tinha consciência do impacto das privatizações na vida dos cidadãos. A bem da verdade, nem sequer sei se dariam alguma importância a isso.
Sei, outrossim, que os operadores  privados de transportes, na Área Metropolitana de Lisboa  cometeram pelo menos 201 infracções ao despacho  do governo que  fixa em 1,5% o aumento máximo dos títulos de transporte em 2017. Ou seja: em 34% dos títulos de transporte, as operadoras fizeram aumentos superiores ao estipulado no despacho normativo.
Realmente, a privatização dos transportes só traz vantagens.

Hoje há palhaços



Será impressão minha, mas parecia-me mais lógico que a comunicação social  estivesse hoje a destacar  o défice de  2,3% e o impacto positivo  que terá  na Europa, do que a dar importância a um cabotino que, por mera estratégia de poder pessoal, se marimba nos interesses do país e vota contra uma medida que defendeu enquanto era pm mas agora rejeita porque " é a favor da descida da TSU, mas não para aumentar o salário mínimo". 
Mas isto sou eu, tuga bacocamente orgulhoso, por constatar que o governo do meu país demonstrou à Europa que as desconfianças com a geringonça e o modelo de governança adoptado pelo PS eram infundadas. E por ter demonstrado aos iluminados economistas liberais, que havia alternativa à austeridade por eles imposta ( cegamente seguida pelo governo Passos / Portas) que  deixou milhares de famílias na miséria e expulsou milhares de jovens do país.
E também sou eu, jornalista reformado, que não se adaptou a este jornalismo pós moderno, onde a verdade  e a intriga são construídas por palhaços com carteira de jornalista.

Drones solidários



Há dias, o Miguel Esteves Cardoso escreveu uma crónica sobre a praga dos drones. Também eu aqui me insurgi contra os drones e a nova legislação imprecisa e permissiva.
Hoje, porém, venho aqui manifestar a minha satisfação por existirem drones. Vou tentar  explicar em  breves palavras.
Há algumas décadas  Podentinhos, aldeia próxima de Penela, tinha 600 habitantes. A falta de condições para uma vida digna obrigou muitos  habitantes a deixar a aldeia em busca de uma vida melhor. Outros morreram. Outros ainda foram viver com familiares, ou colocados em lares.
 Em 2015, a  aldeia de Podentinhos tinha apenas um habitante Com 79 anos e escassos recursos, o sr. Joaquim recebe apoio domiciliário  ( higiene pessoal, limpeza da casa, lavagem da roupa e assistência médica)da câmara de  Penela e da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra. 
Todos os dias uma carrinha lhe vai levar o almoço, mas o estado das estradas ( nomeadamente em dias de chuva) dificulta ou mesmo impossibilita a tarefa e, obviamente, quem mais sofre as consequências é o sr. Joaquim.
Ora, graças a um entendimento entre a Santa Casa e a Câmara de Penela e  o apoio técnico de uma start up do Porto, em Dezembro o almoço do  sr Joaquim começou  a ser entregue por um drone. A  ideia é boa. Poupa-se tempo e dinheiro. Mas, felizmente, só irá  ocorrer pontualmente, quando as condições não permitam alternativa. A Câmara de Penela e a Santa Casa de Coimbra (ainda) mantêm a lucidez e percebem que tão importante para o sr Joaquim, como receber a refeição diária, é manter contacto com as pessoas e receber o afecto de quem presta apoio domiciliário.
Entretanto, a startup que materializa o projecto, já imagina os seus drones a fazerem novas rotas para entregar refeições ao domicílio. E é aqui que a ideia começa a perder encanto. Ver os idosos cada vez mais isolados e carentes, não é nada bonito.
E, em termos práticos, se a prática se tornar habitual, colocam-se ainda e estes problemas

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (42)

Pela primeira vez vou repetir uma intérprete nesta rubrica. E justifica-se por duas razões.Foi o  meu primeiro ídolo e  fez hoje 73 anos.
Em jeito de memória recordo uma das suas belas canções (Le premier bonheur du jour)






E como agradecimento  por tantos bons momentos que as suas canções me proporcionaram, uma canção do seu penúltimo álbum ( Tant de belles choses)



E é fantástico envelhecer mantendo o charme e a classe, como Françoise Hardy, não é?

Dos jornalistas e do jornalismo

A realização do 4º Congresso de Jornalistas e a forma abnegada como os organizadores se entregaram à tarefa, são a prova de que ainda há jornalistas empenhados e orgulhosos da sua profissão . Ainda é possível fazer bom jornalismo e oferecer ao público bons jornais. Como acontece em todas as profissões,o problema não é a falta de matéria prima, mas sim o facto de os órgãos de comunicação social, na sua esmagadora maioria, não estarem em boas mãos.
E isso foi notório no último painel, onde estiveram os empresários do sector a justificar porque não apostam num jornalismo de qualidade. O eterno problema das receitas. De publicidade, claro. Pergunto eu: serão as receitas que justificam  noticiários  tão indigentes como aqueles a que normalmente assistimos na televisão em horário nobre?
Serão as receitas que justificam que durante vários dias os "telejornais" das 20 horas abram com uma peça de 20m sobre  Pedro Dias ( o fugitivo que pôs Aguiar da Beira no mapa noticioso nacional) e logo a seguir surja o intervalo publicitário?  Não só o tempo dedicado ao assunto foi demasiado, como a qualidade da reportagens era fracota porque ao fim do segundo dia já não havia nada para noticiar e os jornalistas foram obrigados a encher chouriços. O mesmo se pode dizer do caso de Ponte de Sor. Ou  recuando alguns anos ( porque a infantilização dos noticiários, a mediatização  do crime e a especulação à sua volta já vêm de longe) ocorre-me a cobertura do caso Maddie. Ou da fuga daquela jovem austríaca  que esteve anos raptada.  Sempre que há casos "picantes" lá fora , logo aparece dinheiro para enviar um jornalista, que lá permanece vários dias.  Claro que não falta quem defenda que é isso que o "povo" gosta. Daí que seja notícia a senhora que deixou o casaco nas costas da cadeira, durante o jantar de recepção aos reis de Espanha. Ou as "gaffes" de um ministro ou figura pública, apanhado em conversa privada por um microfone indiscreto, ao serviço de um jornalista que desconhece a ÉTICA. Ou que se veiculem nos jornais  infâmia scom notícias truncadas. por vezes deliberadamente, para atingir pessoas previamente escolhidas. Ou que se plantem nos jornais notícias falsas, sopradas por  um político para lhe agradar e o ajudar a destruir a credibilidade de um outro. Ou ainda que se especule sobre as causas de uma fuga de gás que provocou uma explosão no prédio onde vivia uma actriz de telenovela, criando nos espetadores a ideia de que o acidente teria sido provocado por  tentativa de suicídio da actriz.
O gosto do público não justifica a Lei da Selva. Já o interesse em agradar a determinado quadrante político...
Por outro lado, quando o que se coloca o ênfase  na precariedade,   para  justificar a má qualidade do jornalismo , corre-se o risco de os jornalistas serem acusados de se comportarem como  a avestruz . 
Não pretendo fulanizar, mas o  caso das escutas a Cavaco, "fabricado" por JMF ( então director de "O Público" ) e o ex -jornalista Fernando Lima, assessor de Cavaco, foi um caso de jornalismo de esgoto, produzido por dois jornalistas experientes e sem problemas de precariedade.  Vendido como notícia, tinha  como intuito manipular a opinião pública. Ou, pelo menos, foi essa a sensação que  ficou. 
Lidas as conclusões, concordo que a precariedade é uma das causas da falta de bom jornalismo, mas sejamos rigorosos, olhemos para dentro e não escamoteemos as responsabilidades dos jornalistas  no estado a que chegou o jornalismo. A principal é a promiscuidade das relações entre jornalistas , fontes e poder político. 
Quando os jornalistas acabam "deitados na cama" dos governante ( não é para interpretar à letra, ok?)  e se deixam se deixam pelas mordomias que o poder lhes oferece, não pode haver jornalismo sério e independente. As eleições de 2011 foram uma prova dessa promiscuidadea. Quantos jornalistas que andaram ao lado de Passos Coelho na  campanha eleitoral,  abandonaram o jornalismo eacabaram em gabinetes ministeriais e empresas públicas
Não vejo inconveniente  de um jornalista  integrar um gabinete ministerial. Eu também estive num durante dois anos. Só que antes de ir para esse gabinete não estava a exercer jornalismo há dois anos e só voltei a exercer cinco anos depois de ter abandonado o lugar.  Como sabemos, não é o que se passa na maioria dos casos.
O jornalismo  também não é uma profissão de vedetas, mas muitos jovens  encaram-no  como uma forma de se tornarem conhecidos e respeitados. (Um inquérito realizado há uns anos concluiu que a esmagadora maioria dos candidatos a jornalista pretendia fazer televisão). 
 Há, finalmente, uma  outra  questão  que deve ser salientada e está nas mãos dos jornalistas resolver. Só há bons  jornais e bom jornalismo  com bons empresários, que conheçam a fundo a profissão. 
Talvez tenha chegado o momento de os jornalistas voltarem a demonstrar que é possível fazer bons jornais, boa rádio e até boa informação televisiva.  Para isso é fundamental haver iniciativa ( ou empreendedorismo se preferirem) para criar jornais que sejam propriedade de jornalistas, para que possam ser eles, exclusivamente, a fazer as opções editoriais. 
Enquanto os jornalistas não conseguirem demonstrar que são capazes de gerir um título independente,  imune às influências do poder político e económio,que renuncie ao sensacionalismo  e à tentação de ir ao encontro daquilo que os jornalistas pensam ser o interesse dos leitores, o bom jornalismo continuará a ser engolido pela voracidade do sensacionalismo.
Dir-me-ão que as experiências cooperativas  tentadas em Portugal acabaram de forma inglória. Eu sei. Mas também não desconheço que poderiam ter tido outro destino.
Porque o texto já vai longo, termino com uma apreciação do que fui lendo sobre o Congresso
Li muitos artigos escritos por camaradas meus. Não tenho a pretensão de ler tido tudo, obviamente, mas entre os artigos que li, destaco este do Pedro Tadeu. Porque põe o dedo numa outra ferida que mina a classe há muitos anos, todos discutem, mas fingem ignorar.

A vaca

António Costa mostrou ao país que  as vacas podem voar. No entanto, essa capacidade das vacas não trouxe nenhuns benefícios ao país. Ou então sou eu que ando distraído.
Costa não sabia é que as vacas também sabem escrever.Mas escrevem, porque eu já li, e essa capacidade pode realmente influir nos destinos do país.
Pergunto-me então, quais serão as consequência para o país se uma vaca escrever um artigo a dizer que o aumento dos juros da dívida são culpa da política do governo? Ficaremos todos a saber que as vacas afinal não são analfabetas, mas são umas grandes mentirosas.

O Cerco

Maria Cabral (1941-2017)



Só ontem, ao  princípio da noite, soube da morte de Maria Cabral. Muitos leitores talvez não se recordem do filme  " O Cerco" que ela protagonizou com Rui de Carvalho, mas foi esse filme e um post que sobre ele escrevi em 2012 que logo me acudiu à memória.
Como então, continuamos cercados. Mudaram os sitiantes, mas os sitiados são mais ou menos os mesmos. 
É verdade que o futuro, às vezes, parece mais risonho, mas a ameaça continua, como pode confirmar se seguir o link